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Europa pode vencer próxima corrida tecnológica se concluir mercado interno, diz chefe de patentes

Presidente do Instituto Europeu de Patentes, António Campinos
Presidente do Instituto Europeu de Patentes, António Campinos Direitos de autor  Euronews 2026
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De Mared Gwyn Jones
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António Campinos afirma que a Europa já perdeu, em grande medida, a corrida global à IA, mas ainda pode ter um papel central na próxima revolução tecnológica se reduzir barreiras no mercado único da UE

O presidente do Instituto Europeu de Patentes (IEP), sediado em Munique, defendeu que a União Europeia deve concentrar-se em aprofundar a integração do mercado único se quiser vencer a corrida global nas tecnologias emergentes e fazer crescer empresas líderes de mercado.

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Em entrevista ao 12 Minutes With, da Euronews, Campinos reconheceu que a Europa “perdeu, mais ou menos” a corrida global para dominar a computação em nuvem e a inteligência artificial (IA), mas sublinhou que existem “batalhas tecnológicas em que nós (Europa) podemos trazer melhorias incrementais”.

A instituição sediada em Munique que dirige analisa até 200 mil pedidos de patente por ano, permitindo que inventores e empresas obtenham proteção de patente em 46 países com um único pedido.

“A próxima grande revolução que antevejo é a tecnologia quântica. Ainda estamos numa fase intermédia entre a investigação fundamental e a investigação de desenvolvimento, mas estamos a aproximar-nos bastante do mercado. E é, em geral, aí que a Europa perde a batalha da competitividade e da inovação”, explicou Campinos.

Embora a Europa seja considerada uma potência mundial em inovação e investigação, as start-ups enfrentam dificuldades quando tentam comercializar as suas invenções. “Temos um problema de escala e de atração de fundos suficientes para levar as ideias do laboratório ao mercado”, afirmou Campinos.

“Por isso é que temos de nos concentrar. E, para isso, precisamos mesmo de reduzir a fragmentação do mercado interno”, acrescentou, defendendo que a Europa deve integrar os mercados bolsistas para permitir que as start-ups que operam nestes sectores emergentes ganhem escala e se tornem “atores globais”.

Em fevereiro, os 27 líderes da UE reuniram-se para um retiro no campo belga – com a participação dos antigos primeiros-ministros italianos Mario Draghi e Enrico Letta – para procurar novas formas de relançar a economia estagnada do bloco e eliminar barreiras regulamentares.

Draghi e Letta são autores de dois relatórios de referência, publicados em 2024, sobre como recuperar a vantagem competitiva da UE face à intensa concorrência global, nos quais defendem o aprofundamento da integração do bloco em áreas como a energia, o capital, as telecomunicações e a inovação.

Embora o diagnóstico seja amplamente conhecido, o avanço na aplicação das reformas estagnou.

A Comissão Europeia apresentou propostas na semana passada para um novo regime societário à escala da UE, conhecido como EU Inc, que permite a qualquer pessoa registar uma empresa online em 48 horas, por menos de 100 euros, e seguir um único conjunto de regras em todo o bloco.

Campinos saudou a EU Inc como um passo importante para ajudar start-ups e empresas a crescerem em toda a União, mas afirmou que é preciso fazer mais para “acabar com a fragmentação” do mercado interno.

“Precisamos mesmo de remover o máximo possível de barreiras burocráticas para abrir algum espaço às grandes entidades, aos centros de investigação, às universidades, para levarem o máximo de ideias do laboratório ao mercado”, disse Campinos. Acrescentou que não o fazer representa uma barreira não pautal de cerca de 40% a 60% para bens e de 100% a 110% para serviços, além de uma perda potencial de criação de PIB de até 700 mil milhões de euros.

Campinos considera que adaptar as regras de concorrência da UE ao mercado global e integrar as bolsas de valores do bloco pode criar mais segurança e oportunidades para que as start-ups ganhem escala.

“Temos de olhar para isto, porque nos últimos 50 anos não gerámos uma empresa de 100 mil milhões de dólares nem uma empresa de um bilião de dólares, que é, basicamente, o valor de muitas empresas norte-americanas e chinesas”, acrescentou.

O presidente francês, Emmanuel Macron, fixou recentemente um prazo em junho para uma nova “agenda” de relançamento económico da UE, que deverá incluir a chamada União de Poupança e Investimento, destinada a integrar os mercados de capitais da UE num único mercado de valores mobiliários.

Um sentimento de impaciência face à falta de mudanças leva um grupo de governos da UE favoráveis a uma integração mais profunda a ponderar avançar sem a participação de todos os 27 Estados-membros, uma possibilidade que pode criar um novo precedente para o funcionamento da União.

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