A Aliança Democrática (DISY) garantiu o primeiro lugar nas eleições parlamentares do Chipre, à frente da esquerda AKEL. A extrema-direita do ELAM alcançou um avanço histórico para o terceiro lugar.
A Aliança Democrática (DISY) de centro-direita conquistou o primeiro lugar nas eleições parlamentares de Chipre, ganhando 27,2% dos votos e 17 assentos na legislatura.
Os resultados finais preliminares confirmam que o AKEL de esquerda terminou em segundo lugar, recebendo 23,9% dos votos e garantindo 16 assentos.
A extrema-direita do ELAM alcançou um avanço histórico ao subir para o terceiro lugar global, ganhando 10,9% dos votos e conquistando oito assentos.
O centrista DIKO, um dos partidos que apoiam o governo, terminou em quarto lugar com exatamente 10%, conquistando também 8 assentos.
Esta eleição também confirmou uma onda significativa do sentimento antissistema em toda a ilha, com duas formações políticas recém-estabelecidas a cruzarem oficialmente o limiar para entrar no parlamento.
O partido anticorrupção ALMA obteve 5,8% dos votos, enquanto o Democracia Direta do eurodeputado Fidias Panayiotou conquistou 5,4%, cada um com quatro assentos na Câmara dos Representantes.
Partidos e candidatos
Estas eleições contaram com um total de 752 candidatos, 743 dos quais pertencem a mais de 18 formações partidárias, enquanto 9 concorriam como independentes. Do escrutínio saiem eleitos 56 dos 80 membros da Câmara dos Representantes.
Desde 1963, os cipriotas turcos, a quem cabem 24 lugares, afastaram-se das instituições da República de Chipre e a Câmara dos Representantes funciona, na prática, com apenas 56 deputados.
Para além dos partidos tradicionais, entraram também na corrida novas forças políticas que procuravam canalizar o descontentamento em relação ao atual sistema político.
Destacam-se a presença do Alma - Cidadãos pelo Chipre, do Volt Chipre e também do Democracia Direta do eurodeputado Fidias Panayiotou. Em paralelo, o ELAM surge reforçado, tentando capitalizar o descontentamento em torno do custo de vida, da imigração e de um sentimento generalizado de insegurança.
Porque as legislativas são importantes
Apesar de Chipre ter um sistema presidencialista e o governo não depender diretamente de uma maioria parlamentar, o novo Parlamento terá um papel decisivo na aprovação de leis, reformas e orçamentos do Estado.
O resultado das legislativas deverá também influenciar as alianças políticas, a força do governo de Christodoulides e a capacidade de fazer avançar políticas-chave nos domínios da economia, da imigração, da política social e da energia.
As eleições são ainda vistas como um teste para as presidenciais de 2028.
Mais de 568 000 eleitores inscritos têm direito de voto. Foram instaladas urnas em 1 217 assembleias de voto em Chipre e em 13 no estrangeiro: cinco em Atenas, três em Salónica, quatro em Londres e uma em Bruxelas.