Ondas de calor e secas repetidas alimentaram um verão historicamente quente de incêndios florestais e contribuíram para a morte de milhares de pessoas.
Milhões de pessoas em toda a Europa, sobretudo em França, Itália, Espanha e no Reino Unido, enfrentaram na quinta-feira uma nova vaga de calor, à medida que a mais recente onda de calor no continente se intensificava.
Previa-se que mais de 135 milhões de pessoas enfrentassem temperaturas superiores a 35 °C, com algumas regiões de França a atingirem os 42 °C e o Reino Unido a registar o dia mais quente do ano.
A Europa é o continente que está a aquecer mais rapidamente e, em algumas zonas, não está devidamente preparada para lidar com o calor.
Os cientistas atribuem ondas de calor cada vez mais intensas e frequentes às alterações climáticas provocadas pelo ser humano.
Ondas de calor recorrentes e a seca contribuíram para um verão historicamente quente, marcado por incêndios florestais, e causaram a morte de milhares de pessoas.
Segundo uma análise da AFP baseada nas previsões do serviço meteorológico alemão e nas projeções de população para 2025 do Joint Research Centre, as temperaturas deveriam ultrapassar os 30 °C para quase três em cada cinco residentes europeus, cerca de 340 milhões de pessoas.
Os resultados são consistentes com os da ONG austríaca Klimadashboard.
Calor extremo faz-se sentir
Em França, as temperaturas continuaram a subir, tendo o serviço meteorológico Météo-France registado 42,5 °C em Chateaumeillant, no centro do país, o valor mais elevado do dia.
Paris atingiu os 38 °C e grande parte do país estava sob alerta de onda de calor.
Na Itália, temperaturas semelhantes afetaram cerca de 29 milhões de pessoas, sobretudo ao longo da costa oeste, no vale do Pó, no sul e nas ilhas italianas.
Grande parte da Península Ibérica também foi afetada pelo calor, com cerca de 25 milhões de pessoas em Espanha a sentirem os seus efeitos.
A agência meteorológica espanhola Aemet registou temperaturas de 37 °C nas regiões centrais na quinta-feira.
No Reino Unido, as temperaturas também atingiram os 36 °C ou mais em 40 locais em toda a região central e sul de Inglaterra.
O país está a caminho de registar o verão mais quente de sempre, segundo o Met Office.
A onda de calor tem alimentado incêndios florestais por toda a Europa. No norte da Grécia, centenas de turistas tiveram de ser evacuados de barco quando um incêndio florestal se aproximou de duas estâncias turísticas muito procuradas. Entretanto, na região de West Midlands, no centro de Inglaterra, as equipas combatiam fogos que danificaram habitações, numa situação de seca.
A análise da AFP calculou os valores com um método semelhante ao da Klimadashboard, cruzando a densidade populacional com o modelo de previsão meteorológica do Deutscher Wetterdienst (DWD), o serviço meteorológico nacional alemão.
Os residentes são contabilizados se o modelo prever temperaturas superiores a 30 °C ou 35 °C no seu local em qualquer momento do dia.
No entanto, como o modelo tem uma resolução de cerca de 6,5 km, não consegue captar totalmente o efeito das ilhas de calor urbanas, ou seja, quando as cidades estão significativamente mais quentes do que as zonas rurais envolventes, explicou à agência noticiosa AFP David Jablonski, da organização não governamental (ONG) Klimadashboard.
Por conseguinte, a análise "provavelmente subestima o número de pessoas afetadas em áreas urbanas densamente povoadas", assinala a organização no seu sítio na internet European Heat Tracker.