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Estados Unidos: juíza federal trava nova tentativa de Trump para acabar com cidadania de nascimento

Trump ouve antes de assinar ordens executivas no Salão Oval da Casa Branca sobre cidadania por nascimento, 6 de agosto de 2026, em Washington
O Presidente dos EUA, Donald Trump, ouve antes de assinar ordens executivas no Salão Oval da Casa Branca sobre cidadania por nascimento, 6 de agosto de 2026, em Washington Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Malek Fouda
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Esta é a segunda vez que os planos ambiciosos de Trump de abolir um direito constitucional são rejeitados pelos tribunais federais. O Supremo Tribunal dos EUA já tinha bloqueado uma tentativa do poder executivo de abolir o direito das crianças nascidas de pais sem estatuto de residência legal.

Uma juíza federal norte-americana impediu, na quarta-feira, a administração Trump de aplicar uma nova ordem executiva que limita quem pode beneficiar do direito à cidadania por nascimento.

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A decisão trava a mais recente tentativa do presidente Donald Trump de restringir este direito constitucional e surge depois de o Supremo Tribunal dos Estados Unidos ter rejeitado a iniciativa anterior.

A juíza federal Deborah Boardman, do Tribunal Distrital dos Estados Unidos no Maryland, emitiu uma injunção preliminar na sequência de uma ação intentada por organizações de defesa de direitos que contestaram a ordem executiva de Trump de 6 de agosto, dirigida ao que o próprio descreveu como “turismo de nascimento”.

“O Supremo Tribunal já se pronunciou: as crianças incluídas na classe certificada são ‘cidadãos de nascimento’”, escreveu Boardman na decisão de 35 páginas, acrescentando que a ordem presidencial de agosto “é quase de certeza inconstitucional”.

Ativistas celebram, em frente ao Supremo Tribunal, em Capitol Hill, a decisão sobre o direito à cidadania por nascimento, terça-feira, 30 de junho de 2026, em Washington
Ativistas celebram, em frente ao Supremo Tribunal, em Capitol Hill, a decisão sobre o direito à cidadania por nascimento, terça-feira, 30 de junho de 2026, em Washington Jose Luis Magana/AP Photo/Jose Luis Magana

As organizações de defesa dos direitos dos imigrantes saudaram a decisão.

“Quando se trata de atacar o direito à cidadania por nascimento, a administração Trump perdeu neste tribunal, perdeu no Supremo Tribunal e voltou a perder hoje”, afirmou Shana Khader, diretora jurídica da organização We Are CASA, sediada no Maryland.

A mais recente ordem executiva de Trump visava pessoas que, segundo a sua alegação, entram no país fazendo-se passar por turistas, mas com a intenção de dar à luz.

Na primeira ordem executiva sobre o tema, Trump declarou que crianças nascidas de pais presentes nos Estados Unidos em situação irregular ou com vistos temporários não se tornariam automaticamente cidadãos norte-americanos.

Presidente do Caucus Hispânico do Congresso, Adriano Espaillat, e outros deputados democratas reagem à decisão do Supremo Tribunal de confirmar o direito à cidadania por nascimento, 30 de junho de 2026
Presidente do Caucus Hispânico do Congresso, Adriano Espaillat, e outros deputados democratas reagem à decisão do Supremo Tribunal de confirmar o direito à cidadania por nascimento, 30 de junho de 2026 J. Scott Applewhite/Copyright 2026 The AP. All rights reserved

Tribunais inferiores bloquearam essa medida, concluindo que, ao abrigo da cláusula de cidadania da 14.ª Emenda da Constituição dos Estados Unidos, praticamente todas as pessoas nascidas em território norte-americano são cidadãs americanas. O Supremo Tribunal confirmou essa interpretação.

Os advogados da administração argumentaram que o pedido para suspender a ordem era prematuro e afirmaram que as agências federais responsáveis pela sua aplicação recorreriam a “medidas adequadas” para o fazer, com base em orientações oficiais ainda por publicar.

A juíza rejeitou esse argumento.

ARQUIVO - Hannah Liu, 26 anos, de Washington, ergue um cartaz em apoio ao direito à cidadania por nascimento, 15 de maio de 2025, em frente ao Supremo Tribunal, em Washington
ARQUIVO - Hannah Liu, 26 anos, de Washington, ergue um cartaz em apoio ao direito à cidadania por nascimento, 15 de maio de 2025, em frente ao Supremo Tribunal, em Washington Jacquelyn Martin/Copyright 2025 The AP. All rights reserved.

“Independentemente do que vierem a dizer as orientações, a Ordem Executiva de 2026 ordena às agências que recusem documentos de cidadania a várias categorias amplas de crianças”, escreveu Boardman.

“A Casa Branca tem de reconhecer que não conseguirá retirar às crianças o direito à cidadania, contornar decisões judiciais vinculativas nem colocar a agenda anti-imigração do presidente acima da Constituição”, afirmou Khader em comunicado.

Os esforços do presidente para restringir o direito à cidadania por nascimento fazem parte da sua campanha mais ampla para limitar a imigração, que inclui expulsar milhões de migrantes em situação irregular e retirar proteções contra expulsão a nacionais de mais de uma dúzia de países.

Outras fontes • AFP, AP

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