A Quantum Systems, que desenvolve sistemas autónomos para operações na Ucrânia, está a entrar no domínio marítimo com dois novos veículos não tripulados. Concebidos para operar à superfície e debaixo de água, vão reforçar a vigilância de áreas marítimas e de infraestruturas críticas.
É no mar, tanto à superfície como debaixo de água, que a Quantum Systems quer dar o próximo passo na utilização de sistemas autónomos.
A empresa alemã, que desde o início da guerra tem fornecido sistemas não tripulados às Forças Armadas da Ucrânia, apresentou, em Sesimbra, os seus primeiros sistemas marítimos: o Seavex e o Subvex.
O lançamento aconteceu em Portugal, à margem de um exercício organizado em conjunto pela Marinha Portuguesa, pela NATO e pela Agência Europeia de Defesa. É durante estes ensaios no mar que os dois novos sistemas vão testar e validar as suas capacidades em ambiente operacional.
Segundo Florian Seibel, co-CEO e co-fundandor da Quantum Systems, há uma nova realidade de segurança na Europa. "A frota sombra da Rússia está a operar agora em águas europeias, a infraestrutura marítima crítica tornou-se um alvo, e a Rússia está a usar cada vez mais sistemas não tripulados para operações marítimas hostis", elencou, considerando que o Mar Negro mostrou como os sistemas não tripulados podem mudar dramaticamente as operações marítimas.
"Uma força não precisa de uma grande frota para criar um sério problema operacional para uma marinha muito, muito maior. Para nós, essa é a lição importante. O domínio marítimo está a mudar e as capacidades militares, que antes eram suficientes, precisam de mudar em conformidade", avisou durante o evento de apresentação dos dois novos sistemas marítimos em Sesimbra.
O desafio fundamental no mar é a escala. As áreas a serem monitoradas e protegidas são enormes. Navios e tripulações são muito limitados e a ameaça não existe apenas num só lugar.
"Uma fragata pode estar num local. Uma aeronave de patrulha pode cobrir uma área por algumas horas antes de ficar sem combustível, mas nenhuma delas pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Isso cria lacunas e os nossos adversários estão a explorar essas lacunas", fundamentou Florian Seibel.
É nesta perspetiva que se destacam os novos sistemas autónomos marítimos da empresa. No ar e na terra, a Quantum Systems construiu um ecossistema em que os sistemas não tripulados operam juntos em vez de individualmente.
"Estamos agora a aplicar o mesmo princípio no mar com a Seavex e a Subvex: ampliar a presença colaborativa à superfície e debaixo de água e compilar as informações para o operador", referiu Dirk Zademack, vice-presidente da Quantum Maritime na Quantum Systems.
O Seavex é um veículo de superfície não tripulado, concebido para missões de vigilância marítima de longa duração.
Segundo a Quantum Systems, pode permanecer em operação durante até dois meses e está equipado com radar de vigilância, radar de deteção de drones e sensores eletro-ópticos, com processamento de informação através de inteligência artificial.
O sistema pode ainda lançar e recuperar drones aéreos, além de permitir a atracação, recarga e recolha de dados de veículos não tripulados submarinos.
A ideia é criar uma presença persistente no mar, reduzindo a necessidade de intervenção direta de tripulações.
Debaixo de água surge o Subvex, um veículo subaquático não tripulado, preparado para missões autónomas de vigilância e reconhecimento a profundidades que podem chegar aos seis mil metros.
Equipado com sonar e sensores acústicos, pode operar durante até quatro dias em movimento ativo ou permanecer no fundo do mar, em modo de vigilância passiva, durante semanas.
A Quantum Systems aponta aplicações como a proteção de infraestruturas marítimas críticas, segurança das fronteiras, vigilância antissubmarina e monitorização em mar aberto.
Os dois sistemas fazem parte de uma estratégia mais abrangente. A Quantum Systems pretende ligar operações autónomas no ar, em terra e agora também no mar através de uma arquitetura de software comum, denominada MOSAIC UXS.
Na prática, a empresa diz querer combinar num mesmo ambiente operacional a informação recolhida por diferentes plataformas e sensores.
O objetivo é construir uma imagem operacional integrada, em que sistemas aéreos, terrestres, de superfície e submarinos possam trabalhar em conjunto.
"A resposta não pode ser periódica. Deve ser persistente. É aqui que os sistemas autónomos fazem a diferença. Podem ficar estacionados por muito mais tempo. Podem distribuir sensores por áreas muito maiores. E podem assumir missões onde, simplesmente, não temos recursos de tripulação suficientes para manter uma presença permanente", explicou Florian Seibel, co-CEO e co-fundandor da Quantum Systems, durante o evento de apresentação em Sesimbra.
No entanto, colocar centenas de veículos desconectados e não tripulados na água não resolverá o problema, alerta o responsável da empresa alemã.
"Estes sistemas precisam de entender o que os outros sistemas e parceiros estão a ver, o que o enxame está a ver. Precisam de trocar informações. Precisam de trabalhar em equipa. Precisam de trabalhar juntos. A capacidade decisiva não está no drone, barco ou veículo subaquático individualmente. É a inteligência que os conecta uns aos outros e entre domínios", sublinhou.
Para a empresa, a aposta surge num contexto em que a segurança marítima assume uma importância crescente, numa altura em que portos, zonas costeiras e infraestruturas críticas exigem vigilância permanente.
A Quantum Systems considera que as ameaças podem surgir simultaneamente no ar, à superfície e debaixo de água e que a resposta passa por cruzar informação proveniente destes diferentes ambientes.
Os testes realizados em águas portuguesas marcam o início desta expansão para o domínio marítimo.