Num evento que reuniu dirigentes políticos e eurodeputados do grupo Patriotas pela Europa para discutir a soberania energética europeia, o presidente do Rassemblement National disse que a situação no Estreio de Ormuz "demonstra os limites da dependência da Europa" destes produtos.
Em Portugal para discutir o tema da soberania energética, juntamente com outros membros do grupo político europeu Patriotas pela Europa, Jordan Bardella advertiu contra o que diz ser a "dependência europeia dos hidrocarbonetos" e como a guerra no Irão, nomeadamente o bloqueio do Estreio de Ormuz, evidenciou o problema.
"O que se tem vindo a passar no estreito de Ormuz há várias semanas demonstra bem os limites da dependência da Europa em relação aos hidrocarbonetos. É por isso que somos bastante cautelosos quanto aos objetivos de guerra", afirmou o presidente do Rassemblement National (RN), reforçando como o atual conflito "é prejudicial para o aprovisionamento energético da Europa, para as economias europeias e para o poder de compra das famílias francesas".
As declarações do líder da extrema-direita francesa aconteceram durante uma conferência conjunta com André Ventura, realizada no âmbito do evento “Patriots Study Days ", onde foi debatido o tema da soberania energética da Europa. Apesar de levantar a questão da dependência dos combustíveis fósseis, Bardella não sugeriu como esta pode ser mitigada ou se apoiaria uma transição para políticas mais sustentáveis e energias verdes.
Durante o evento, os dois líderes políticos assinaram a chamada Declaração do Porto sobre "Soberania Energética, Segurança e Realismo", na qual o grupo político europeu deixa sérias críticas à política energética europeia, que acusam de ser "orientada por ideologias".
Bardella garante que "só há dois países capazes de provocar uma mudança no funcionamento da União Europeia e na sua orientação política. Esses dois países são a França e a Alemanha". Ainda assim, segundo o líder do RN, apenas o seu partido pode fazer a diferença, principalmente se vencer as próximas eleições presidenciais.
"Tendo em conta o nosso atual calendário eleitoral, a esperança de mudança à escala europeia só pode vir de França nos próximos meses", afirmou.
Na declaração, divulgada esta terça-feira, o grupo político acusa a Comissão Europeia de seguir uma política energética orientada por ideologias que, segundo eles, "compromete ainda mais a nossa soberania nacional e a acessibilidade dos preços da energia, além de ameaçar a nossa competitividade e o bem-estar dos cidadãos".
Para os Patriotas pela Europa, as políticas da Comissão "conduziram ao aumento dos preços da energia, à instabilidade da rede e à erosão do controlo dos Estados-membros sobre o seu próprio futuro energético".
"Os Estados-membros devem ter liberdade para escolher o seu próprio mix energético, com base nas suas necessidades específicas, recursos e realidades económicas, sem pressões ideológicas e fiscais nem modelos impostos por Bruxelas", é possível ler no documento divulgado.
Ventura reconhece “desgaste” de Orbán após derrota na Hungria
Durante a conferência de imprensa no Porto também André Ventura, líder do Chega, foi questionado pelos jornalistas, nomeadamente sobre a derrota de Orbán e o que esta pode representar para o grupo europeu.
Depois do apoio declarado ao líder derrotado húngaro, reconheu agora que os 16 anos no poder podem ter desgastado o primeiro-ministro cessante.
"É muito difícil que ao fim de 16 anos não haja um certo desgaste de poder. Há em todos os países, há em todas as democracias", afirmou Ventura.
"É importante perceber que haver uma mudança democrática ao fim de 16 anos de exercício de poder é um acontecimento normal numa democracia. Só mostra que era mesmo uma democracia, ao contrário do que muitos dos nossos adversários diziam", afirmou, citado pela agência portuguesa Lusa.
Em destaque esteve também a questão da Lei Laboral, que poderá não ter acordo entre o Governo com os parceiros da concertação social, nomeadamente com as confederações sindicais.
André Ventura disse que o partido recebeu do Governo "a indicação de que várias alterações estão a ser feitas à proposta da reforma do Estado, no sentido das indicações que o Chega tinha proposto". Ainda assim, o líder da oposição portuguesa destacou ser "estranho" que o ónus da negociação possa estar com o seu partido.
"Parece-nos muito estranho que, na véspera da decisão da UGT e da CGTP, mas sobretudo da UGT sobre se vai haver acordo ou não em matéria de concertação social que o Governo já esteja a pôr o ónus em cima do Chega, no fundo a dizer que o Chega é que vai ter que ser o parceiro de negociação", afirmou André Ventura, durante a conferência de imprensa no Porto.
O evento do Patriotas pela Europa, o grupo que compõe a terceira maior bancada do Parlamento Europeu, termina amanhã, 23 de abril.