Espanha reforça o dispositivo no enclave com uma barreira flutuante, duas fragatas da Armada e mais polícias, peritos forenses e procuradores, enquanto investiga um novo apelo para tentar cruzar a fronteira em 15 de agosto.
Ceuta procura recuperar a normalidade depois da entrada massiva de cerca de 72.000 pessoas provenientes de Marrocos, o Governo reforçou o dispositivo de segurança com meios militares, policiais, judiciais e forenses, enquanto as autoridades vigiam uma nova convocatória difundida nas redes sociais que apela a tentar outra travessia em massa no próximo 15 de agosto.
Uma das medidas mais visíveis foi a instalação de uma barreira pneumática flutuante junto ao molhe fronteiriço do Tarajal para dificultar novas entradas por mar. O dispositivo soma-se ao reforço extraordinário destacado na cidade após a crise migratória.
O dispositivo inclui também o envio de duas fragatas da Armada para as águas próximas de Ceuta, para reforçar a vigilância marítima, além de efetivos adicionais da Guardia Civil e da Polícia Nacional, que continuam a assegurar o controlo da fronteira, a identificação de migrantes e a investigação dos factos ocorridos durante a crise.
O reforço chegou igualmente ao âmbito judicial. O Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses aumentou o seu quadro de pessoal para fazer face ao elevado número de mortos e desaparecidos, passando de sete para 19 profissionais, enquanto o Ministério Público destacou mais elementos para assumir as diligências abertas após a emergência.
Prossegue a busca pelos desaparecidos
Uma das principais consequências da crise continua a ser a localização das pessoas cujo paradeiro ainda se desconhece. A Guardia Civil abriu um gabinete de atendimento a familiares na passagem fronteiriça do Tarajal para recolher denúncias e informação de quem procura os seus entes queridos.
Até ao momento, os investigadores elaboraram mais de 30 perfis de possíveis desaparecidos e já conseguiram identificar uma dessas pessoas. Familiares provenientes de Marrocos continuam a chegar a Ceuta para fornecer fotografias, amostras e qualquer dado que possa facilitar as identificações.
Alerta para nova tentativa a 15 de agosto
A este cenário soma-se agora a preocupação com uma possível nova entrada massiva.
As forças de segurança monitorizam há vários dias uma campanha difundida no TikTok, Facebook, WhatsApp e outras redes sociais que apela a concentrarem-se a 15 de agosto para repetir o assalto à fronteira. As autoridades espanholas consideram real o risco de se registar uma nova tentativa, embora insistam que a sua dimensão continua incerta.
Os serviços de informações também não excluem que a data possa ser alterada. Por a convocatória ter sido tornada pública, as autoridades admitem que os organizadores possam antecipar a tentativa para recuperar o efeito de surpresa.
Marrocos reforça também a fronteira
Do outro lado da fronteira, Marrocos aumentou igualmente o dispositivo de segurança na zona de Fnideq (Castillejos) para impedir novas saídas em massa em direção a Ceuta. As autoridades espanholas consideram que a colaboração de Rabat será determinante para evitar que se repitam cenas como as da semana passada, quando milhares de pessoas conseguiram entrar no enclave espanhol em poucas horas.
Entretanto, o presidente da cidade autónoma, Juan Jesús Vivas, continua a reclamar mais meios para proteger a fronteira. Depois de ter comparecido esta semana perante o Parlamento Europeu, insistiu na necessidade de reforçar o perímetro fronteiriço com mais recursos humanos e materiais e pediu um maior apoio da União Europeia através de organismos como a Frontex, a Europol e a Agência Europeia de Asilo.
Embora a maioria dos migrantes já tenha regressado a Marrocos, Ceuta continua a enfrentar as consequências da crise: milhares de pessoas permanecem ainda na cidade, centenas de menores seguem sob tutela das autoridades e prossegue a busca de desaparecidos, enquanto as forças de segurança se mantêm destacadas, receosas de que a situação se possa voltar a repetir.