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França vai rejeitar extremismo e Le Pen nas presidenciais, diz Haddad

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Ministro francês dos Assuntos Europeus durante entrevista à Euronews, na Irlanda, 3 de setembro de 2026
Ministro francês dos Assuntos Europeus em entrevista à Euronews na Irlanda, 3 de setembro de 2026 Direitos de autor  Euronews
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Sondagens indicam que a veterana da extrema-direita Marine Le Pen está bem posicionada para ser a próxima presidente francesa, embora a corrida ainda esteja no início. Mas o ministro europeu Haddad acredita que os eleitores a irão rejeitar.

Ministro francês dos Assuntos Europeus, Benjamin Haddad, disse à Euronews estar “bastante confiante” de que o eleitorado francês rejeitará o extremismo e não escolherá um candidato de extrema-direita para substituir o presidente Emmanuel Macron nas eleições do próximo ano.

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Estas declarações surgem poucos dias depois de uma sondagem Elabe para a BFMTV/La Tribune Dimanche ter mostrado Le Pen muito à frente de todos os outros candidatos, projetando para si entre 34% e 35,5% dos votos na primeira volta.

Le Pen foi autorizada em julho a concorrer, apesar de um tribunal de recurso ter confirmado uma condenação por desvio de fundos.

“Ainda falta muito até às eleições, mas estou bastante confiante de que os franceses, como fizeram tantas vezes, vão rejeitar o extremismo”, afirmou Haddad no programa de entrevistas da Euronews 12 Minutes With.

“Os franceses disseram repetidamente não ao extremismo, ao euroceticismo e ao populismo”, acrescentou.

Indicou que as eleições de 2027, na próxima primavera, serão “difíceis, como todas”, mas sublinhou que “nunca” confia nas sondagens, lembrando que já se enganaram no passado.

“Quando comecei pessoalmente a apoiar Emmanuel Macron, em 2016, ele estava muito, muito atrás nas sondagens”, recordou Haddad, membro do partido de Macron, a Renaissance (antiga La République En Marche!).

Antes das presidenciais de 2017, Macron passou do terceiro lugar nas sondagens, depois de anunciar a candidatura em novembro de 2016, a liderar temporariamente sobre Le Pen, semanas antes da votação.

Na primeira volta, em abril de 2017, obteve 24% dos votos e acabou por conquistar a presidência na segunda, com 66%, contra 34% para Le Pen. A diferença reduziu-se significativamente na segunda volta das eleições de 2022, quando Macron venceu Le Pen com 59% dos votos face aos 41% da candidata.

Franceses são “profundamente europeus”

Haddad afirmou que os franceses são “profundamente europeus” e acabarão por rejeitar Le Pen.

“Os franceses orgulham-se do papel que o seu país desempenha no palco europeu”, declarou.

“Marine Le Pen foi, durante muito tempo, a candidata do ‘Frexit’”, afirmou, numa referência às correntes marginais da política francesa que defendiam a saída de França da União Europeia e da eurozona.

A hipótese de França abandonar a UE foi um dos elementos centrais dos programas de Le Pen em 2012 e 2017. Atualmente, mantém uma posição firmemente eurocética, prometendo reduzir a contribuição francesa para o bloco e defender o fim de certas normas, mas já não reivindica explicitamente um referendo sobre a permanência de França na União Europeia.

“Ela foi a candidata que defendia a saída da eurozona. Foi a candidata da aliança com Vladimir Putin”, afirmou Haddad.

“Está a tentar fazer esquecer tudo isto e, por vezes, chega mesmo a dizer que nunca aconteceu, embora conheçamos há muito tempo a sua posição em relação à União Europeia.”

Apesar da convicção de que os franceses votarão contra Le Pen, Haddad alertou que os responsáveis de outros partidos devem encarar a ascensão da extrema-direita e do populismo “com muita humildade”.

“A nossa primeira responsabilidade é continuar a apresentar resultados. Em todas as questões de que falamos – migrações, segurança, competitividade, prosperidade, defesa da segurança dos europeus contra ameaças externas –, temos de continuar a mostrar trabalho”, explicou Haddad.

Acrescentou que continuar a “fazer campanha, encontrar-se com os franceses, ouvir os eleitores e responder-lhes” é igualmente essencial nesta missão.

Unir-se em torno de um único candidato?

O elemento central da sua proposta para derrotar a extrema-direita poderá ser o mais difícil de alcançar, dada a fragmentação da corrida eleitoral, a oito meses da primeira volta.

“Precisamos de nos unir em torno de um candidato, porque neste momento temos muito talento no centro, mas uma oferta política fragmentada”, defendeu Haddad.

Cerca de 30 personalidades já manifestaram intenção de concorrer. Entre os nomes apontados como possíveis candidatos estão dois antigos primeiros-ministros de Macron: o centrista Gabriel Attal (Renaissance) e o dirigente de centro-direita Édouard Philippe (Horizons), enquanto o conservador Bruno Retailleau (Les Républicains) é um dos ex-ministros do presidente.

Na esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon (La France Insoumise) disputa a presidência, enquanto outros candidatos no campo da esquerda incluem Marine Tondelier (Os Verdes) e o eurodeputado Raphaël Glucksmann (Place Publique).

“Creio que, até ao final do ano, teremos um candidato capaz de federar o centro e a centro-direita e, a partir daí, apresentaremos o nosso projeto.” Alguns dos aspirantes já admitiram participar em umas eleições primárias.

Extremismo “não é resposta às incertezas”

Ainda assim, Le Pen continua a liderar as sondagens. Em 2024, o seu partido venceu as eleições europeias em França com mais do dobro dos votos da formação de Macron, o que levou o presidente a convocar eleições antecipadas.

Haddad reconheceu que as incertezas globais alimentam a popularidade do populismo, salientando que muitas das certezas que as pessoas tinham “estão a desmoronar-se”.

“O comércio está a ser transformado numa arma de pressão. Vemos as sobrecapacidades subsidiadas da China a chegar aos nossos mercados e a desestabilizar as nossas indústrias. As nossas alianças tradicionais estão a ser questionadas; há a guerra da agressão russa no nosso continente”, explicou.

“Quando se vivem estas incertezas e são postos em causa os pilares sobre os quais construímos a União Europeia e a nossa aliança transatlântica, isso abre muitas vezes espaço para respostas radicais”, acrescentou Haddad, sublinhando que não acredita que essas respostas estejam certas.

“Não creio que, num mundo em que sentimos a pressão da China e dos Estados Unidos e a ameaça que vem da Rússia, sejamos mais fortes sozinhos. Não penso que ficemos mais fortes se nos fecharmos sobre nós próprios.”

A primeira volta das eleições presidenciais francesas está marcada para 18 de abril de 2027 e a segunda para 2 de maio de 2027, caso nenhum candidato obtenha maioria absoluta de votos.

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