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Dissuasão da NATO cada vez mais prejudicada pela falta de resposta aos ataques "híbridos" da Rússia

Agentes policiais no aeroporto de Leipzig procuram um drone relacionado com um alegado ataque, agosto de 2026.
Agentes da polícia no Aeroporto de Leipzig procuram um drone que poderá estar ligado a um ataque suspeito, agosto de 2026. Direitos de autor  AnadoluSebastian Willnow/dpa via AP
Direitos de autor AnadoluSebastian Willnow/dpa via AP
De Shona Murray & Angela Skujins
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Especialistas e diplomatas dizem à Euronews que a fraca resposta da Europa à agressão russa em território da NATO está a minar a dissuasão da aliança e a alimentar o apetite de risco do Kremlin.

Responsáveis em todo o continente concordam que os ataques de guerra híbrida orquestrados pela Rússia em território da NATO estão a entrar numa nova fase perigosa, já marcadamente cinética.

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Numa reunião no início de setembro, a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, afirmou que o objetivo do presidente russo, Vladimir Putin, é “afastar-nos do apoio à Ucrânia”.

“Não vai conseguir”, disse aos jornalistas à margem de uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE.

Outros diplomatas europeus disseram, porém, à Euronews que a ausência de uma resposta dissuasora forte está a deixar o continente vulnerável a uma escalada dos ataques russos.

A decisão da Alemanha de responsabilizar formalmente o Kremlin pela colocação de um drone carregado de explosivos no aeroporto de Leipzig, em agosto, marcou a confrontação mais direta de Berlim com Moscovo, depois de anos de ingerência hostil.

A Alemanha encerrou o consulado russo em Bona e pôs fim a um acordo que permitia que a Casa da Rússia, centro cultural em Berlim, se mantivesse aberta apesar das antigas suspeitas de atividades de espionagem.

“Em conjunto, as investigações policiais, os padrões das infrações e a informação dos serviços de inteligência demonstram a responsabilidade russa na tentativa de ataque ao aeroporto de Leipzig”, declarou o ministro do Interior alemão, Alexander Dobrindt, em Berlim, após o incidente.

Mais recentemente, um avião que transportava o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, foi quase atingido por um drone russo quando iniciava a viagem para participar no funeral de Estado do rei Harald, em Oslo, a 7 de setembro.

“O Kremlin conhece bem os nossos limites”

“Como é possível que estes incidentes não sejam suficientes para desencadear uma resposta da NATO?”, questionou Ed Arnold, conselheiro sénior do British Foreign Policy Group, em declarações à Euronews.

“Ao nada fazermos, estamos a reduzir o valor dissuasor da NATO.”

Arnold salientou que, se os explosivos de grau militar no drone de Leipzig tivessem detonado, poderiam ter sido fatais. O aparelho não foi corretamente instalado e acabou por não explodir.

“O incidente de Leipzig não foi travado pelos serviços de segurança; os explosivos é que não detonaram”, afirmou. “A NATO precisa agora de uma resposta abrangente, porque o Kremlin conhece bem os nossos limites.”

A ambiguidade em torno da resposta da NATO resulta, em parte, da incerteza sobre se os Estados Unidos apoiariam uma reação coletiva a um ataque em território da NATO.

Uma avaliação dos serviços de inteligência norte-americanos, em agosto, referia que Putin poderá tentar testar a determinação da NATO com um ataque limitado em território aliado dentro de poucos anos, seja através de uma pequena incursão terrestre, seja com um ciberataque grave contra infraestruturas críticas – em qualquer dos casos, uma situação demasiado séria para ficar sem resposta.

Arnold defendeu que a incerteza sobre o compromisso de Washington apenas alimenta o apetite de Putin para arriscar a possibilidade de um confronto direto com a NATO, o que se enquadra na campanha do líder russo para demonstrar que o Artigo 5 da carta da NATO – “um ataque a um é um ataque a todos” – é vazio.

“Ele sabe que a melhor oportunidade para conseguir isso é a atual administração da Casa Branca”, afirmou Arnold. “Putin é um estratega, não um tático. Continua sem conseguir vencer os ucranianos numa guerra convencional, mas percebe que uma administração Trump é suscetível ao charme russo.”

Ofensiva de charme

O enviado norte-americano Steve Witkoff falou com grande admiração de Putin durante conversações diplomáticas destinadas a pôr fim à guerra na Ucrânia, na semana passada.

“Antes de mais, presidente Putin, muito obrigado por nos receber”, disse. “Estávamos agora sentados lá fora… e falávamos todos sobre como, quando nos reformarmos, teremos estas histórias e memórias incríveis, e a sua ficará mesmo no topo de todas.”

Kurt Volker, que desempenhou funções de embaixador dos Estados Unidos junto da NATO na primeira administração Trump, aconselha agora as autoridades ucranianas em matérias de segurança. Disse à Euronews que a aliança tem de estar num grau de prontidão muito mais elevado para um ataque que, sem margem para dúvidas, acionaria uma resposta coletiva ao abrigo do Artigo 5 – e que tem de ficar claro para o Kremlin que há agora “tolerância zero” para as suas atividades de guerra na sombra.

Pelo contrário, apontou as incursões de drones na Roménia e na Polónia ao longo do último ano e a aparente falta de consequências.

“Ficamos a perguntar-nos: ‘onde está a linha’ que, se a Rússia a ultrapassar, nos levaria a responder.”

“Recordem quando havia 19 drones em território polaco e isso foi chocante, e agora temos um drone armado a circular rapidamente pelo espaço aéreo romeno e a entrar na Ucrânia e ninguém diz nada. Tudo isto tem um efeito insidioso.”

A Polónia tomou a decisão relativamente rara de acionar o Artigo 4 da carta da NATO na sequência da incursão de drones no ano passado.

Um processo ao abrigo do Artigo 4 é o prelúdio para um eventual pedido de resposta coletiva dos aliados. Obriga todos os membros a entrarem numa consulta formal se suspeitarem que a sua integridade territorial está sob ameaça. O objetivo é avaliar uma resposta conjunta com o apoio dos aliados, depois de toda a informação ser partilhada. Ao contrário do Artigo 5, não compromete a aliança numa resposta de defesa mútua.

Questionado sobre porque é que houve tão poucas consultas formais ao abrigo do Artigo 4 desde então, apesar da atividade cada vez mais agressiva do Kremlin, Volker respondeu que sempre que se recorre a um processo oficial e não há qualquer resultado isso expõe ainda mais o “grau de desunião” da NATO.

“Se se aciona o Artigo 4 e depois não há resultado, talvez seja melhor nem sequer realizar a reunião”, afirmou.

Em resposta a estas críticas, responsáveis da NATO lembram que a Alemanha não ativou uma consulta de emergência ao abrigo do Artigo 4.

“A Alemanha pode vir a fazê-lo, mas até o fazer continua a ser um assunto para o Governo alemão e não para a aliança”, disse um responsável à Euronews.

Rússia não se sente dissuadida

“A dissuasão não está a funcionar”, afirmou Laura Galante, antiga diretora do Centro norte-americano de Integração de Inteligência sobre Ameaças Cibernéticas. “Quando temos um drone num aeroporto civil, conseguimos ver claramente a dimensão desta ameaça.”

Concordou com outros interlocutores da Euronews que ainda não houve um momento em que a NATO tenha conseguido unir-se em torno de uma resposta às incursões ou ataques russos – e apontou também o recuo de Washington em clarificar se está plenamente comprometido com a segurança coletiva da NATO.

Galante diz que caberá à Europa – em particular a países como a Finlândia e a Suécia, que têm forças armadas fortes, bem equipadas e uma postura de segurança abrangente – assumir a liderança em caso de um ataque de grande escala.

Mesmo o uso do termo “guerra híbrida” é hoje amplamente visto como insuficiente, por minimizar a gravidade das ações orquestradas pela Rússia, que incluem não só frequentes incursões de drones, mas também incêndios, sabotagem e tentativas de assassínio.

“Temos também de encontrar uma forma de enfrentar a guerra não convencional”, afirmou o presidente da Letónia, Edgars Rinkēvičs, na Conferência de Riga de 2026, na quinta-feira.

“Referimo-nos muitas vezes a isso como guerra híbrida. E eu próprio o fiz muitas vezes. Agora penso que estamos todos errados.”

Rinkēvičs defendeu que esta moldura “híbrida” cria “uma sensação nas nossas sociedades de que nada tem a ver com o perigo real, claro e presente”.

Entretanto, a 11 de setembro, o Kremlin ameaçou apontar armas nucleares russas à Lituânia se Vilnius permitir a instalação de armas nucleares no seu território.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, fez estas declarações ao comentar a recente abertura de Vilnius para levantar as restrições à presença de armas nucleares.

“Era de esperar. Isto representará uma escalada muito séria das tensões, porque, se se implantam armas nucleares no próprio território, essas armas visam alguém”, afirmou em conferência de imprensa. “Obviamente, essas armas não estarão apontadas ao Ocidente. Estarão apontadas ao Oriente – isto é, a nós.”

“Se houver armas nucleares no seu território apontadas contra nós, então, em conformidade, o território desse país também ficará na mira das nossas armas nucleares.”

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