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“Nunca se conseguiu antes”: Meteorologista analisa salto do MTG-I2 que prevê catástrofes

Em Kourou, um meteorologista descreve as condições antes do lançamento de 28 de agosto de 2026.
Em Kourou, um meteorologista explica as condições antes do lançamento de 28 de agosto de 2026 Direitos de autor  Euronews
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De Jeremy Wilks & Maria Muñoz Morillo
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Panos Giannopoulos, do Serviço Meteorológico Nacional da Grécia, interpreta imagens de satélite há anos e explica à “Euronews” o que muda com o novo Meteosat, o satélite meteorológico mais avançado do mundo

Em 28 de agosto, o satélite MTG-I2 (Meteosat Third Generation Imager-2) descolou do Porto Espacial Europeu de Kourou a bordo de um foguetão Ariane 6, na nona missão do lançador e no seu primeiro voo para uma órbita de transferência geoestacionária. Com este lançamento, a ESA e a Eumetsat completam o primeiro trio operacional da constelação Meteosat de Terceira Geração, posicionada a 36 000 quilómetros acima do equador para vigiar de forma permanente o clima da Europa, do Mediterrâneo e do norte de África.

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Para perceber o que muda realmente com este satélite, falámos com alguém que há décadas interpreta imagens de satélite no seu trabalho diário: Panos Giannopoulos, meteorologista do Serviço Meteorológico Nacional da Grécia (HNMS) e apresentador de meteorologia no SKAI Media Group.

Satélite MTG-I2, encapsulado na sua carenagem na Instalação de Encapsulamento Ariane do Porto Espacial Europeu de Kourou, na Guiana Francesa, em 21 de agosto de 2026
Satélite MTG-I2, encapsulado na sua carenagem na Instalação de Encapsulamento Ariane do Porto Espacial Europeu de Kourou, na Guiana Francesa, em 21 de agosto de 2026 ESA

“Quando comecei a trabalhar, há 25 anos, só tínhamos uma imagem a cada 30 minutos, com três canais: era a primeira geração de Meteosat, lançada há duas décadas”, recorda. A segunda geração, explica, marcou uma diferença clara: 12 canais e imagens a cada dez minutos (a cada cinco na Europa), que além disso permitiam combinar canais para detetar nevoeiro, poeiras, cinzas vulcânicas e seguir a evolução das tempestades, desde que nascem até que se dissipam.

Com a terceira geração, à qual pertence o MTG-I2, o salto é ainda maior. Novo satélite irá varrer o quadrante superior da Terra, centrado na Europa, a cada dois minutos e meio, algo que, segundo Giannopoulos, “nunca foi conseguido em nenhum outro lugar do mundo, nem sequer nos Estados Unidos”. É uma mudança que, admite, pode ultrapassar a capacidade de análise humana: “Não sei se os meteorologistas conseguem, por si só, tirar partido de toda essa informação, mas com ajuda da inteligência artificial estas imagens a cada 2,5 minutos podem melhorar muito a previsão de muito curto prazo”.

Esta nova geração de satélites inclui também um detetor de relâmpagos, algo que os Meteosat nunca tinham, capaz de recolher 1 000 amostras por segundo numa banda muito estreita do espetro. E não chega sozinho: já está em órbita o MTG-S, segundo satélite da família, lançado em 2025, que mede perfis de humidade e temperatura na atmosfera. “Até agora dependíamos sobretudo de balões sonda lançados a cada 12 horas a partir de um número limitado de pontos. Esse satélite está a fornecer dados há menos de um ano e já estão a ser integrados nos modelos globais de previsão”, assinala o meteorologista.

MTG-I2 ainda levará cerca de seis meses a completar a fase de entrada em serviço, antes de ser integrado e calibrado juntamente com os seus dois satélites irmãos. A partir de então, previsivelmente em torno de abril de 2027, os três irão operar como um único sistema. Para Giannopoulos, o balanço é claro: “Esta terceira geração de Meteosat terá impacto tanto na previsão de muito curto prazo (nas próximas duas ou três horas) como no intervalo habitual de um a dez dias”.

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