Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Guerras, tarifas e IA: o que esperar da cimeira do G7 em Évian

Macron, Carney e Trump na cimeira do G7 do ano passado em Kananaskis, no Canadá — os três líderes regressam a Évian com relações bastante mais tensas.
Macron, Carney e Trump no G7 do ano passado em Kananaskis, no Canadá: os três regressam agora a Évian com relações muito mais tensas. Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
Direitos de autor Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
De Rebecca Rommen
Publicado a Últimas notícias
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Acordo de paz com o Irão em risco, gigantes da IA juntam-se a líderes mundiais e chegada de Trump ao G7 atrasa por combate de MMA de aniversário: o que esperar de Évian.

A estância alpina de Évian-les-Bains, mais conhecida pela água mineral do que pela geopolítica, torna-se a partir de segunda-feira o centro temporário da diplomacia mundial, com a reunião dos líderes das sete maiores economias do planeta para a sua cimeira anual. A 52.ª reunião do G7 decorre até quarta-feira, na margem francesa do lago Genebra. Segundo a maioria das avaliações, acontece numa das fases mais tensas dos últimos anos.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Donald Trump deverá voar para França ao final do dia de domingo, logo após assistir a um combate de artes marciais mistas no relvado sul da Casa Branca, combate que coincide com o seu 80.º aniversário. A partida tardia obrigou a adiar em um dia o arranque da própria cimeira.

De acordo com a agenda do Eliseu, Macron recebe Trump em reunião privada às 17h00 de segunda-feira, antes de um jantar oficial de boas-vindas nessa noite, sob o lema "Responder em conjunto aos grandes desafios internacionais".

Após a cimeira do G7, o presidente norte-americano segue para o Palácio de Versalhes para um jantar com Emmanuel Macron. Segundo o Eliseu, a receção assinala o 250.º aniversário da independência americana, num "local-chave da amizade franco-americana, onde foi assinado, em 1783, o tratado que consagrou a independência" dos Estados Unidos.

Irão: acordo pode avançar ou voltar a falhar

À medida que os líderes mundiais chegam a Évian, as atenções concentram-se num possível acordo de paz entre Washington e Teerão, que parece mais próximo do que em qualquer momento desde que Trump lançou a guerra contra o Irão, em fevereiro.

Um alto responsável da administração afirmou que um acordo poderá ser alcançado dentro de poucos dias, embora isso "não esteja garantido a 100%". O Paquistão, mediador-chave, descreve a situação como mais próxima de uma solução do que "alguma vez antes".

O impacto económico dificilmente poderia ser maior. Até ao início do conflito, cerca de um quarto do comércio mundial de petróleo transportado por mar passava pelo estreito de Ormuz, que o Irão fechou às "nações hostis" no início de março, provocando uma forte subida dos preços da energia.

Mesmo com um acordo, a remoção das minas será uma operação militar de grande envergadura. O Reino Unido e a França prepararam uma proposta de desminagem, apoiada por estrategas militares de mais de 15 países, concebida para ser mobilizada rapidamente, poucos dias após qualquer acordo de paz. Obter o aval de Trump deverá ser um dos objetivos centrais da cimeira, embora o presidente tenha minimizado, na semana passada, a ameaça representada pelas minas iranianas, ao mesmo tempo que o secretário de Estado, Marco Rubio, reconhecia que vastas zonas da via marítima continuam minadas.

"Bromance" abalado no centro da cimeira

Macron acolhe a cimeira e a relação com Trump, selada em tempos por um célebre aperto de mão no desfile do Dia da Bastilha de 2018, estará sob os holofotes. O calor desses primeiros tempos deu lugar a uma ligação mais transacional, embora se mantenha um canal pessoal de chamadas e mensagens.

"O bromance acabou, mas há ali qualquer coisa parecida com um respeito mútuo, ainda que relutante, quando estão na mesma sala», afirmou um responsável europeu, citado pelo Financial Times.

Os europeus chegam com queixas renovadas: tarifas norte-americanas sobre produtos da UE, ambiguidade de Trump em relação à NATO e o impacto económico do fecho de Ormuz. "Em 2025, os europeus estavam dispostos a aceitar a estratégia de se ajoelhar", afirmou Max Bergmann, do Center for Strategic and International Studies, citado pelo FT. "Em 2026, a tolerância é menor".

O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, chega depois de ter passado o sábado em Dublin, onde proferiu um discurso incisivo na véspera da cimeira. "A Irlanda e o Canadá estão a navegar uma rutura global, não uma transição tranquila", disse em Trinity College. "A ordem mundial baseada em regras que se seguiu ao fim da Guerra Fria está a desfazer-se".

Ucrânia e IA: outras linhas de fratura

Volodymyr Zelenskyy participa na terça-feira numa sessão de trabalho do G7, intitulada "Construir a paz e a segurança para a Ucrânia e a Europa", mas não terá encontro bilateral com Trump, sinal da perda de peso de Kiev em Washington. A agenda do Eliseu indica a chegada de Zelenskyy às 08h55 de terça-feira, com o início da sessão às 09h00. Um almoço de trabalho separado, nessa tarde, junta à mesa os líderes do Egito, dos Emirados Árabes Unidos e do Qatar para discutir "como enfrentar as crises e garantir a estabilidade no Médio Oriente". Trump tem encontros a sós previstos com os líderes de França, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Egito e Índia.

No dossier da inteligência artificial, a cimeira recebe um encontro inédito de líderes do setor. Os presidentes-executivos da OpenAI, Google DeepMind e Anthropic, Sam Altman, Demis Hassabis e Dario Amodei, confirmaram presença, o que faz deste o primeiro G7 com representação das três principais empresas de IA. Macron convidou pessoalmente Altman, para quem esta será a estreia numa cimeira do G7. O Eliseu agendou para quarta-feira um almoço de trabalho específico com dirigentes empresariais, dedicado a "garantir uma utilização da inteligência artificial que seja segura, rápida e eficaz", o momento institucional mais concreto da reunião sobre esta tecnologia.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Trump diz que ataques israelitas a Beirute não deviam ter acontecido: "Não vamos estragar tudo"

Irão adia decisão final sobre acordo de paz com os EUA

EUA: Comissão Europeia alerta que controlo de exportações da Anthropic não deve discriminar