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Suíços rejeitam referendo sobre limite da população

Suíços rejeitam referendo sobre limite da população, indicam as primeiras projeções
Suíços rejeitam referendo sobre limite da população, indicam as primeiras projeções Direitos de autor  © KEYSTONE / JEAN-CHRISTOPHE BOTT
Direitos de autor © KEYSTONE / JEAN-CHRISTOPHE BOTT
De Jerry Fisayo-Bambi com AFP, AP
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Os resultados revelaram que quase 55 % dos participantes votaram contra e 45% a favor da iniciativa que visava impor um limite de população no país até 2050.

Os suíços foram chamados às urnas para votar num referendo sobre um número de limite de cidadãos no país.

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Os resultados revelaram que quase 55 % dos participantes votaram contra a iniciativa e 45% a favor. Os números revelam uma taxa de participação de cerca de 60% da população.

O referendo foi impulsionado pelo Partido Popular Suíço (SVP), uma força da direita radical, que pretende travar a imigração e o crescimento da população. "Não a uma Suíça com 10 milhões!" é o nome da proposta que visava a adoção de medidas para impedir que a população da nação alpina, atualmente de 9,1 milhões, ultrapassasse os 10 milhões antes de 2050. Numa nação fortemente marcada pela imigração, um limite populacional implicaria sérias limitações à entrada de estrangeiros no país.

O partido alega que a redução do número de habitantes no país facilitaria a resolução de problemas de habitação, pressão sobre os transportes, saúde e infraestruturas na Suíça

O tema marca uma profunda divisão na nação alpina. Uma sondagem recente da agência gfs.bern sugeria que a votação poderia ser renhida.

O SVP, que detém a maioria dos assentos no parlamento, tem alimentado e promovido o sentimento anti-imigração ao longo dos anos, nomeadamente em relação ao afluxo de trabalhadores provenientes da vizinha União Europeia.

Considerando que o referendo poderia comprometer os laços profundos da Suíça com a União Europeia, assentes em acordos que promovem o crescimento económico, os laços culturais e as viagens transfronteiriças, entre outras coisas, alguns apelidaram a proposta de "Brexit suíço".

A Suíça não é um dos 27 Estados-membros da UE, mas está praticamente rodeada por quatro deles.

Estrangeiros representam quase um terço da população suíça

O número de pessoas que vivem na Suíça aumentou quase um quarto na última geração, e os estrangeiros representam hoje quase um terço da população suíça, que ronda os 9,1 milhões de pessoas.

Os críticos afirmam que o boom migratório trouxe mão de obra e competências estrangeiras para setores como a saúde, as finanças, a indústria farmacêutica e a tecnologia.

O partido SVP apresentou a medida da «iniciativa de sustentabilidade», argumentando que as infraestruturas, a habitação, os programas sociais, os recursos naturais e o modo de vida suíços têm sido pressionados pelo aumento acentuado do crescimento demográfico.

O governo federal, o Parlamento e a EconomieSuisse, uma importante associação empresarial, opõem-se à ideia.

Members of the Federal Parliament and other representatives of civic organizations, celebrate during a get-together of a cross-party alliance against SVP's popular initiative.
Members of the Federal Parliament and other representatives of civic organizations, celebrate during a get-together of a cross-party alliance against SVP's popular initiative. AP Photo

Os primeiros resultados revelaram que cerca de dois terços dos eleitores da região de Genebra, a segunda maior cidade da Suíça e um centro de instituições da ONU e de organizações humanitárias, se opuseram à medida.

Maria Lalu, uma ex-funcionária de uma missão diplomática das Filipinas que chegou à Suíça no início dos anos 80, disse que apoiava a proposta. "Não tenho nada contra a imigração. Eu também sou uma estrangeira", disse ela depois de votar, acrescentando que quer que a imigração seja mais ordenada.

Natascha Robert, professora, disse que votou contra a proposta, manifestando a sua preocupação de que a aprovação pudesse prejudicar a relação da Suíça com a UE. Também afirmou que a crescente diversidade da Suíça é uma mais-valia.

"Acho que as pessoas têm sempre algo para nos trazer", explicou à saída de uma secção de voto no bairro central de Paquis, sublinhando que nasceu na Suíça, filha de dois pais suíços. "Isso significa que temos mais estrangeiros e que me sinto menos suíça? Na verdade, não."

A democracia suíça permite aos eleitores participar diretamente na elaboração de políticas através de referendos que se realizam normalmente quatro vezes por ano. A maioria dos votos é expressa por correspondência, e a votação presencial termina ao meio-dia, hora local, de domingo.

O governo seria obrigado a limitar o asilo, o reagrupamento familiar e as autorizações de residência e poderá ter de rescindir o acordo da Suíça com a UE sobre a livre circulação de pessoas se a população atingir 9,5 milhões antes dessa data.

Entretanto, os eleitores votaram «sim» para aprovar uma alteração à Lei do Serviço Civil noutro referendo realizado no domingo.

Com o voto "sim", serão introduzidas no país seis novas medidas na Lei do Serviço Civil.

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