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Suíça: empresas e sindicatos unem-se contra limite à imigração antes de referendo

Um cartaz do Partido Popular Suíço (SVP) para uma iniciativa de imigração moderada com o slogan "Já chega!", em Lausana, 27 de agosto de 2020
Cartaz do Partido do Povo Suíço (SVP) para a iniciativa por uma imigração moderada, com a frase «Já chega!», em Lausana, 27 de agosto de 2020 Direitos de autor  AP Photo
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De Gavin Blackburn
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A iniciativa enfrenta ampla oposição em todo o governo, parlamento e setor empresarial, mas as sondagens indicam que a votação poderá ser renhida.

Dirigentes empresariais e sindicatos na Suíça mobilizam-se antes do referendo de domingo sobre a limitação da imigração, que suscita receios de fortes impactos no emprego e nas relações comerciais com a União Europeia.

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Os eleitores vão pronunciar-se sobre uma proposta do partido de direita radical Partido Popular Suíço (SVP) que pretende manter a população do rico país alpino, atualmente com 9,1 milhões de habitantes, abaixo dos 10 milhões até 2050.

O SVP, o maior partido do país, defende que a iniciativa, intitulada "Não a uma Suíça com 10 milhões!", é necessária para travar uma imigração "fora de controlo", à qual atribui problemas que vão desde comboios sobrelotados ao disparo das rendas e à expansão urbana.

A iniciativa enfrenta uma oposição alargada no governo, no parlamento e no setor empresarial, mas as sondagens indicam que a votação poderá ser renhida.

As principais organizações patronais e sindicais apelidaram-na de "iniciativa do caos".

Um cartaz do Partido Popular Suíço (SVP) para uma iniciativa de imigração moderada com a inscrição
Um cartaz do Partido Popular Suíço (SVP) para uma iniciativa de imigração moderada com a inscrição AP Photo

Alertam que poderá afundar a prosperidade na Suíça, onde vastos segmentos da economia, da investigação médica à construção e aos cuidados de saúde, dependem fortemente de mão de obra estrangeira, sobretudo oriunda da vizinha UE.

No setor hoteleiro, "mais de 50% dos trabalhadores são estrangeiros", afirmou Martin von Moos, presidente da associação do setor HotellerieSuisse, manifestando receio de que a iniciativa agrave a crónica escassez de mão de obra no ramo.

Acesso ao mercado da UE em risco

Teme-se também que a iniciativa ponha em causa importantes acordos que ligam a Suíça à UE, o seu principal parceiro comercial, incluindo o "acordo sobre a livre circulação de pessoas", de 1999.

No ano passado, mais de metade das exportações totais da Suíça teve como destino a UE, num valor superior a 147 mil milhões de francos suíços (160 mil milhões de euros).

"Para nós, o acesso ao mercado europeu é vital", afirmou Pierre-Yves Bonvin, diretor da fabricante de máquinas têxteis Steiger, que exporta toda a sua produção para a UE.

A empresa, sediada em Vionnaz, no sudoeste do país, deslocalizou parte da produção para a China, mas manteve na Suíça as máquinas de maior valor acrescentado.

Mais de um terço das 40 pessoas que a Steiger emprega na Suíça são estrangeiros.

"Na Suíça, conseguimos encontrar engenheiros para conceber, trabalhar e montar as máquinas, mas falta-nos a competência para as testar e calibrar", disse Bonvin à agência noticiosa AFP.

"Já não existe qualquer formação nesta área na Suíça e temos de recrutar estes especialistas em França e na Alemanha", afirmou, sublinhando que, sem estas competências, "não poderíamos continuar a produzir estas máquinas na Suíça".

Indústria fica para o fim

O SVP desvaloriza estas preocupações e salienta que a sua proposta prevê contingentes que permitem a entrada de cerca de 40 mil pessoas por ano.

Mas esses contingentes serão muito insuficientes e arriscam ser desequilibrados, alerta Simon Michel, diretor da empresa de tecnologia médica Ypsomed, que fabrica sistemas de injeção para a diabetes.

"A prioridade será dada aos hospitais e aos cuidados aos idosos, e a indústria ficará para o fim", prevê Michel, que também é deputado dos liberais de direita.

Perante o forte aumento da procura de tratamentos para a obesidade, a empresa procura recrutar cerca de 100 mecânicos de precisão nos próximos três anos para a fábrica de Solothurn, perto da capital, Berna.

Mas, segundo disse, a concorrência por este perfil altamente procurado é intensa.

Um eleitor suíço deposita o boletim na urna num centro de voto em Berna, 30 de novembro de 2014
Um eleitor suíço deposita o boletim na urna num centro de voto em Berna, 30 de novembro de 2014 AP Photo

Mesmo com "um programa de aprendizagem robusto", afirmou, a empresa não consegue formar todas as pessoas de que precisa e terá de recorrer a França, à Alemanha ou à Polónia para encontrar pessoal.

Os sindicatos também manifestaram receio de que a pressão sobre os exportadores os leve a deslocalizar, provocando perdas de postos de trabalho na Suíça.

A maior central sindical do país, a Unia, advertiu ainda que a iniciativa enfraqueceria a proteção laboral, aboliria as regras que proíbem a discriminação entre trabalhadores residentes e estrangeiros e "abriria de par em par a porta ao dumping salarial".

Alertou que a "campanha xenófoba" do SVP "colocará sob pressão os salários de todos os trabalhadores do país".

Outras fontes • AFP

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