Mais de 90% dos votos já foram contados, mas o resultado final pode demorar vários dias. Todos os votos são recontados automaticamente pelas regiões do país.
Resultados preliminares das legislativas na Suécia apontam para um bloco da oposição, liderado pela esquerda, com uma vantagem de três lugares sobre a atual coligação de direita chefiada pelo primeiro-ministro Ulf Kristersson. Ainda assim, o desfecho final continua em aberto.
As sondagens de opinião deram durante grande parte da campanha uma vantagem folgada à oposição de esquerda, mas a diferença diminuiu de forma significativa nos últimos dias antes da votação.
Os quatro partidos da oposição são liderados por Magdalena Andersson, líder dos sociais-democratas. O seu partido ronda os 28% dos votos e parece encaminhar-se para o pior resultado em mais de um século. Andersson afirmou que, se a vantagem do seu bloco oposicionista for confirmada, está pronta para formar um novo governo. Prometeu aumentar os impostos sobre a banca e os rendimentos mais elevados, reduzir os tempos de espera na saúde e avançar com medidas para melhorar a educação.
Kristersson, cujo Partido Moderado contava cerca de 19,9% dos votos apurados, afirmou que respeitará a tentativa de Andersson de formar governo se o resultado se mantiver.
Embora o bloco de centro-esquerda esteja na frente, tanto os partidos da extrema-esquerda como os da extrema-direita perderam apoio em termos individuais.
Os Democratas Suecos, de extrema-direita, perderam apoio face às eleições de 2022, com resultados iniciais a apontarem para uma descida da votação de 20,6% para 17,6%. Ainda assim, o líder do partido, Jimmie Akesson, defendeu que o resultado mostra que a formação se tornou mais aceite na política sueca. “Há agora muito mais pessoas em todo o país que já não têm dificuldade em dizer que são Democratas Suecos”, afirmou Akesson.
Desde 2022, o governo de Kristersson tem contado com o apoio parlamentar dos Democratas Suecos, o que deu ao partido uma influência significativa nas políticas adotadas. O primeiro-ministro prometera à formação pastas-chave no executivo se a coligação de direita vencesse.
Uma coligação liderada pelos sociais-democratas poria termo a quatro anos de governo de direita de Ulf Kristersson. O executivo chegou ao poder há quatro anos, numa altura de crescente preocupação com tiroteios entre gangues e criminalidade organizada.
Uma mudança de governo não significaria necessariamente uma inversão da linha mais dura da Suécia em matéria de migrações. Os sociais-democratas afirmam que uma política migratória restritiva se manteria com um governo liderado por Andersson.
Ainda assim, o resultado final pode demorar vários dias. Os votos que chegarem mais tarde serão contados a partir de quarta-feira e todos os boletins são automaticamente recontados pelas autoridades regionais.