Durante mais de uma hora, cerca de 30 cantores seguiram a professora Anna Maria Gutschi pelo parque de estacionamento subterrâneo Kaiser-Franz-Josef-Kai, em Graz, descendo aos poucos até à zona mais profunda à procura do som mais rico. Ali, a acústica revelou-se especialmente forte. Gutschi explicou que os amplos corredores e as paredes refletoras geravam ecos semelhantes aos que se ouvem no alto das montanhas.
O espaço subterrâneo oferece uma resposta invulgar à geografia de Graz. A cidade não se ergue no topo dos Alpes; encontra-se numa ampla bacia, relativamente plana, cercada por colinas e cadeias de baixa altitude na sua periferia oriental.
O curso não exigia qualquer formação musical prévia e juntou principiantes e cantores experientes. A Associação de Canção Popular da Estíria tem promovido sessões também em canais e estações de serviço, explorando a acústica particular de locais inesperados para apresentar o iodel a novos públicos.
A prática nasceu em comunidades alpinas, onde pastores e agricultores a utilizavam para comunicar de um vale para o outro e entre pastagens de montanha. Depois de evoluir para música popular, o iodel chegou a coros, festivais e escolas de música, encontrando igualmente lugar em palcos urbanos pouco convencionais, como parques de estacionamento subterrâneos.