Empresas do S&P 500 perderam na quinta 2,9 biliões de dólares em valor de mercado. Na sexta, bolsas europeias abriram em baixa, com receios de regras mais duras para centros de dados de IA após vitórias democratas nas intercalares dos EUA.
As bolsas europeias abriram em baixa na sexta-feira, à medida que a onda de vendas de ações do setor dos semicondutores norte-americano se propagou à Ásia e à Europa. No início das negociações, o Stoxx Europe 600 registava uma queda de 1,2%, o DAX alemão perdia 1,6%, e o CAC 40 francês e o FTSE 100 londrino caíam 1,4%.
O índice MSCI AC Asia desceu mais de 4%, à medida que a onda de vendas de ações de IA e de semicondutores se espalhou de Wall Street para a Ásia. No entanto, os futuros norte-americanos apontam para uma pausa nesta tendência, com os futuros do Nasdaq-100, com uma forte presença de empresas tecnológicas, a registarem uma subida de 1,5% por volta das 10h15 CET.
Os investidores estão a considerar se as vitórias esmagadoras dos democratas nas eleições intercalares norte-americanas desta semana poderão resultar em regulamentos mais rigorosos para os novos centros de dados. Estes projetos têm suscitado oposição por parte de eleitores de todo o espectro político e muitos dos candidatos vencedores comprometeram-se a travar ou a suspender a sua construção.
Segundo a empresa de informação de mercado Cleanview, cerca de 40% da capacidade prevista para os centros de dados nos EUA situa-se em estados onde os governadores ou governadores eleitos prometeram ou já impuseram uma pausa nos novos projetos.
No início deste ano, o senador norte-americano Bernie Sanders e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez propuseram uma moratória federal.
Os resultados eleitorais agravaram as preocupações quanto ao momento em que as empresas obterão retorno sobre os milhares de milhões de euros que investiram na IA. Os custos de financiamento mais elevados também levantaram questões sobre a celeridade com que as empresas conseguirão construir os centros de dados de que necessitam. Um abrandamento poderá pesar no crescimento dos EUA e afetar a procura de chips e eletricidade.
Ações de fabricantes de chips dos EUA registam o pior dia desde 2020
O índice de semicondutores de Filadélfia fechou na quinta-feira com uma queda de 12,2%, a maior desde 2020. Esta descida fez com que o índice ficasse cerca de 16% mais baixo na semana até ao fecho de quinta-feira.
O Nasdaq Composite registou uma descida de 5,5%, o S&P 500 desceu 4,4% e o Dow Jones Industrial Average perdeu 3,4%. Todos registaram as maiores perdas percentuais diárias desde o anúncio de tarifas generalizadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em abril de 2025.
Stuart Clark, gestor de carteiras da Quilter, afirmou que estas quedas acentuadas demonstram a dependência do Nasdaq e do S&P 500 em relação a um número reduzido de grandes empresas dos setores da tecnologia e dos semicondutores. Quando estas ações caem, podem arrastar rapidamente ambos os índices para uma queda acentuada.
A onda de vendas também afetou a fortuna dos principais bilionários do setor tecnológico. De acordo com o Índice de Bilionários da Bloomberg, o património líquido do CEO da Nvidia, Jensen Huang, caiu 15,1 mil milhões de dólares (13,5 mil milhões de euros), enquanto o de Elon Musk diminuiu 79,7 mil milhões de dólares (71 mil milhões de euros).
Trump culpou os democratas pela onda de vendas de quinta-feira numa publicação no Truth Social: "O mercado desabou hoje porque os 'Dumocratas' tiveram uma terça-feira em grande. É tão triste ver isto. Só se podem culpar a si próprios!".
Ações asiáticas do setor dos semicondutores em queda
Em Tóquio, o Nikkei 225 do Japão recuperou parte das suas perdas, fechando com uma queda de 6%. A Kioxia e a SoftBank caíram mais de 10% durante as negociações, antes de fecharem com quedas de 8,7% e cerca de 11%, respetivamente. A Advantest caiu mais de 8% durante as negociações. O Kospi da Coreia do Sul fechou com uma queda de 6%, depois de ter chegado a cair 8,8%, o que provocou uma suspensão das negociações durante 20 minutos. A fabricante de chips SK Hynix fechou com uma queda de 10,4%, enquanto a Samsung Electronics terminou com uma queda de 6,4%.
O Taiex de Taiwan fechou com uma queda de 4,5%, após ter caído mais de 8% no início da sessão. As ações da fabricante de chips TSMC fecharam com uma queda de 4,7%, após terem caído quase 10% no início das negociações. Noutros mercados, o Hang Seng de Hong Kong registava uma queda de cerca de 1,1% ao meio-dia, enquanto o Shanghai Composite fechou com uma queda de 1,1% e o S&P/ASX 200 da Austrália terminou com uma queda de 0,5%.
Neil Wilson, da Saxo Markets, afirmou que a onda de vendas parecia exagerada, mas que os investidores iriam querer ver os mercados estabilizarem-se primeiro.
No meio de preocupações com a expansão da IA nos EUA, o banco holandês ING está a colocar à venda, de uma só vez, uma carteira de empréstimos para centros de dados no valor aproximado de 500 milhões de dólares (447 milhões de euros), informou a Bloomberg, citando fontes familiarizadas com o assunto.
Na abertura dos mercados europeus, os futuros do petróleo Brent eram negociados a pouco menos de 99 dólares por barril, enquanto os operadores continuavam atentos a sinais de progresso, depois de os líderes dos EUA e do Irão terem indicado, no início desta semana, que as negociações estavam a avançar.
As obrigações do Estado registaram uma recuperação, à medida que os investidores procuravam segurança durante a onda de vendas no mercado bolsista. A taxa de rendibilidade dos títulos do Tesouro dos EUA a 10 anos registou uma descida de 6 pontos base, para 4,84%, enquanto a taxa de rendibilidade francesa a 10 anos caiu 2 pontos base, para 4,77%, e a alemã recuou 3 pontos base, para 3,22%, durante a manhã na Europa.
O dólar valorizou-se face ao iene no início das negociações, enquanto o euro caiu 0,3% face ao dólar, para 1,1188 dólares, pouco depois da abertura dos mercados europeus. O ouro à vista caiu 1,2%, para 4 065 dólares por onça, às 09:00 CET.