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Pode a União Europeia evitar as deslocalizações de empresas comunitárias?

De  Euronews
Pode a União Europeia evitar as deslocalizações de empresas comunitárias?
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“Que medidas é que a União Europeia está a tomar para evitar a deslocalização de empresas comunitárias – para a Ásia ou outras regiões com mão-de-obra barata -, que levam consigo postos de trabalho de que as pessoas precisam, na Europa, neste momento, para sustentarem as famílias?”

Viviane de Beaufort, professora e codiretora do Centro Europeu de Direito e de Economia, responde:

“Antes de mais, comecemos por explicar o que são as deslocalizações. Porque há um verdadeiro preconceito sobre o tema, em França como no sul da Europa.

Quando o grupo francês Lafarge constrói uma fábrica para produzir cimento, com vista à construção civil, na Índia, não é uma deslocalização. Trata-se de um desenvolvimento, do crescimento da atividade que não retira nada à Europa ou à França.

Pelo contrário, quando a Renault, por uma questão de economia de custos, decide deslocalizar para o leste da Europa, aqui, sim, efetivamente, a deslocalização comporta um risco de perda de produção, logo, uma perda do volume de negócios, uma perda de impostos e, por fim, um problema de emprego.

Sendo assim, como é que, no quadro de uma concorrência global cada vez mais feroz, se pode impedir que uma empresa seja tentada a deslocalizar as suas atividades? E o que faz a Europa nesse sentido?

Bem, na realidade não faz grande coisa pela simples razão de que não tem competência para fazê-lo. A política industrial, a de educação superior, a de Investigação e Desenvolvimento continuam nas mãos dos Estados membros.

A questão é saber quais os setores com futuro. Não vale a pena tentar guardar setores de atividade de baixo custo, nos quais não poderemos ser competitivos, porque não jogamos com as mesmas regras dos nossos concorrentes.

A Europa possui mais-valias fantásticas, em termos de estabilidade política, de quadro jurídico, de normas e de populações educadas. E é nesse campo que deve apostar – nas biotecnologias, nos setores de alta tecnicidade… – e deve esquecer os outros ramos.

É claro que pode ser um processo doloroso, sobretudo se não o tivermos antecipado. E cabe aos nossos governos fazer essa antecipação, e articulá-la ao nível europeu, porque assim será mais fácil.”

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