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Varsóvia: A nova Meca das "start-up"

Varsóvia: A nova Meca das "start-up"
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8h30 da manhã: o frio não impede Krystian de correr nas margens do Vístula, o rio que atravessa a capital polaca.

Varsóvia será mais interessante do que Berlim nos próximos dois a três anos.

O que Krystian mais gosta de Varsóvia é a sua energia. A cidade faz relembrar Berlim. A cidade tirou proveito do “boom” económico e acelerou a mudança com a entrada na União Europeia em 2004.

Krystian trabalha para Ifinity, uma “star-up” que desenvolveu uma aplicação para ajudar as pessoas cegas ou turistas perdidos a deslocarem-se em Varsóvia. Cerca de 500 pequenos captores estão instalados em espaços públicos e enviam informações para os telemóveis.

“Pawel, o que pensa da última versão da aplicação? “Penso que as descrições são muito informativas. Eu uso-as sem dúvida. São informações sobre direções, sobre onde ir, em que sentido. É muito útil”.

Ifinity foi designada a melhor “start-up” polaca de 2015.

A aplicação, única no mundo, já está disponível também em Doha, Helsínquia, Birmingham e Istambul. Enquanto São Paulo está na linha de mira da empresa .

Depois de Londres, Telavive, Madrid e Seul, Google inaugurou em meados de novembro um Campus para “start-up” numa antiga destilaria de vodca em Varsóvia. É mais um sinal da atratividade da capital polaca.

Existem várias incubadoras privadas em Varsóvia, mas a de Smolna é a única municipal.

Krystian tem encontro marcado com o vereador da Economia, que tem razões para sorrir. A revista Forbes elegeu Varsóvia como terceira cidade preferida das start-up.

Michal Olszewski, vereador de Varsóvia, acredita: “Com uma tal publicação, um tal anúncio, vamos começar a enviar uma mensagem importante para o estrangeiro. Varsóvia tornou-se um centro crucial no mercado das start-ups”.

Varsóvia quer mostrar-se ao mundo e decidiu usar todos os argumentos para conquistar as atenções. Vamos descobrir como e porquê?

A visita começa com Rafal, a bordo do miniautocarro Nysa, produzido entre 1956-1994. Um vestígio da época comunista.

A praça Grzybowski, com quatro séculos, faz a ligação entre a Varsóvia moderna e a Varsóvia antiga. É um lugar simbólico para os habitantes da cidade.

Antes da guerra, Varsóvia era chamada a “Paris do norte”. Mas o conflito destruiu 85% da cidade. A capital polaca acabaria por renascer das cinzas.

Desde 1945, a parte antiga foi reconstruída, na íntegra, e de forma idêntica ao que era antes. Mas as lembranças não foram apagadas. Um monumento recorda a revolta de 1944 e a rua Prozna é a última rua que resta do gueto de Varsóvia.

Antes de ser destruída pelos nazis, a comunidade judaica polaca era a maior da Europa. Varsóvia dedicou-lhe um museu, mas foram precisos 70 anos para isso.

A outra imagem da capital polaca retrata a ideologia comunista.

O arquiteto Grzegorz Piatek ajuda-nos a compreender porquê: “Os arquitetos, os pais da cidade, viram na destruição uma oportunidade para criar uma cidade melhor, onde se vive melhor, com mais espaços públicos, com mais espaços verdes, com habitações mais agradáveis. A Praça da Constituição é um exemplo dos planos do pós-guerra”. E adianta: “A arquitetura do pós-guerra é cada vez mais apreciada pela gente de Varsóvia. O Palácio da Cultura e da Ciência é um bom exemplo. Foi o monumento mais detestado de Varsóvia, símbolo da repressão soviética. Sessenta anos depois ainda faz parte da paisagem urbana”.

Herança do comunismo, as leitarias e as cantinas populares estão de novo na moda. É numa delas que reencontramos Krystian. Porquê este lugar?

“A leitaria é um local típico para um encontro. Os produtos são bons, frescos e baratos. É um local frequentado por idosos, estudantes e mesmo pelos funcionários de start-ups”, explica Krystian.

O preço médio de uma ementa é de três a quatro euros.

O dia chega ao fim. Krystian termina a jornada com os amigos no bairro Praga. A zona já teve má fama, mas hoje está na moda e é o epicentro da cena alternativa polaca.

Paulina Yankovska considera que “Varsóvia será mais interessante do que Berlim nos próximos dois a três anos”.