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Finlândia abre primeiro armazém mundial para enterrar resíduos nucleares

Geólogo Tuomas Pere desce um túnel de armazenamento do repositório nuclear Posiva Onkalo, na ilha finlandesa de Olkiluoto, terça-feira, 24 de fevereiro de 2026.
Geólogo Tuomas Pere desce por um túnel no interior do repositório de resíduos nucleares Posiva Onkalo, na ilha de Olkiluoto, Finlândia, terça-feira, 24 de fevereiro de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Euronews com AP
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Onkalo é a primeira instalação do mundo destinada à deposição definitiva de resíduos radioativos de combustível nuclear usado e deverá operar até à década de 2120

Após décadas de construção, a primeira instalação do mundo para a deposição definitiva de combustível nuclear usado está prestes a entrar em funcionamento na Finlândia, estando a licença prevista para ser concedida nos próximos meses.

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A estrutura servirá de destino final para toneladas de perigosos resíduos radioativos.

A construção de Onkalo, que em finlandês significa «gruta», começou em 2004, na costa oeste. A instalação, de mil milhões de euros, deverá funcionar até à década de 2120.

«Isolado da civilização»

A instalação fica na ilha de Olkiluoto, numa área densamente florestada. A localidade mais próxima é Eurajoki, a cerca de 15 quilómetros, onde vivem aproximadamente 9 000 pessoas, muitas delas empregadas na central nuclear ou na instalação de armazenamento.

O local situa-se perto de três dos cinco reatores nucleares da Finlândia. Foi escolhido pelo maciço rochoso, conhecido pela grande estabilidade e pelo baixo risco sísmico.

«O isolamento da civilização e da humanidade à superfície é importante por causa da radiação provocada pelos resíduos», explicou Tuomas Pere, geólogo da Posiva Oy, a empresa responsável pela gestão dos resíduos nucleares finlandeses.

«Mas, ao fazer esta deposição definitiva, conseguimos tratar os resíduos de forma mais segura do que mantendo-os em instalações à superfície», acrescentou.

Numa fábrica de encapsulamento próxima, máquinas operadas à distância vão selar as barras radioativas em contentores de cobre, que serão depois enterrados em túneis a mais de 400 metros de profundidade e envolvidos em camadas de argila bentonítica, que absorve a água e funciona como barreira de proteção.

Segundo a Posiva, Onkalo pode armazenar 6 500 toneladas de combustível nuclear usado.

De acordo com um relatório de 2022 da Agência Internacional de Energia Atómica, desde a década de 1950 foram produzidas quase 400 000 toneladas de combustível usado, dois terços dos quais continuam em armazenamento temporário e um terço é reciclado num processo complexo.

Atualmente, o combustível nuclear usado é guardado temporariamente em piscinas de combustível junto de cada reator e em depósitos de contentores secos à superfície.

Um trabalhador da Posiva junto de veículos no interior de um túnel do depósito de resíduos nucleares de Onkalo, na ilha de Olkiluoto, Finlândia, terça-feira, 24 de fevereiro de 2026.
Um trabalhador da Posiva junto de veículos no interior de um túnel do depósito de resíduos nucleares de Onkalo, na ilha de Olkiluoto, Finlândia, terça-feira, 24 de fevereiro de 2026. AP Photo

Riscos que se mantêm

Mas a deposição geológica de resíduos nucleares continua rodeada de «incertezas», advertiu Edwin Lyman, diretor de segurança da energia nuclear na Union of Concerned Scientists, uma organização sem fins lucrativos dos Estados Unidos.

«Na minha opinião, não há uma boa solução para a deposição de resíduos nucleares, mas é importante encontrar a menos má», afirmou.

Sublinhou que armazenar de forma permanente os resíduos nucleares no subsolo é melhor do que deixá-los à superfície, porque o material pode ser vulnerável a atos de sabotagem quando permanece acima do solo.

Os riscos associados aos depósitos de resíduos nucleares irão afetar sobretudo «as gerações futuras», acrescentou Lyman.

Por isso, a semiótica nuclear procura desenvolver sinais de aviso sobre os depósitos de resíduos que possam ser compreendidos por seres humanos daqui a 10 000 anos, ou ainda mais tarde, uma vez que são precisas centenas de milhares de anos até que os resíduos nucleares deixem de ser perigosos.

«Tivemos Chernobyl, tivemos Fukushima e, obviamente, temos os resíduos nucleares. Talvez estejamos perto de uma solução para esse problema», afirmou Juha Aromaa, adjunto do responsável de programa da Greenpeace Finlândia, acrescentando: «Mais ninguém no mundo está sequer perto de resolver este problema.»

Em 1994 foi aprovada legislação que obriga a que os resíduos nucleares gerados na Finlândia sejam tratados, armazenados e depositados de forma definitiva dentro das fronteiras do país.

«Na altura, parte desses resíduos ainda era exportada, mas quisemos assumir essa responsabilidade», explicou Sari Multala, ministra do Ambiente da Finlândia.

Multala não excluiu vir a aceitar, no futuro, quantidades limitadas de resíduos nucleares provenientes de outros países.

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