O pânico por causa de drones tomou conta da Lituânia na quarta-feira, quando Vilnius parou devido a uma suspeita de invasão do espaço aéreo, o que levou à suspensão dos voos e à evacuação de altos dirigentes.
A capital da Lituânia, Vilnius, ficou paralisada na quarta-feira devido a relatos de uma possível incursão de drones, revelando a crescente ansiedade ao longo do flanco leste da NATO em plena guerra da Rússia contra a Ucrânia.
Desde o início do mês foram registadas seis incursões de drones, confirmadas ou suspeitas, no espaço aéreo báltico e finlandês, o que tem alarmado os países europeus próximos da fronteira com a Rússia – assim como os seus aliados.
O alerta de quarta-feira em Vilnius durou cerca de uma hora, mas levou ao encerramento do aeroporto do país e à evacuação do parlamento lituano, bem como à retirada do presidente Gitanas Nausėda e da primeira-ministra Inga Ruginienė, que foram levados para abrigos.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou num comunicado publicado na rede social X após o incidente que “as ameaças públicas da Rússia contra os nossos Estados bálticos são completamente inaceitáveis”.
“A Rússia e a Bielorrússia têm responsabilidade direta pelos drones que põem em risco a vida e a segurança das pessoas no nosso flanco leste. A Europa responderá com unidade e firmeza.”
As declarações respondiam a uma carta divulgada na quarta-feira por 15 eurodeputados bálticos, que instaram a presidente da Comissão Europeia a condenar as ações da Rússia.
A carta afirma que “as contínuas provocações abertas, perigosas e ameaçadoras da Rússia contra os Estados bálticos” atingiram “um ponto crítico” e acrescenta que os eurodeputados bálticos exigem que a Rússia ponha fim a estas ações “imediatamente”.
Na quarta-feira, a partir de Varsóvia, o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, afirmou que estes incidentes fazem parte de uma “provocação coordenada” e que “não podemos fingir que nada está a acontecer”.
Cerca de 20 drones entraram no espaço aéreo polaco em setembro passado, num incidente que Tusk classificou na altura como uma “ameaça direta”, atribuindo a responsabilidade ao presidente russo, Vladimir Putin.
O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, afirmou que os incidentes com drones resultam da invasão “temerária, ilegal e em grande escala” da Ucrânia pela Rússia. Elogiou ainda a atuação dos caças da Aliança que responderam de imediato, como no caso da incursão na Estónia. “Foi precisamente para isto que nos preparámos”, disse Rutte.
Alguns dos drones são de origem ucraniana, mas acredita-se que tenham sido desviados pela Rússia sobre o espaço aéreo báltico para semear o caos.
O comissário europeu para a Defesa, Andrius Kubilius, afirmou na terça-feira, após um incidente isolado com um drone na Letónia, que a Rússia está a testar novas “formas” de pressão sobre os países do flanco leste, com o objetivo de “assustar as populações da região”.
“A nossa resposta: aumentar ainda mais a despesa nacional em defesa; aumentar ainda mais a despesa nacional em defesa; reforçar ainda mais o apoio da UE ao flanco leste; reforçar o apoio à Ucrânia para que a Ucrânia vença”, escreveu no X.