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Ucrânia alerta para ofensiva russa via Bielorrússia. Lukashenko quer reunir-se com Zelenskyy

Aliaksandr Lukashenka fala com oficiais durante exercícios nucleares conjuntos das forças russas e bielorrussas no distrito de Asipovichy, Bielorrússia, 21 de maio de 2026
Aliaksandr Lukashenka fala com oficiais durante exercícios nucleares conjuntos das forças russas e bielorrussas no distrito de Asipovichy, na Bielorrússia, em 21 maio 2026 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Sasha Vakulina
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Zelenskyy já advertiu a Bielorrússia para “consequências” se aprofundar o envolvimento na guerra russa, entre receios de que Moscovo abra nova frente contra a Ucrânia a partir do território bielorrusso, como no início de 2022.

O Presidente bielorrusso Aleksandr Lukashenko manifestou disponibilidade para se encontrar com o homólogo ucraniano Volodymyr Zelenskyy em qualquer lugar, na Ucrânia ou na Bielorrússia, numa altura em que Kiev alertou que a Rússia prepara uma nova ofensiva a partir de território bielorrusso em direção à capital e à região de Chernihiv.

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"Se o presidente Zelenskyy quiser discutir alguma coisa, pedir conselhos ou o que quer que seja, que o faça. Estamos abertos a isso", afirmou Lukashenko esta sexta-feira, segundo os meios de comunicação estatais.

"Estou pronto para me encontrar com ele em qualquer lugar, na Ucrânia, na Bielorrússia, e discutir os problemas das relações bielorrusso-ucranianas."

Lukashenko também negou qualquer plano para envolver o país na guerra, a não ser que seja cometida uma "agressão contra o território [bielorrusso]".

O presidente ucraniano afirmou na quinta-feira que Kiev está preparada para tomar medidas "preventivas" contra a Rússia e a liderança bielorrussa perante potenciais ameaças militares ao norte da Ucrânia, numa altura em que decorrem exercícios nucleares conjuntos russo-bielorrussos e aumentam as tensões com os membros europeus da NATO, alimentadas por incursões de drones no Báltico.

"A liderança de facto da Bielorrússia tem de estar em alerta, ou seja, entender claramente que haverá consequências se forem tomadas ações agressivas contra a Ucrânia, contra o nosso povo", declarou Zelenskyy durante uma visita a Slavutych, cidade situada a cerca de 50 quilómetros da fronteira bielorrussa.

Kiev rejeitou a proposta.

"Desde 2022 que é evidente para todos que as palavras desse homem nada significam e que devemos prestar atenção aos seus atos", afirmou aos jornalistas o conselheiro de Zelenskyy, Dmytro Lytvyn.

Problemas nas relações bielorrusso-ucranianas

Em 2022, a Bielorrússia também negou qualquer envolvimento na invasão russa da Ucrânia. Ainda assim, Moscovo utilizou o território bielorrusso para atravessar a fronteira ucraniana e avançar com as suas forças para as regiões do norte e para a capital, Kiev.

"Não vamos deixar-nos arrastar para a guerra na Ucrânia. Não há necessidade disso, nem civil nem militar", declarou esta semana Lukashenko, sustentando que existe "apenas um caso" em que a Bielorrússia poderia ser envolvida no conflito: se for "cometida agressão contra o seu território".

Em 2022, afirmou que estava a ser preparado um ataque contra a Bielorrússia e que isso, segundo Lukashenko, justificou a decisão de ceder território e instalações militares bielorrussas à Rússia para a invasão em larga escala da Ucrânia por Moscovo.

Kiev reforçou, nos últimos anos, as fortificações ao longo da fronteira norte com a Bielorrússia e irá agora aumentar ainda mais as suas forças no norte da Ucrânia, adiantou Zelenskyy na quarta-feira.

Depois de analisar os dados dos serviços de informações ucranianos sobre "o planeamento de operações ofensivas pela Rússia na direção Chernihiv-Kiev", a capital está "a preparar respostas para todos os possíveis cenários de ação do inimigo, caso os russos se atrevam de facto a alargar a sua agressão", segundo Zelensky.

"Estamos também a rever as possibilidades da nossa ação externa. Dei instruções ao Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia para preparar medidas adicionais de pressão diplomática sobre a Bielorrússia, que a Rússia poderá utilizar para uma tal expansão da guerra", acrescentou o presidente ucraniano.

No início de abril, Zelenskyy declarou ainda que, de acordo com relatórios militares ucranianos, a Bielorrússia está a construir estradas em direção à fronteira ucraniana e a instalar posições de artilharia perto da Ucrânia.

Putin e Lukashenko participam numa videochamada integrada em exercícios nucleares conjuntos, no Centro de Situação Presidencial, no Kremlin, em Moscovo, 21 de maio de 2026
Putin e Lukashenko participam numa videochamada integrada em exercícios nucleares conjuntos, no Centro de Situação Presidencial, no Kremlin, em Moscovo, 21 de maio de 2026 AP Photo

Ameaças não se limitam à Ucrânia

Na mesma altura, em abril, Lukashenko fez alegações infundadas sobre uma alegada agressão contra a Bielorrússia por parte da Polónia e dos Estados bálticos e descreveu como Minsk, em conjunto com Moscovo, reagiria recorrendo a todos os meios disponíveis, incluindo armas nucleares.

"A minha tarefa é avisar os meus vizinhos - Estónia, Letónia, Lituânia, Polónia e, possivelmente, em certa medida, a Ucrânia. Deus os livre de uma agressão contra a Bielorrússia. Não queremos guerra, não estamos a planear combater contra eles."

Um mês depois, Bielorrússia e Rússia realizaram esta semana exercícios nucleares, que incluíram a entrega, por parte de Moscovo, de munições nucleares a depósitos avançados na Bielorrússia.

Com o início dos exercícios, o Serviço de Informações Externas da Rússia (SVR) divulgou um comunicado alegando que a Ucrânia se preparava para lançar ataques com drones contra a Rússia a partir do território dos Estados bálticos e ameaçou com "represálias".

Moscovo afirmou que Riga tinha concordado em permitir que Kiev lançasse drones a partir do território letão, "apesar do receio de se tornar alvo de ataques de retaliação por parte de Moscovo".

"A russofobia primitiva dos atuais dirigentes da Letónia revelou-se mais forte do que a sua capacidade de pensamento crítico ou o instinto de autopreservação", afirmou o SVR.

Tanto a Letónia como a Ucrânia desmentiram estas alegações, classificando-as como "mais uma campanha de desinformação".

"Vale a pena recordar que as coordenadas dos centros de decisão em território letão são bem conhecidas e que a pertença do país à NATO não protegerá da justa retribuição aqueles que ajudam terroristas", acrescentou o SVR, numa semana em que os Estados bálticos emitiram numerosos alertas aéreos devido a incursões de drones.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, considerou inaceitáveis este tipo de ameaças e prometeu que "a Europa irá responder".

"A Rússia e a Bielorrússia têm responsabilidade direta pelos drones que põem em risco a vida e a segurança das pessoas no nosso flanco oriental. A Europa responderá com unidade e firmeza", afirmou von der Leyen.

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