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Mundial 2026 arranca hoje: tudo o que precisa de saber

Bailarina segura réplica do troféu do Mundial enquanto adeptos se alinham na Avenida Reforma, na Cidade do México, em 6 de junho de 2026, antes do Mundial da FIFA
Uma dançarina segura uma réplica do troféu do Mundial enquanto adeptos se alinham na Avenida Reforma, na Cidade do México, sábado, 6 junho 2026, antes do Mundial da FIFA. Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
Direitos de autor Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
De Nathan Rennolds
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Segundo a FIFA, 2,9 mil milhões de pessoas em todo o mundo acompanharam o Mundial de 2022 no Qatar na televisão linear e 2,7 mil milhões também o viram em streaming

Arranca na quinta-feira o Mundial de 2026, com o coanfitrião México a defrontar a anfitriã de 2010, a África do Sul.

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Participam na edição alargada deste ano 1248 jogadores, um recorde, em representação de 48 seleções, com 104 jogos disputados no Canadá, México e Estados Unidos.

A Euronews reúne aqui tudo o que precisa de saber sobre o Mundial de 2026.

O Science World, transformado numa bola de futebol Trionda do Mundial, vê-se junto ao BC Place Stadium, em Vancouver, Colúmbia Britânica, quarta-feira, 10 de junho de 2026.
O Science World, transformado numa bola de futebol Trionda do Mundial, vê-se junto ao BC Place Stadium, em Vancouver, Colúmbia Britânica, quarta-feira, 10 de junho de 2026. AP photo

Factos principais

Entre as cidades anfitriãs de 2026 contam-se Toronto e Vancouver, no Canadá, Guadalajara, Cidade do México e Monterrey, no México, e Atlanta, Boston, Dallas, Houston, Kansas City, Los Angeles, Miami, Nova Iorque/Nova Jérsia, Filadélfia, área da baía de São Francisco e Seattle, nos Estados Unidos.

Alguns dos estádios mais emblemáticos da região vão assumir o protagonismo durante o torneio, incluindo o Estádio Azteca, na Cidade do México, o MetLife Stadium, em New Jersey, que deverá receber a final, e o SoFi Stadium, em Los Angeles.

Várias seleções vão também estrear-se na edição de 2026: Cabo Verde, Curaçau, Jordânia e Uzbequistão vão defrontar a elite do futebol, beneficiando do alargamento do formato.

O Uzbequistão, orientado pelo lendário defesa italiano Fabio Cannavaro, chega ao torneio na esperança de surpreender, com o jovem talento do Manchester City Abdukodir Khusanov a ser peça-chave nas ambições da equipa.

As listas de convocados indicam que os jogadores presentes no Mundial representam 449 clubes de 71 países, segundo a FIFA, organismo máximo do futebol mundial.

Entre os mais jovens destacam-se o médio mexicano Gilberto Mora, de 17 anos, o checo Hugo Sochurek, de 18, e o senegalês Ibrahim Mbaye, também de 18.

Por vezes esquece-se que o prodígio espanhol Lamine Yamal tem também apenas 18 anos, apesar de já somar vários troféus pelo Barcelona e o título de campeão europeu de 2024 com a seleção de Espanha.

No extremo oposto da faixa etária, o guarda-redes Craig Gordon integra a seleção da Escócia aos 43 anos, enquanto Cristiano Ronaldo, um dos maiores da história da modalidade, volta a vestir a camisola de Portugal aos 41.

O selecionador francês Didier Deschamps, Kylian Mbappé, o presidente francês Emmanuel Macron, Brigitte Macron e o presidente da Federação Francesa de Futebol, Philippe Diallo
O selecionador francês Didier Deschamps, Kylian Mbappé, o presidente francês Emmanuel Macron, Brigitte Macron e o presidente da Federação Francesa de Futebol, Philippe Diallo AP photo

Favoritos

Campeã europeia em título, a seleção de Espanha surge como principal candidata das casas de apostas a erguer o troféu em 19 de julho, embora os problemas físicos possam ser decisivos.

A jovem equipa de Luis de la Fuente bateu uma forte Inglaterra para vencer o Euro 2024 e apresenta grande profundidade de plantel à chegada ao Mundial, mas peças fundamentais como Yamal e Nico Williams ainda recuperam de lesões musculares na coxa.

Ainda assim, os espanhóis acreditam chegar às fases adiantadas da prova. Defrontam Cabo Verde, Arábia Saudita e Uruguai no grupo H.

Bicampeã mundial, a França viaja para as Américas novamente entre as favoritas, com uma equipa recheada de estrelas a tentar reagir à derrota frente à Argentina de Lionel Messi no Qatar, em 2022.

Num país embalado pelos dois títulos consecutivos da Liga dos Campeões conquistados pelo Paris Saint-Germain, os Bleus enfrentam um grupo algo complicado a caminho da fase a eliminar, com a Noruega de Erling Haaland, o Senegal de Sadio Mané e o Iraque pela frente.

Mas o experiente selecionador Didier Deschamps dispõe de uma vasta gama de opções, caso precise de ir mais fundo no plantel, com o avançado do Real Madrid Kylian Mbappé, autor de um hat-trick na final do Qatar, o vencedor da Bola de Ouro de 2025, Ousmane Dembélé, e a estrela do Bayern Munique Michael Olise, entre muitos outros.

No leque de candidatos contam-se ainda a Argentina, novamente liderada pelo talismã Messi, uma Inglaterra treinada por Thomas Tuchel, o pentacampeão Brasil e a tetracampeã Alemanha.

Polémicas

A preparação para o Mundial de 2026 tem sido marcada por problemas relacionados com o controlo fronteiriço e o preço dos bilhetes.

A seleção do Irão foi obrigada a mudar a base de treinos para o México depois de alguns membros da comitiva terem visto recusado o visto de entrada nos Estados Unidos. Todos os jogos da fase de grupos do Irão serão disputados em solo norte-americano.

A equipa acabou entretanto por obter os vistos, ficando autorizada a jogar o torneio.

O avançado suíço Breel Embolo também viu o arranque do Mundial perturbado, depois de as autoridades norte-americanas terem inicialmente bloqueado a sua autorização de viagem. O jogador já pode juntar-se à seleção.

Os problemas nas fronteiras afetaram também as equipas de arbitragem.

O árbitro somali Omar Artan, um dos mais bem cotados do mundo, regressou a casa depois de os Estados Unidos lhe terem recusado a entrada no país, decisão que gerou críticas em todo o mundo do futebol.

Artan foi barrado no Aeroporto Internacional de Miami, na semana passada, depois de as autoridades fronteiriças terem considerado que ele não reunia os requisitos de permanência no país "devido a questões de verificação de antecedentes”.

Noutro episódio, a seleção do Uzbequistão foi sujeita a revistas de segurança adicionais antes de um jogo de preparação contra os Países Baixos.

Depois do incidente, o selecionador Cannavaro mostrou surpresa com a situação, dizendo aos jornalistas: “Disseram-me que eram as regras. Mas, no fim, a fiscalização foi apenas para nós”.

Gianni Infantino, presidente da FIFA, afirmou que estas medidas são tomadas ao critério dos países anfitriões e que a manutenção da segurança é crucial.

“Infelizmente, vivemos num mundo muito agressivo e a segurança está acima de tudo”, disse aos jornalistas antes do torneio. “É preciso respeitar as decisões que são tomadas.”

O árbitro somali Omar Artan, ao centro, assinala uma grande penalidade durante a final da Liga dos Campeões africana entre o AS FAR Rabat e o Mamelodi Sundowns, em Rabat, Marrocos.
O árbitro somali Omar Artan, ao centro, assinala uma grande penalidade durante a final da Liga dos Campeões africana entre o AS FAR Rabat e o Mamelodi Sundowns, em Rabat, Marrocos. Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved

Infantino defendeu também o nível dos preços dos bilhetes para o torneio.

O organismo lançou bilhetes para a fase de grupos a partir de 140 dólares, com lugares para a final a chegarem aos 8680 dólares. Após críticas de adeptos e comentadores, a FIFA colocou depois à venda um pequeno número de bilhetes de 60 dólares para cada um dos 104 jogos do torneio.

A associação Football Supporters Europe (FSE) - Adeptos de Futebol Europa, em português - afirmou em dezembro que, com base nas informações então disponíveis, seguir uma seleção desde o primeiro jogo até à final custaria a um adepto pelo menos 6900 dólares, quase cinco vezes mais do que no Mundial de 2022.

A FSE considerou que o sistema de preços adotado pela FIFA parecia assentar numa “política de preços variável dependente de critérios vagos, como a atratividade do jogo”.

Em resposta às críticas, esta semana, Infantino recusou pedir desculpa aos adeptos pelos preços dos bilhetes e sublinhou que o dinheiro é reinvestido na modalidade.

“Cada dólar que entra volta para o desenvolvimento do futebol”, declarou.

O antigo avançado de Inglaterra e do Arsenal Ian Wright apelidou o torneio de 2026 de “Mundial do caos”.

“É preciso dizer alguma coisa”, afirmou Wright num vídeo publicado nas redes sociais em reação à notícia de que Artan tinha sido impedido de entrar nos Estados Unidos.

“Os bilhetes mais caros de sempre. Alojamento caro. Transportes a dispararem”, prosseguiu. “Tenho pena dos adeptos norte-americanos que tanto desejam este Mundial.”

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