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Como funciona a política de coesão da UE?

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Sabia que a política de Coesão da União Europeia gasta um terço do orçamento comunitário para favorecer o emprego?

Esta semana, vamos ver como o investimento nas pessoas, tanto nos países pobres como nos países ricos, pode ajudar a reduzir as desigualdades.

Dois repórteres da euronews deslocaram-se à República Checa e à Alemanha, para ver como funciona na prática a política de coesão da UE.

Criada em 2014, a empresa checa HiLASE emprega noventa técnicos altamente qualificados vindos de toda a Europa. As tecnologias desenvolvidas pela empresa poderão, no futuro, ser usadas no setor automóvel e na indústria pesada.

"Este laser combina tecnologias do Reino Unido e da Alemanha. Usamos também tecnologias da chamada ótica adaptativa. É uma colaboração entre a França e a Itália", explicou Antonio Lucianetti, o investigador que lidera o projeto.

HiLASE é um dos vários projetos financiados pela política de coesão na área das energias limpas e renováveis e na área dos transportes, um setor crucial para a República Checa.

"É muito importante terminar todos os corredores que atravessam a República Checa porque quando estiverem prontos vão ajudar não apenas as empresas checas mas também empresas da Alemanha, da Áustria, da Polónia e do sul da Europa", explicou Tomás, Cocek, ministro adjunto dos Transportes na República Checa.

Nos últimos dois anos, este tipo de fundos representou quase 40% do investimento público na República Checa e levou à criação de 27 mil empregos.

A comissária europeia para a política regional, Corina Cretu, considera que todos os países, ricos e pobres, beneficiam com a política de coesão da UE.

"Não gosto da divisão entre contribuidores e beneficiários porque os países ricos também obtêm benefícios diretos, em termos de inovação, projetos de investigação e auto-estradas, e indiretos, por exemplo, ao nível do comércio. Na Europa de Leste, financiamos auto-estradas e a construção é feita por empresas do Oeste da Europa", explixou a comissária.

A inovação é uma das áreas prioritárias dos fundos de coesão da UE.

"A inovação é crucial para nós, tal como a banda larga, qualquer que seja a estratégia de desenvolvimento das regiões. Estamos conscientes de que nem todas as regiões podem ser Silicon Valley, mas temos as chamadas estratégias de especialização inteligentes e encorajamos cada região a desenvolver os seus pontos fortes", afirmou Corina Cretu.

Muitos fundos têm sido direcionados para as nações de Visegrád, no leste da Europa mas, há agora um plano para as regiões que sofreram um declínio industrial.

"Os países de Visegrad têm um orçamento importante. Nalgumas regiões, o PIB per capita está ao mesmo nível que antes da crise, apesar do crescimento que se verifica na Europa. Por isso selecionámos cinco regiões e vamos desenhar estratégias para acelerar o crescimento nessas regiões", declarou a responsável.

Para saber mais clique aqui.

O caso da Alemanha

Tirar aos ricos para dar aos pobres. Os fundos de coesão parecem uma versão moderna de "Robin dos Bosques", mas, ao contrário do que se passa na floresta de Sherwood, na Europa os países ricos beneficiam com esse investimento. Além disso, de acordo com a comissária, os países ricos também recebem fundos de coesão, diretamente.

Dos 460,3 mil milhões de euros de fundos estruturais, a Alemanha recebe 27,9 mil milhões, para apoiar as regiões, estimular a produtividade e criar empregos, é o caso de Brandenburgo onde o PIB por habitante é um dos mais baixos dos 16 estados alemães.

A Euronews visitou o parque científico de Postdam, na Alemanha que recebe 120 milhões de euros através da política de coesão. Em paralelo com outros investimentos, esse montante ajuda a criar 2400 empregos de investigadores, atraindo nove mil estudantes e cerca de vinte empresas.

"Queremos contratar mais mil pessoas e atrair mais cem empresas nos próximos dez anos. Quero dar aos investigadores a possibilidade de lançarem os seus próprios negócios, criando novos conceitos a partir da ciência que possam ser úteis para a sociedade", explicou Agnes von Matuschka, diretora do Parque Científico de Postdam.

A política de coesão foi uma grande ajuda para uma start-up de Brandenburgo, que, como muitas PME's, precisou de um pequeno empurrão para começar a fabricar os seus primeiros robôs para crianças.

"Na Europa, é muito difícil encontrar investidores suficientemente loucos para investir dinheiro neste tipo de negócio e, por isso, estamos muito contentes por termos encontrado investigadores institucionais. Quatro anos depois, já somos 30 pessoas e estamos a crescer", contou Christian Guder, cofundadora da empresa Kinematics.

Segundo a União Europeia, a política de coesão tem um impacto positivo na economia dos países que mais contribuem para o orçamento europeu, graças ao dinheiro recebido e ao aumento das trocas comerciais. Mas será que funciona a longo prazo?

"Temos de refletir sobre o tipo de instituições de que as regiões precisam e não apenas pensar em termos de projetos. Em muitos casos a legislação não é adequada, há demasiadas regras e as políticas não ajudam. Seria importante associar apoio financeiro e pressão para fazer reformas. É preciso mais investimento de longa duração e um ajustamento ao nível das regras.", considerou Alexander Kritikos, diretor de Investigação do Instituto Alemão para a Investigação Económica.

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