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Marrocos: ao ritmo do Festival Internacional de Música Gnaoua

Marrocos: ao ritmo do Festival Internacional de Música Gnaoua
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Todos os anos a cidade marroquina de Essaouira celebra a música Gnaoua - um repertório de sons e ritmos religiosos espirituais africanos de outros tempos, que figura entre as raízes do Jazz, Blues, R&B, Rock & até do Rock & Roll. Inspiradas pela poesia ritual, a dança e a música tradicional do Magreb, as bandas em palco no festival são lideradas por um Maâhlem, um mestre de música Gnaoua.

O festival não é um simples festival de música. Todos os anos músicos de todo o mundo são convidados a ensaiar com um Maâhlem para mergulharem no espírito da música Gnaoua. O objectivo é a fusão dos seus diferentes estilos musicais, que têm raízes comuns. Em cada atuação em palco, o público pode descobrir uma mistura musical que nunca ouviu antes.

A banda “Benin International Musical,” do Benim, tocou com o Maâhlem Hassan Boussou, que comentou: “Nós temos muito em comum: a dança, o diálogo entre os instrumentos e os artistas, os passos de dança, o canto - a música Gnaoua é similar.”

A banda beninense funde ritmos de vodu e canções tradicionais com géneros modernos, como o hip-hop electro, o rap e o rock.

Na sua vigésima-primeira edição, em foco no festival esteve a nova geração de músicos Gnaoua. Neila Tazi, diretora do festival explicou: “Queremos abrir caminho para uma nova geração de Maâhlems e para esse fim convidámos músicos Gnaoua de várias regiões de Marrocos, que estão aqui para promover esta música, o seu futuro e a sua visibilidade.”

Vencedora de três prémios Grammy, o grupo de jazz de fusão “Snarky Puppy,” dos Estados Unidos, atuou com o icónico Maâhlem Hamid el Kasri, que se iniciou na cultura Gnaoua aos sete anos e é considerado uma das suas melhores personificações. Para o baixista americano e líder da banda, Michael League, a colaboração musical foi uma experiência emocionante e cheia de aprendizagem.

Pela primeira vez em palco no festival, a jovem marroquina Asmâa Hamzaoui tocou o principal instrumento usado pelos Gnaoua, o guembri. Embora os rituais Gnaoua sejam geralmente organizados por mulheres, os homens são protagonistas. A música Fatoumata Diawara, do Máli, acompanhou a jovem. “É uma honra estar aqui, eu sinto-me em casa em Marrocos. Sinto-me ligada a todos, em harmonia, somos todos unidos pela música,” disse.

Unidos pela música estiveram também os “Snarky Puppy,” que não resistiram á atuaçao das duas músicas e subiram ao palco.

O notável guitarrista Pepe Bao, de Sevilha, foi outro dos convidados do festival. O espanhol tocou com o mestre Abdeslam Alikané, que é o diretor artístico e também um dos co-fundadores do festival.

Num mundo onde muitas pessoas rejeitam a África, o festival Gnaoua demonstra o poder criativo da colaboração humana e da interação musical e cultural. Com boa vontade, esta poderá alargar-se a outras áreas.