O debate começou quando a Anthropic recusou dar ao governo dos EUA acesso irrestrito ao seu chatbot de IA, o Claude.
Um tribunal dos Estados Unidos rejeitou o pedido da empresa norte-americana de inteligência artificial (IA) Anthropic para a proteger de ser classificada pelo governo do país como um risco para a cadeia de abastecimento. O rótulo nunca tinha sido aplicado a uma empresa norte-americana.
A administração Trump classificou a empresa de IA como um risco para a cadeia de abastecimento e ordenou às agências federais que deixassem de utilizar o assistente de IA Claude, da Anthropic, em fevereiro, depois de a empresa se recusar a permitir acesso militar ilimitado ao seu modelo.
Esta classificação impede os contratantes que trabalham com o Pentágono de usarem os modelos de IA da empresa em contratos com o Departamento de Defesa.
As restrições contestadas incluem o uso do Claude em armas autónomas letais sem supervisão humana e na vigilância em massa de cidadãos norte‑americanos.
Em 2025, a Anthropic assinou um contrato de 200 milhões de dólares (171,5 milhões de euros) com o Pentágono para integrar a sua tecnologia nos sistemas militares.
Após esse acordo, o chatbot de IA começou a ser usado nas redes de informação classificada do governo dos EUA, foi instalado em laboratórios nucleares nacionais e passou a fazer análises de informação diretamente para o Departamento de Defesa.
Este revés para a Anthropic em Washington surge depois de a empresa ter ganho uma ação autónoma sobre as mesmas questões num tribunal de São Francisco, que obrigou a administração do presidente Donald Trump a retirar o rótulo.
A Anthropic apresentou as duas ações em São Francisco e em Washington no mês passado e acusou a administração Trump de levar a cabo uma «campanha de retaliação ilegal».
No documento (fonte em inglês) de março, o Departamento de Defesa escreveu que a Anthropic poderia «tentar desativar a sua tecnologia ou alterar preventivamente o comportamento do seu modelo» antes ou durante uma «operação de combate», se a empresa «sentir que as suas “linhas vermelhas” corporativas estão a ser ultrapassadas».
O coletivo do Tribunal de Recurso do Circuito de Washington, D.C., afirmou não ver razões para revogar as decisões da administração Trump, uma vez que «o montante exato dos prejuízos financeiros da Anthropic não é claro». No entanto, o tribunal de recurso irá ouvir mais provas deste processo em maio.
«Agradecemos ao tribunal por ter reconhecido que estas questões precisam de ser resolvidas rapidamente e mantemos a confiança em que os tribunais acabarão por concordar que estas designações de risco na cadeia de abastecimento foram ilegais», afirmou a Anthropic num comunicado enviado à Associated Press.