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Novo satélite europeu vai medir o vento para melhorar previsões

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Novo satélite europeu vai medir o vento para melhorar previsões

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Pela primeira vez, o novo satélite Aeolus da Agência Espacial Europeia vai medir o vento a partir do espaço, o que poderá melhorar as previsões meteorológicas.

No norte da Noruega, no centro espacial de Andøya, os cientistas estão a calibrar e a validar as medidas enviadas pelo satélite que se encontra em órbita, no espaço, a uma altitude de 320 quilómetros, desde final de agosto.

"O satélite Aeolus está a dar a volta a terra neste preciso momento. Move-se do polo norte para o polo sul e inversamente, realizando a chamada órbita polar. À medida que dá a volta a terra, a terra gira e o satélite realiza medidas à volta do globo dezasseis vezes por dia", explicou Anne Grete Straume, uma das cientistas da Agência Espacial Europeia responsáveis pelo projeto.

Graças a um sistema laser, o satélite mede a direção e a velocidade do vento, algo que nunca tinha sido feito antes. Os dados recolhidos pelo satélite são analisados no centro espacial de Andøya, na Noruega.

"O nosso observatório situa-se a 69 graus a norte. É o único observatório capaz de fazer medidas em conjunto com o satélite Aeolus. É a única estação que mede com a ajuda do sistema laser Lidar a velocidade e a direção do vento, nesta latitude, no hemisfério norte", disse Michael Gausa, diretor científico do Centro Espacial de Andøya.

Os dois telescópios do Instituto da Física Atmosférica de Liebniz funcionam de forma similar ao satélite Aeolus, o que serve de referência para os cientistas da Agência Espacial Europeia.

"É muito importante perceber e poder verificar que as medidas do satélite estão corretas em função dos diferentes estados do tempo, quer seja no caso de tempestades ou em caso de tempo ameno. É preciso ter um ponto de comparação com as medidas realizadas pelos bons instrumentos que estão na terra. Por isso é importante medir não apenas uma vez mas realizar várias medidas ao longo do tempo", referiu Anne Grete Straume.

Para verificar a exatidão das medidas realizadas pelo satélite os cientistas usam também os dados dos balões meteorológicos. Os balões são lançados duas vezes por dia e recolhem informação sobre a velocidade do vento, a temperatura e a humidade.

"Com os balões obtemos medidas locais do vento, o que é importante para calibrar e validar as medidas recolhidas pelo satélite. Sabemos que estamos a medir aproximadamente a mesma área. É claro que o balão desloca-se com o vento mas temos a mesma cobertura em geral e podemos comparar as medidas do satélite e do balão", sublinhou Ingrid Hanssen, engenheira do Centro Espacial de Andøya.

Há vários satélites que observam a temperatura e a humidade, que são usados desde há várias décadas. Mas não existe um sistema global para medir o vento no planeta. De acordo com o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (CEPMMP), o vento é a peça do puzzle que falta para poder melhorar as previsões meteorológicas.

"Alguns dos maiores erros de previsão do tempo, nos últimos cinco anos, estão associados à nossa falta de conhecimento sobre os ventos nos trópicos. Não existe informação sobre o vento nos oceanos, sobre o vento no sul do Pacífico. Nem sequer temos muita informação sobre o vento no oceano atlântico", explicou Lars Isaksen, cientista do CEPMMP.

Os dados recolhidos pelo satélite vão ser analisados e corrigidos pelo CEPMMP e só depois enviadas aos institutos de meteorologia.

"Ninguém sabe se vai funcionar. Se funcionar bem, vamos inserir essa informação nos nossos modelos de previsão do tempo, de modo a melhorarmos a nossa compreensão do chamado estado inicial, ou seja do estado do tempo de hoje, um elemento importante para realizar previsões. Tudo depende do estado do tempo de hoje. Essa informação é integrada num modelo matemático complexo, o que nos dá a previsão para os dias seguintes", acrescentou Lars Isaksen.

O satélite Aeolus pode medir a direção e a velocidade do vento na superfície da terra a 30 quilómetros de altitude. Até agora, o laser está a funcionar como previsto.

"Poucas semanas após o lançamento, começámos a verificar o satélite e o sistema laser. Ligámos o sistema e já começámos a recolher os dados e a ter uma ideia dos dados que vamos ter no final. É fantástico" , contou Anne Grete Straume.

"Com as atuais mudanças climáticas, vemos agora que a diferença de temperatura entre o equador e os polos está a diminuir, o que altera a forma como o vento se move na atmosfera e transporta a energia. Ao percebermos este fenómeno de forma mais detalhada vamos obter novos detalhes sobre as mudanças meteorológicas do clima futuro", acrescentou a investigadora da Agência Espacial Europeia.

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