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Música e Tolerância animam Azerbaijão

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Música e Tolerância animam Azerbaijão

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Imadaddin Nasimi, um dos maiores poetas e filósofos do Oriente no século XV mantém-se vivo. O pensador e líder espiritual é agora homanageado por um novo festival de poesia, artes e música no Azerbaijão.

Imadaddin Nasimi nasceu em Shamakhi, outrora uma das principais cidades da Rota da Seda. Foi o mais influente defensor do Hurufismo, uma variante do sufismo que faz parte do misticismo islâmico. Devido às convicções religiosas liberais, foi esfolado vivo em Aleppo, no ano de 1417.

"Ainda hoje, Nasimi é atual e progressista, porque há muitos anos, centenas e centenas de anos atrás, ele falava sobre multiculturalismo, tolerância e para as pessoas se unirem. E esta é a mensagem que queremos trazer para este festival", revela Emin S. Mammadov, consultor artístico da Fundação Heydar Aliev.

O festival multidisciplinar contou com vários artistas nacionais e internacionais. Entre os participantes do Azerbaijão, Chingiz Babayev quis prestar homenagem a Imadaddin Nasimi com o projecto «Planets». Uma obra conceptual que quer explorar a ideia de uma essência existente em tudo. O artista considera-se espiritual e muito próximo do sufismo.

"Vemos aqui diferentes materiais, diferentes tamanhos, diferentes - digamos - planetas, mas isto é sobre um universo, que a diferença não pode dividir em pequenos pedaços. Mesmo que haja pequenos pedaços, trata-se apenas de uma coisa, «eshq», amor", conta o artista.

Num tributo à música do Vietname, Ngô Hong Quang canta e toca vários instrumentos tradicionais. Ngulyên Lê é guitarrista, nasceu em Paris e tem ascendência vietnamita. É conhecido como músico de jazz, apesar dos álbuns. em que presta homenagem a ícones de rock dos anos 60, como Jimi Hendrix e Pink Floyd. Juntos, fundem música antiga e moderna para dar vida ao que chamam "a alma do Vietname".

"Eu acho que a música vietnamita é muito sobre melodias, sobre expressão de emoções", defende Ngulyên Lê. Para Ngô Hong Quang, a música "também é muito sobre meditação, está relacionada com a meditação, com a cultura da língua, porque toda a nossa língua está fortemente ligada à música. Portanto, a música também representa a língua do povo.

Em Baku houve várias instalações de arte e performances. Para quem assite, a primeira edição do festival parece já ter deixado marca, tanto a nível local como internacional, tal como conta Gert Naessens, da Associação Europeia de Festivais: "Gosto muito do que vi hoje. Eles estão a cruzar todas as áreas, a envolver a população local, muitas pessoas de fora também. Do que vi até agora, posso dizer que estão no caminho certo".

SAMI YUSUF é uma estrela nestes palcos. De pais azerbaijanos, nasceu no Teerão e cresceu em Londres. Diz vir de uma família profundamente espiritual e acredita que é na espiritualidade que estão as respostas para o populismo de direita e para as questões de identidade, com cada vez mais muçulmanos a viver no Ocidente. "Esta alienação, isto é, não saber quem somos, criou este vácuo de intolerância, ódio e incompreensão. Portanto, a mensagem de Nasimi é uma mensagem necessária hoje-em-dia. O que tento fazer com a minha música é ligar as pessoas às raízes tradicionais", conta o cantor.

Todo o festival gira em torno da promoção da tolerância, do pluralismo e do multiculturalismo. Agora, os organizadores precisam provar que conseguem atrair um público regional, nacional e internacional ao evento.

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