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Quatro países, incluindo Portugal, escapam à extrema-direita

Quatro países, incluindo Portugal, escapam à extrema-direita
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O governo socialista português tornou-se um estudo de caso em universidades estrangeiras, ao reverter a austeridade da troika em quatro anos com o apoio de dois partidos da esquerda radical.

Como habitualmente, as forças populistas não devem obter ganhos significativos nas eleições europeias a decorrer em Portugal.

Pedro Marques, ex-ministro que geria os fundos da União Europeia, é o cabeça-de-lista socialista e poderá ser indicado para comissário europeu.

Em entrevista à euronews, recomenda o fortalecimento do modelo social europeu para travar o populismo.

"Aqui em Portugal fomos capazes de evitar essa tendência do nacionalismo e do extremismo porque governamos pelo bem das pessoas. A nível europeu, por muito tempo - desde a criação do euro e ainda pior durante a crise financeira e resposta à crise - as desigualdades na Europa foram acentuadas", explicou o candidato.

Pequenos ao lado de grandes

Portugal é um dos quatro Estados-membros sem partidos de extrema-direita no Parlamento nacional. Os outros são Irlanda, Luxemburgo e Malta.

Todos estes países têm um vizinho maior e mais poderoso, que já foi ameaça à soberania. No caso de Portugal é a Espanha, em Malta é a Itália, na Irlanda é o Reino Unido e no Luxemburgo é a Alemanha.

Estar na União Europeia pode ser visto como uma proteção porque todos os países têm poder igual (de veto) e há um dever de solidariedade e defesa mútua.

Além da crise financeira e da posição geopolítica, outra questão desempenha um papel importante na ascensão da extrema-direita na Europa: a migração.

No entanto, Nicholas Whyte, analista político no APCO Worldwide, diz que nestes quatro países não é um problema, mas uma vantagem.

"Malta tem a sua própria cultura mediterrânea muito específica, mas é um lugar de comércio, que sempre teve de estar aberto a outras influências para sobreviver. O Luxemburgo também, e nos últimos anos tornou-se cada vez mais rico ao atrair trabalhadores migrantes para apoiar a sua economia", explicou à euronews.

"Irlanda e Portugal, por outro lado, são países com uma história de migração para fora e as pessoas começaram a regressar à Irlanda e a Portugal para ajudar a melhorar a economia, a construir o país”, acrescentou.

Uma questão de carisma ou de influência externa?

Mas sentimentos xenófobos também existem nesses países, podendo ser explorados por um líder populista carismático.

Em Portugal, o comentador desportivo André Ventura lidera a coligação Basta!, com tiques de extrema-direita populista.

Na Irlanda, o empresário Peter Casey assumiu-se como "racista" e, depois de perder a eleição presidencial, tenta entrar no Parlamento Europeu.

Mas se o carisma não é suficiente para promover o nacionalismo, segundo Nicholas Whyte, o que dizer da influência externa como a da Rússia noutros países?

"Se fosse russo e tivesse de pensar onde investir os meus esforços, devo admitir que Irlanda, Portugal, Malta e Luxemburgo não estariam no topo da minha lista. Mas quero realçar que não se deve exagerar o fator russo. Certamente, ele existe, mas os fatores que impulsionam todas essas questões do populismo têm, no fundo, raízes internas", afirmou Nicholas Whyte.

Todos juntos, os eleitos destes quatro países representam apenas 44 dos 751 eurodeputados e ocupam maioritariamente bancadas moderadas.

A sua capacidade de influência provém dos lugares em pé de igualdade com os demais na Comissão e no Conselho europeus.