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Robô europeu promete mais competitividade ao setor da construção

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Robô europeu promete mais competitividade ao setor da construção
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Numa maquete de 100 metros quadrados de uma fachada de um edifício de três andares, oito cabos permitem ao robô rodar e mover-se em todas as direções.

O sistema pode levantar uma plataforma de carga e, através de ventosas, fixar, instalar ou manter pesadas paredes de cortinas de vidro.

A plataforma robótica foi desenvolvida no âmbito do projeto Tecnali/Haphaestus, por um grupo europeu de investigadores, e foi concebida para recolher e colocar cerca de 1 tonelada de material em grandes superfícies de construção com precisão milimétrica, num ambiente com muitos desafios.

"Os locais de construção não são ambientes estruturados. As medidas são por vezes imprecisas ou inexistentes. Nem mesmo os edifícios têm, por vezes, as medidas que se pensa que deveriam ter. É por isso que é muito importante termos referência de cada um dos elementos. Para isso, utilizamos câmaras fotográficas - para saber a posição exata das paredes de cortinas - e também ferramentas de geolocalização para medir a localização espacial de cada um dos elementos", explica o engenheiro civil Kepa Iturralde.

Mais precisão, menos custos

O sistema pode ser personalizado em função do tamanho da fachada onde o trabalho deve ser feito. As superfícies maiores necessitam de cabos mais longos e padrões diferentes na complexa teia de aranha geométrica dos pontos de desenho.

O principal desafio, revela Mariola Rodríguez Mijangos, engenheira industrial, é obter a tensão correta dos cabos, uma vez que, a "a partir da tensão" é possível dimensionar o resto dos componentes da plataforma. E o custo de toda a instalação depende disso. Quanto mais cabos de tensão forem necessários, mais cara será toda a instalação". Desta forma, o principal desafio da equipa de investigadores "é encontrar a tensão mínima mas ao mesmo tempo suficiente nos cabos para que o robô possa cumprir as tarefas".

Os cientistas veem grandes vantagens no sistema, incluindo a rapidez e a precisão na execução das tarefas.

O robô consegue não só instalar paredes de cortinas, ou painéis solares, mas também contribuir para a digitalização das superfícies de construção, pintura, limpeza, substituição de elementos danificados ou reparação de fissuras e tudo isto com a capacidade "de executar tarefas em série, de forma automatizada, sempre com o mesmo padrão", afirma Julien Astudillo, coordenador o projeto de investigação

Assim que for "desenvolvido um sistema de instalação preciso, todas as outras instalações serão imitadas, adaptando simplesmente as ferramentas que têm de ser utilizadas". No final, garante, "a qualidade final da construção do edifício é substancialmente melhorada".

Esta tecnologia vai permitir, de acordo com os investigadores, o aumento da competitividade do setor europeu da construção, atualmente o maior empregador industrial da União Europeia, ao criar 18 milhões de postos de trabalho diretos e contribuindo para cerca de 9% do Produto Interno Bruto (PIB) comunitário.

Para o engenheiro civil José David Jiménez Viacaria, "este sistema tem duas vantagens. Uma é a redução efetiva dos tempos de instalação na construção de paredes-cortina. Isto traduz-se num lucro real para a empresa. A segunda é a redução, ou a minimização, dos riscos de segurança. As tarefas em altitude são eliminadas, ou reduzidas à sua expressão mínima, pelo que há muito menos risco de que os nossos trabalhadores possam cair da construção".

A tecnologia, dizem os investigadores, pode estar pronta para chegar ao mercado nos próximos cinco a 10 anos.