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Portugal foi o país da UE que acolheu mais imigrantes entre 2012 e 2023

Portugal pagou mais de oito milhões de euros para não receber requerentes de asilo
Portugal pagou mais de oito milhões de euros para não receber requerentes de asilo Direitos de autor  Imigração
Direitos de autor Imigração
De Inês dos Santos Cardoso
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Portugal foi o país da UE que acolheu mais imigrantes entre 2012 e 2023. Apesar de ter decidido pagar para não acolher mais requerentes de asilo, estes contribuem mais para a Segurança Social do que os apoios que recebem.

Portugal foi o país da União Europeia onde entraram mais imigrantes entre 2012 e 2023, de acordo com dados divulgados pela Pordata, base de dados que compila dados estatísticos relativos ao país. A Estónia (30,3%) e a Lituânia (30,2%) ocuparam o segundo e terceiro lugares, respetivamente.

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Apesar de Portugal liderar na entrada de imigrantes, o país está longe de ser o que tem maior percentagem de população estrangeira na UE: com 9,6%, Portugal encontra-se em 12.º lugar, muito longe do Luxemburgo, onde cerca de 47,3% dos residentes são estrangeiros – a taxa mais elevada a nível da UE. Em 2023, entraram em Portugal 133.256 imigrantes de nacionalidade estrangeira, o que significa uma taxa de crescimento médio anual, desde 2012, de 34,3%.

Segundo os dados da Pordata, Portugal é ainda o segundo país mais envelhecido da UE. Entre os imigrantes que entraram no país, a maioria - 25.495 - está na faixa etária entre os 30 e os 34 anos. Segue-se a faixa etária dos 25 aos 29 anos, com 24.297 imigrantes a entrarem no país, em 2023.

Ainda no mesmo ano, entraram em Portugal 14.710 imigrantes com 65 ou mais anos, em comparação com 21.564 com menos de 15 anos, que se refugiaram no país.

Recorde-se que Portugal se comprometeu a pagar mais de oito milhões de euros para não ter de acolher requerentes de asilo vindos de outros Estados-membros, alegando pressão migratória e falta de capacidade para receber mais pessoas sem comprometer o sistema. Em causa está a aplicação do Pacto de Migrações e Asilo, que prevê mecanismos de solidariedade entre 18 países da União Europeia (UE).

No passado mês de dezembro, os Estados-membros do bloco acordaram em redistribuir, em 2026, 21.009 requerentes de asilo, provenientes de Espanha, Itália, Grécia e Chipre. Portugal deveria receber cerca de 420 pessoas, caso aceitasse a opção de acolher os requerentes de asilo.

Contribuições dos imigrantes ultrapassam os apoios sociais

Ainda que Portugal não se tenha comprometido a acolher os 420 requerentes de asilo, dados avançados pelo Jornal de Notícias, no início deste mês, indicavam que as contribuições dos imigrantes para a Segurança Social eram muito superiores ao valor dos apoios que estes recebiam. Em 2025, receberam 811 milhões de euros em prestações sociais, mas pagaram cerca de 4,1 mil milhões em impostos, ou seja, cinco vezes mais.

Há, inclusive, setores como o da agricultura, onde se verificam mais contribuintes estrangeiros do que portugueses. No alojamento e restauração são já quase 40%.

Depois de retirados os apoios sociais dados a trabalhadores estrangeiros, a Segurança Social lucra mais de três mil milhões de euros com os descontos dos imigrantes. Entre 2024 e 2025, o montante entregue ao Estado pela população estrangeira aumentou em 465 milhões de euros.

Portugal lidera na população ativa menos escolarizada

Além dos dados relativos à imigração, a Pordata compilou dados que mostram que Portugal é o país da UE com a população ativa menos escolarizada: cerca de quatro em cada 10 adultos não têm ensino secundário. Este número situa-se muito acima de países como Polónia ou Lituânia, onde apenas uma pessoa em cada 10 não concluiu esse grau ensino.

Relativamente aos jovens entre os 25 e os 34 anos, a escolarização em Portugal já se aproxima da média da UE, com 43,2% a terem concluído o ensino superior, comparado com 44,1% na União Europeia.

O número de pessoas a viver sozinhas na UE tem aumentado de forma significativa. De acordo com a Pordata, entre 2011 e 2023, “mais de 25 milhões de pessoas passaram a viver sozinhas, um aumento de 28%”. “Em Portugal, foram mais 366 mil pessoas, um aumento de quase 50%”, pode ler-se.

Verifica-se, também, que um quarto dos agregados familiares (25,6%) tem crianças em Portugal, “menos 6,8 pontos percentuais do que em 2011”, sendo a Eslováquia o país da UE onde há mais famílias com crianças (35,6%).

Os dados estatísticos da Portada, lançados esta segunda-feira, baseiam-se em quatro temas: população, economia, custo de vida e rendimentos, energia e ambiente.

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