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Do eucalipto nasceu uma escola. Angola coloca árvores ao serviço da reabilitação social

De  Euronews
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Do eucalipto nasceu uma escola. Angola coloca árvores ao serviço da reabilitação social
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Na periferia do Huambo, a paisagem é dominada por eucaliptos. Outrora fontes de lenha para as locomotivas a vapor na histórica linha férrea de Benguela, os eucaliptais são há muito redundantes.

Mas agora, em Angola, uma nova vida está a ser dada a estas árvores.

A Habitec, uma empresa social com sede na província, transforma há mais de duas décadas a madeira dos eucaliptos em mobiliário escolar. A oportunidade surgiu depois de a guerra civil ter, de acordo com a companhia, destruído 80% das escolas do Huambo.

Hoje, a produção continua a ter em vista as necessidades do programa nacional de reabilitação de escolas. Mas a fábrica serve outros setores, como o da restauração, o da hotelaria e o da habitação social, em rápido crescimento, em Angola.

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Fábrica tem capacidade instalada para 200 peças diáriasBUSINESS ANGOLA/EURONEWS

A Habitec trabalha com as comunidades locais para obter eucaliptos. Quando os produtos são vendidos, mais árvores são plantadas.

"A contrapartida disto é a reflorestação. Isto significa que não precisamos de avançar para o abate de florestas nativas preexistentes, porque o eucalipto tem esta solução. Em três, quatro e até seis anos, está pronto para ser utilizado", revela Felisberto Capamba, diretor executivo da empresa.

No meio de uma pandemia e à medida que Angola aposta na diversificação económica, a Habitec está a investir na produção interna, de forma a reduzir a dependência das importações e a criar novos empregos.

A produção industrial local é impulsionada por incentivos governamentais. O executivo angolano disponibilizou apoio através de linhas de crédito concedidas pelo Banco de Desenvolvimento de Angola.

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Escola Pública em Zango usa mobiliário da HabitecBUSINESS ANGOLA/EURONEWS

Um acordo com o Estado compromete a Habitec a produzir 40 mil peças de mobiliário escolar de seis em seis meses.

Na Escola Pública Vida Pacifica Número 5143, em Zango, na província de Luanda, o material é testado pela exigência do dia-a-dia.

Ser "um produto nacional" e ter "uma boa durabilidade" são, para o diretor Aidino Goçalves, fatores determinantes para a escola usar o mobiliário angolano

A sustentabilidade e responsabilidade social são valores presentes no estabelecimento de ensino e, na perspetiva do diretor, determinantes para o desenvolvimento económico de Angola.

"Para que este desenvolvimento sustentável tenha lugar, é crucial que a própria sociedade e os nossos empresários, a parceria entre o público e o privado, seja uma realidade. Se o tivermos, ajudaremos essas pequenas empresas a destacar-se, a ajudar a desenvolver comunidades, bairros e mesmo o nosso país".