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"Estado da União": patentes de vacinas e Médio Oriente

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"Estado da União": patentes de vacinas e Médio Oriente
Direitos de autor  Bernat Armangue/AP2011
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As campanhas de vacinação têm vindo a intensificar-se nos países desenvolvidos nas últimas semanas.

Mas nos países menos desenvolvidos como a Índia e o Brasil, os problemas estão longe do fim.

É por isso que a Organização Mundial do Comércio propôs a suspensão das patentes para as vacinas anti-covid a fim de acelerar a sua produção.

Mas os governos ocidentais, influenciados pelas grandes farmacêuticas, opõem-se a esta ideia.

No entanto, esta semana, a administração Biden anunciou que apoia planos para a suspensão das patentes. E Bruxelas parece aberta ao diálogo.

"A União Europeia está aberta à discussão de quaisquer propostas que respondam à crise de forma eficiente e pragmática. É por isso que estamos prontos para discutir com os EUA a suspensão das patentes para as vacinas anti covid-19 e como isso poderá ajudar a alcançar esse objetivo", afirmou a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen.

Até ao momento, o país que lidera em termos de imunização per capita é Israel, onde o regresso à normalidade avança a passos largos.

Politicamente, contudo, a instabilidade parece ter-se tornado o novo normal no país.

Tudo sugere que o primeiro-ministro em exercício Benjamin Netanyahu estaria de saída depois de não ter conseguido formar uma nova coligação após as eleições de março.

O chefe de estado israelita, Reuven Rivlin, quer abrir um novo capítulo e já convidou Yair Lapid a formar governo.

Israel foi a votos quatro vezes em dois anos e o impasse permanece.

Por outro lado, entre os Palestinianos o impasse reina igualmente. Há 15 anos que não há eleições.

Há uma década que o presidente da Autoridade Palestiniana governa por decreto, dirigindo um governo cada vez mais corrupto e impopular.

Há poucos dias o presidente voltou a adiar eleições parlamentares previstas para 22 de maio.

Fomos ouvir a opinião de um dos peritos, membro de um grupo de antigos líderes internacionais.

Lakhdar Brahimi, antigo chefe da diplomacia argelina e enviado especial da ONU para países como a África do Sul e a Síria conhece bem a situação.

euronews: Desde 2006 que não há eleições para presidente ou legislatura. Como é que podemos levar os Palestinianos a sério?

Brahimi: "Penso que os Palestinianos devem ser levados a sério porque são vítimas de injustiças extremamente sérias e duradouras. Essa é a primeira e principal razão porque devem ser levados a sério. O povo da Palestina merece o nosso interesse e simpatia".

euronews: Muitos líderes mundiais expressaram decepção perante o adiamento das eleições de maio. O chefe da diplomacia europeia Josep Borrell apelou à marcação de nova data sem demora, como é que os palestinianos se sentem, especialmente os jovens?

Brahimi: "Estão muito decepcionados, eles querem eleições, querem mudança e a prova é que 93 por cento dos jovens registaram-se para votar. 93% de todos aqueles com direito a voto registaram-se para votar! Os israelitas não autorizarem o voto aos palestinianos de Jerusalém oriental é um impedimento extremamente grave. Foi esta a razão dada pelo presidente dos palestinianos para o adiamento das eleições. Por favor, fale com o Sr. Abbas, sobre isso, sobre o risco de não serem realizadas eleições. Mas fale igualmente com os israelitas que desta forma, e de outras, tornam a vida dos palestinianos extremamente difícil".

euronews: O que é que parceiros internacionais como a UE podem fazer para ajudar?

Brahimi: "Em primeiro lugar, reconhecer o que se está a passar na Palestina. O que está a acontecer na Palestina é que foi criado um sistema de apartheid, que é reconhecido pela organização israelita de direitos humanos mais importante e respeitada e, recentemente, pela Human Rights Watch. Comecem por reconhecer este facto! E depois vejam o que se pode fazer com isto. Fizeram maravilhas contra o apartheid embora muito, muito tarde na África do Sul.

E por fim, se planeia mudar radicalmente os seus hábitos alimentares, agora é a altura.

Esta semana as minhocas secas tornaram-se no primeiro inseto comestível a receber autorização de venda na União Europeia.

A decisão segue-se a uma avaliação de risco positiva das larvas do escaravelho Tenebrio Molitor pela Agência Europeia de Segurança Alimentar.

Em breve poderá encontrar estes insetos à venda no seu supermercado.