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Centro de Vacinação de covid-19 de Coimbra agora reaberto
Centro de Vacinação de covid-19 de Coimbra agora reaberto   -   Direitos de autor  PAULO NOVAIS/LUSA

Portugal acelera vacinação com novas restrições à vista: veja quais

Portugal anunciou esta terça-feira 2.560 novas infeções e 14 mortes associadas à Covid-19 e registadas em 24 horas, numa altura em que procura acelerar o processo de reforço da vacinação para permitir aos portugueses poderem celebrar em maior segurança o Natal.

Um agravamento significativo da epidemia numa altura em que o país com a maior taxa de vacinação da União Europeia (88%) está a tentar acelerar inclusive o reforço da imunização.

De acordo com o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS) divulgado hoje, estão agora internadas 649 pessoas (mais 21 do que na segunda-feira), das quais 93 em unidades de cuidados intensivos, tal como na véspera.

"Salvar" o Natal

Com o governo a receber os diversos partidos com assento parlamentar para preparar as novas medidas a anunciar quinta-feira para travar a propagação do SARS-CoV-2 antes da quadra natalícia, o reforço da vacinação dos profissionais de saúde continua a bom ritmo, apesar de algumas dificuldades logísticas.

Os enfermeiros, médicos e assistentes hospitalares sublinham a importância da terceira dose da vacina e o secretário de Estado da Saúde, Lacerda Sales, prometeu um reforço logístico e humano do processo de imunização.

Em aberto, mantém-se ainda o início do plano "casa aberta" para a terceira dose nos maiores de 65 anos e do reforço da proteção dos maiores de 18 anos vacinados com a dose única da Jansen, que revela ter uma proteção mais limitada do que era inicialmente avançado.

Em Coimbra, reabriu esta terça-feira o centro de vacinação anticovid e, em Lisboa, o novo presidente da Câmara Carlos Moedas prometeu abrir a 01 de dezembro o maior centro de vacinação de Portugal.

Receio da vida social

"Hoje não é dia de falar, hoje é dia de ir ouvir os partidos", afirmou o primeiro-ministro António Costa, de manhã, à margem do 9.º Congresso Nacional dos Economistas, em Lisboa.

O representante do partido Iniciativa Liberal no Parlamento saiu de uma forma geral agradado da reunião com o chefe do Governo, mas há uma divergência que se destaca entre várias.

"Entre as divergências está o facto de o Governo continuar a achar aceitável exigir testes ou certificados. Para nós, não faz sentido essa exigência. Cada pessoa deve avaliar se quer ou se deve aceder a locais ou participar em eventos com base na responsabilidade individual", considerou João Cotrim Figueiredo.

O liberal considera que a exigência do certificado passa "a mensagem errada". "Estamos a dizer que o que está no certificado e a vacina no funcionam e isso é errado. É preciso que as pessoas tenham noção que a vacina é eficaz e reforçar a mensagem sobre a necessidade de ventilar os espaços", sugeriu o deputado do IL, agradado "por não haver vontade da parte do governo de voltar a confinar a economia".

Certificado mais teste

O presidente do Chega foi um pouco mais longe e revelou os alegados planos do Governo em exigir o uso simultâneo de "certificado e de teste obrigatório" para a entrada em bares, discotecas e grandes eventos, com a restauração a funcionar apenas com obrigatoriedade de exigir certificado aos clientes.

"Ficámos com a ideia de que o Governo poderá vir a exigir, em alguns espaços, por exemplo discotecas, ou bares, ou grandes eventos com grande presença massiva de pessoas, por exemplo eventos desportivos, dois instrumentos de controlo cumulativos: uso de certificados e o teste obrigatório até 48 horas antes", afirmou André Ventura após a reunião com o primeiro-ministro.

Sobre a utilização da máscara, o deputado do Chega saiu com ideia de que o Governo "não está inclinado" para "impor o uso obrigatório na rua, a toda a hora".

Ventura afirmou ainda que António Costa lhe pareceu "recetivo" e que "o Governo tem também em cima da mesa a possibilidade de reforçar o controlo externo e de introduzir a obrigatoriedade de testes ou certificados para quem viaja para Portugal", estando "completamente afastada" a possibilidade de um novo estado de emergência.

No entanto, André Ventura referiu que o executivo quer estabelecer "já um quadro jurídico que permita com alguma estabilidade poder enfrentar esta situação num cenário de dissolução da Assembleia da República" e que permita que as medidas contra a Covid-19 durem até que o novo parlamento tome posse, em fevereiro.

Normalizar sem restringir

A representante do Partido Ecologista "Os Verdes", Mariana Silva, saiu da reunião com o primeiro-ministro a defender a normalização do quotidiano dos portugueses e o reforço dos transportes públicos, do SNS e de psicólogos nas escolas e nos centros de saúde.

"Consideramos que é necessário continuar a normalizar os nossos dias, tendo uma forte comunicação no que diz respeito às medidas que temos de continuar a tomar, de uso de máscara, de arejamento dos espaços", afirmou a deputada ecologista, considerando haver "todas as condições para tomar estas medidas" porque o orçamento deste ano tem até "dezembro para ser cumprido".

A porta-voz do Partido das Pessoas, dos Animais e da Natureza (PAN) também recebeu sinais de "preocupação" por parte do Governo quanto ao uso de máscaras.

"Há de facto aqui uma preocupação que nos foi transmitida relativamente ao uso da máscara nos diferentes contextos, seja por exemplo no caso dos estádios de futebol, dos concertos, nas discotecas e em espaços fechados", disse Inês de Sousa Real, sublinhando a necessidade de garantir que a contenção da Covid-19 decorra "da forma mais serena e confiante possível".

A líder do PAN considerou que, nesta altura, "não existe capacidade, quer do ponto de vista económico ou da própria população" para "aceitar medidas mais musculadas e que pudessem levar a limitações de determinadas atividades".

“É por isso que, para o PAN, é absolutamente fundamental que, para além daquele que seja o comportamento individual da manutenção da máscara em espaços fechados, daquilo que possam ser todas as boas práticas, (…) que o Governo garanta que existe um acesso universal aos testes", defendeu.

O primeiro-ministro, António Costa, recebe, entre hoje e quarta-feira, os partidos com representação parlamentar sobre a situação epidemiológica em Portugal, num momento em que o país regista um crescimento das taxas de incidência e de transmissão (Rt) da Covid-19 e antes de o Governo aprovar quaisquer medidas, o que está previsto para o Conselho de Ministros de quinta-feira.

Para além do chefe do executivo, participam nestas reuniões com os representantes parlamentares a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, a ministra da Saúde, Marta Temido, e o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Duarte Cordeiro.

O Presidente da República reforçou hoje que vai aguardar pelo Conselho de Ministros de quinta-feira para se pronunciar sobre eventuais restrições decididas pelo Governo para mitigar a propagação da pandemia no país.

"Tanto quanto sei, o primeiro-ministro continua a ouvir os partidos hoje e amanhã. Vamos esperar pelo fim da audição dos partidos, pelo Conselho de Ministros de quinta-feira e pelas medidas que o Governo tenciona tomar. Receberei o primeiro-ministro em audiência depois e só aí é que poderei falar", disse Marcelo Rebelo de Sousa, à margem de uma visita ao requalificado Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros, em Lisboa

A pandemia de SARS-CoV-2

O surto deste coronavírus, denominado SARS-CoV-2 e que provoca a doença Covid-19, terá surgido em dezembro de 2019, num mercado de rua de Wuhan, embora alguns estudos admitam que o vírus já estivesse presente há mais tempo naquela cidade chinesa.

O primeiro alerta endereçado à Organização Mundial de Saúde aconteceu a 31 de dezembro referindo o caso de uma pneumonia desconhecida. O primeiro registo na Europa surgiu a 24 de janeiro, em França, quatro dias depois da confirmação do vírus nos Estados Unidos.

Médicos em França sugerem, entretanto, ter assistido o primeiro paciente no país com Covid-19 a 27 de dezembro depois de repetirem em abril as análises de exames a antigos doentes com sintomas suspeitos da nova doença.

De acordo com os registos oficiais, a pandemia entrou em África, pelo Egito, a 15 de fevereiro, e dez dias depois chegou à América do Sul, pelo Brasil. A pandemia bloqueou a maior parte do mundo desde meados de março de 2020.

Quase dois anos depois e com a pandemia ainda ativa, há mais de 258 milhões de infeções diagnosticadas e de 5,1 milhões de mortos.

A vacinação contra a Covid-19 começou em dezembro de 2020, continua a diferentes velocidades por todo o mundo, mas há diversos países já a inocular pessoas com uma terceira dose de reforços de vacinas inicialmente desenvolvidas para serem eficazes apenas com duas doses.

Portugal foi o primeiro país do mundo a vacinar 85% da respetiva população residente e já tem quase 90% com o processo pelo menos iniciado.

Outras fontes • RTP