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Os últimos momentos e palavras do Papa Francisco: o jantar, a doença e o adeus ao enfermeiro

O Papa Francisco e, atrás dele, o seu enfermeiro Massimiliano Strappetti, numa fotografia de 17 de novembro de 2024
O Papa Francisco e, atrás dele, o seu enfermeiro Massimiliano Strappetti, numa fotografia de 17 de novembro de 2024 -  Direitos de autor  Alessandra Tarantino/AP
Direitos de autor Alessandra Tarantino/AP
De Andrea Barolini
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O Papa Francisco passou as últimas horas com o enfermeiro de confiança, Massimiliano Strappetti, a seu lado. O telefonema para Gaza no sábado, a multidão na Páscoa, o descanso à tarde. Depois, ao amanhecer, a doença e o coma.

"Obrigado por me trazeres de volta à Praça". As últimas palavras proferidas pelo Papa Francisco antes da sua morte foram como o seu pontificado: simples, humanas, diretas.

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O Santo Padre dirigia-se ao seu enfermeiro pessoal, Massimiliano Strappetti: um homem há muito próximo de Bergoglio. “Foi ele que lhe salvou a vida ao sugerir a operação ao cólon e que o Pontífice nomeou mais tarde, em 2022, como seu assistente pessoal de saúde”, refere o Vatican News.

Papa pergunta ao enfermeiro: "Acha que sou capaz de fazê-lo?”

O órgão de informação oficial da Santa Sé acrescentou que Strappetti permaneceu "ao seu lado durante todos os 38 dias de hospitalização na policlínica Gemelli e 24 horas por dia durante a convalescença na Casa Santa Marta". O enfermeiro esteve também com ele no Domingo de Páscoa e foi a pessoa que o acompanhou numa visita surpresa à Basílica de São Pedro, quando o Papa quis verificar o estado de algumas intervenções de restauro.

Foi precisamente a Strappetti que Bergoglio se dirigiu antes de entrar no papamóvel para o último contacto com a multidão, no domingo: “Achas que sou capaz de fazê-lo?”, perguntou, antes de receber garantias do seu assistente de confiança. Um “OK” que permitiu a Francisco dar mais um abraço à multidão, apesar do seu grande cansaço e das longas semanas de convalescença. Foi um momento comovente para o Papa, que quis agradecer ao enfermeiro: a proximidade com os fiéis e, de um modo geral, com a humanidade foi, por outro lado, uma das principais caraterísticas do seu pontificado.

Descanso no domingo à tarde, jantar, depois a enfermidade ao amanhecer

Este facto é confirmado, entre muitos outros gestos, pela solidariedade demonstrada para com a população da Faixa de Gaza. O último telefonema data de sábado, às 19 horas, quando também na região martirizada da Palestina as pessoas se preparavam para a Páscoa. Mais uma vez, Bergoglio manifestou a sua proximidade e a sua oração pela paz.

Em segundo plano, numa fotografia de 2022, o enfermeiro pessoal do Papa Francisco, Massimiliano Strappetti
Em segundo plano, numa fotografia de 2022, o enfermeiro pessoal do Papa Francisco, Massimiliano Strappetti Gregorio Borgia/AP

No domingo à tarde, Francisco descansou. Depois jantou e foi dormir. Os primeiros sinais da doença que o atacou na segunda-feira de Páscoa surgiram antes do amanhecer, às 5h30. Aqueles que estavam a vigiar o Sumo Pontífice intervieram imediatamente.

O cumprimento ao enfermeiro antes de entrar em coma

Uma hora mais tarde, Bergoglio dirigiu-se de novo a Strappetti, com um gesto de saudação com a mão, enquanto estava deitado na cama, na sua residência da Casa Santa Marta. Momentos depois, o Papa entrou em coma.

“Ele não sofreu, tudo aconteceu rapidamente, disseram os que lhe estavam próximos nos últimos momentos. Foi uma morte discreta, quase repentina, sem longas esperas e demasiado clamor para um Papa que sempre manteve em segredo o seu estado de saúde”, conclui o Vatican News.

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