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Ucrânia entra em contacto com a SpaceX devido a drones russos que alegadamente utilizam a rede Starlink

Pessoas de pé perto de uma cratera e de carros danificados após um ataque russo em Zaporizhzhia, 28 de janeiro de 2026
Pessoas de pé perto de uma cratera e de carros danificados após um ataque russo em Zaporizhzhia, 28 de janeiro de 2026 Direitos de autor  AP Photo
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De Gavin Blackburn
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O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que pediu ao presidente russo, Vladimir Putin, para não atacar Kiev durante uma semana, uma vez que a região está a registar temperaturas muito baixas.

O ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, disse na quinta-feira que Kiev está em contacto com a SpaceX, de Elon Musk, devido a alegações de que drones russos estariam a utilizar a Internet dos satélites Starlink durante ataques a cidades ucranianas.

"Poucas horas depois do aparecimento de drones russos com ligação à Starlink sobre cidades ucranianas, a equipa do Ministério da Defesa contactou prontamente a SpaceX e propôs formas de resolver o problema", afirmou Fedorov numa publicação nas redes sociais.

"Estou grato à presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell, e pessoalmente a Elon Musk pela sua resposta rápida."

Fedorov e o Instituto para o Estudo da Guerra, com sede nos EUA, afirmaram no início desta semana que o exército russo recorreu a satélites Starlink para orientar os seus ataques com drones no interior da Ucrânia.

A Rússia tem vindo a atacar a rede energética do país, numa altura em que as temperaturas descem abaixo de zero e se aproxima o quarto aniversário da invasão.

Nesta fotografia, uma série de satélites Starlink, da SpaceX, passa por cima de uma casa perto de Florença, 6 de maio de 2021
Nesta fotografia, uma série de satélites Starlink, da SpaceX, passa por cima de uma casa perto de Florença, 6 de maio de 2021 AP Photo

O Instituto para o Estudo da Guerra detalhou que "as forças russas estão a utilizar cada vez mais os sistemas de satélite Starlink para ampliar o alcance dos drones de ataque BM-35, a fim de realizar ataques de médio alcance contra a retaguarda ucraniana".

A Starlink também é amplamente utilizada pelo exército ucraniano nas suas comunicações.

"A decisão de Elon Musk de ativar urgentemente a Starlink e enviar o primeiro lote de terminais para a Ucrânia no início da invasão em grande escala foi extremamente importante para a resiliência do nosso país", referiu Fedorov.

"As tecnologias ocidentais devem continuar a apoiar o mundo democrático e a proteger os civis, e não ser utilizadas para o terror e para a destruição de cidades pacíficas."

Trump fala com Putin

Entretanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse na quinta-feira que pediu ao homólogo russo, Vladimir Putin, para não atacar Kiev durante uma semana, uma vez que a região está a passar por temperaturas muito baixas.

O pedido para uma pausa nos ataques à capital da Ucrânia surge num momento em que a Rússia tem bombardeado infraestruturas críticas do país, deixando muitas pessoas sem aquecimento no pico do inverno.

"Pedi pessoalmente ao presidente Putin para não disparar contra Kiev e as suas cidades e aldeias durante uma semana, devido a este frio extraordinário", adiantou Trump durante uma reunião do seu gabinete na Casa Branca.

Trump acrescentou que Putin "concordou com isso", mas não houve confirmação por parte da Rússia.

Trabalhadores dos serviços de emergência montam tendas onde os residentes dos edifícios vizinhos podem aquecer-se e dormir à noite, em Kiev, 25 de janeiro de 2026
Trabalhadores dos serviços de emergência montam tendas onde os residentes dos edifícios vizinhos podem aquecer-se e dormir à noite, em Kiev, 25 de janeiro de 2026 AP Photo

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, afirmou na semana passada que mais de metade das casas em Kiev não tinham acesso a aquecimento e que a maior parte da cidade estava sem eletricidade, na sequência dos ataques russos do início da semana.

As negociações de paz deverão ser retomadas no domingo, apesar das dúvidas sobre o empenho de Moscovo no que diz respeito a um eventual entendimento.

A chefe da política externa da União Europeia acusou a Rússia, na quinta-feira, de não levar as negociações a sério, pedindo que seja exercida mais pressão sobre Moscovo para forçá-la a fazer concessões.

"Vemos que estão a aumentar os ataques contra a Ucrânia porque não conseguem avançar no campo de batalha. Por isso, estão a atacar civis", afirmou Kaja Kallas numa reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE.

Funcionários dos serviços de emergência trabalham para apagar um incêndio na sequência de um ataque russo na região de Odessa, 29 de janeiro de 2026
Funcionários dos serviços de emergência trabalham para apagar um incêndio na sequência de um ataque russo na região de Odessa, 29 de janeiro de 2026 AP/Serviços de Emergência da Ucrânia

Salientou ainda que a Europa, que vê a sua própria segurança futura em risco na Ucrânia, deve estar totalmente envolvida nas negociações para pôr fim à guerra.

A pressão para que se alcançasse um acordo foi liderada ao longo do último ano pela administração Trump e os líderes europeus temem que as suas preocupações não sejam tidas em conta.

O número de soldados mortos, feridos ou desaparecidos de ambos os lados durante a guerra poderá atingir os dois milhões até à primavera, com a Rússia a registar o maior número de mortes de soldados de qualquer grande potência em qualquer conflito desde a Segunda Guerra Mundial, de acordo com um estudo publicado pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

Outras fontes • AP, AFP

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