O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que pediu ao presidente russo, Vladimir Putin, para não atacar Kiev durante uma semana, uma vez que a região está a registar temperaturas muito baixas.
O ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, disse na quinta-feira que Kiev está em contacto com a SpaceX, de Elon Musk, devido a alegações de que drones russos estariam a utilizar a Internet dos satélites Starlink durante ataques a cidades ucranianas.
"Poucas horas depois do aparecimento de drones russos com ligação à Starlink sobre cidades ucranianas, a equipa do Ministério da Defesa contactou prontamente a SpaceX e propôs formas de resolver o problema", afirmou Fedorov numa publicação nas redes sociais.
"Estou grato à presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell, e pessoalmente a Elon Musk pela sua resposta rápida."
Fedorov e o Instituto para o Estudo da Guerra, com sede nos EUA, afirmaram no início desta semana que o exército russo recorreu a satélites Starlink para orientar os seus ataques com drones no interior da Ucrânia.
A Rússia tem vindo a atacar a rede energética do país, numa altura em que as temperaturas descem abaixo de zero e se aproxima o quarto aniversário da invasão.
O Instituto para o Estudo da Guerra detalhou que "as forças russas estão a utilizar cada vez mais os sistemas de satélite Starlink para ampliar o alcance dos drones de ataque BM-35, a fim de realizar ataques de médio alcance contra a retaguarda ucraniana".
A Starlink também é amplamente utilizada pelo exército ucraniano nas suas comunicações.
"A decisão de Elon Musk de ativar urgentemente a Starlink e enviar o primeiro lote de terminais para a Ucrânia no início da invasão em grande escala foi extremamente importante para a resiliência do nosso país", referiu Fedorov.
"As tecnologias ocidentais devem continuar a apoiar o mundo democrático e a proteger os civis, e não ser utilizadas para o terror e para a destruição de cidades pacíficas."
Trump fala com Putin
Entretanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse na quinta-feira que pediu ao homólogo russo, Vladimir Putin, para não atacar Kiev durante uma semana, uma vez que a região está a passar por temperaturas muito baixas.
O pedido para uma pausa nos ataques à capital da Ucrânia surge num momento em que a Rússia tem bombardeado infraestruturas críticas do país, deixando muitas pessoas sem aquecimento no pico do inverno.
"Pedi pessoalmente ao presidente Putin para não disparar contra Kiev e as suas cidades e aldeias durante uma semana, devido a este frio extraordinário", adiantou Trump durante uma reunião do seu gabinete na Casa Branca.
Trump acrescentou que Putin "concordou com isso", mas não houve confirmação por parte da Rússia.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, afirmou na semana passada que mais de metade das casas em Kiev não tinham acesso a aquecimento e que a maior parte da cidade estava sem eletricidade, na sequência dos ataques russos do início da semana.
As negociações de paz deverão ser retomadas no domingo, apesar das dúvidas sobre o empenho de Moscovo no que diz respeito a um eventual entendimento.
A chefe da política externa da União Europeia acusou a Rússia, na quinta-feira, de não levar as negociações a sério, pedindo que seja exercida mais pressão sobre Moscovo para forçá-la a fazer concessões.
"Vemos que estão a aumentar os ataques contra a Ucrânia porque não conseguem avançar no campo de batalha. Por isso, estão a atacar civis", afirmou Kaja Kallas numa reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE.
Salientou ainda que a Europa, que vê a sua própria segurança futura em risco na Ucrânia, deve estar totalmente envolvida nas negociações para pôr fim à guerra.
A pressão para que se alcançasse um acordo foi liderada ao longo do último ano pela administração Trump e os líderes europeus temem que as suas preocupações não sejam tidas em conta.
O número de soldados mortos, feridos ou desaparecidos de ambos os lados durante a guerra poderá atingir os dois milhões até à primavera, com a Rússia a registar o maior número de mortes de soldados de qualquer grande potência em qualquer conflito desde a Segunda Guerra Mundial, de acordo com um estudo publicado pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.