Drones iranianos atingiram a refinaria de Ras Tanura, na Arábia Saudita, na manhã de segunda-feira, enquanto o Kuwait relatou ataques intercetados no terceiro dia de retaliações do Irão contra países da região.
A refinaria de petróleo de Ras Tanura, na Arábia Saudita, foi atacada por drones iranianos na manhã de segunda-feira, provocando um incêndio no complexo, segundo as autoridades.
Os drones que se aproximavam foram intercetados, disse um porta-voz militar saudita. Mais tarde, na segunda-feira, as operações da refinaria de petróleo foram temporariamente interrompidas por precaução.
"Algumas unidades operacionais da refinaria foram encerradas como medida de precaução, sem qualquer impacto no fornecimento de produtos petrolíferos aos mercados locais", disse uma fonte oficial do Ministério, num comunicado publicado pela Agência de Imprensa Saudita.
Vídeos do local que circulam online parecem mostrar um espesso fumo negro a surgir após o ataque. Mesmo os drones intercetados com sucesso causam detritos que podem provocar incêndios e ferir quem está no solo.
Ras Tanura, perto de Dammam, tem uma capacidade de mais de meio milhão de barris de petróleo bruto por dia.
Fumo vindo da embaixada dos EUA no Kuwait
Entretanto, na segunda-feira de manhã, foram avistados fogo e fumo vindos do interior do complexo da embaixada dos EUA no Kuwait, e um alarme foi acionado na sequência de um ataque iraniano.
A embaixada não anunciou que tinha sido atingida, mas emitiu um alerta de segurança instando as pessoas a manterem-se afastadas e a abrigarem-se no local. Não houve relatos imediatos de danos ou vítimas.
"Existe uma ameaça contínua de ataques com mísseis e drones sobre o Kuwait. Não se dirijam à embaixada", lia-se no comunicado.
"O pessoal da embaixada dos EUA está a abrigar-se no local", acrescentou.
O Ministério do Interior do Kuwait disse ter intercetado um número não especificado de drones que visavam o pequeno país, rico em petróleo, durante a madrugada.
Um caça F-15E da Força Aérea dos EUA despenhou-se no noroeste do Kuwait na manhã de segunda-feira. A causa do acidente ainda não é clara. Segundo informações não confirmadas, o avião foi abatido num aparente caso de "fogo amigo".
Fotos e vídeos que circulam nas redes sociais parecem mostrar o piloto e o oficial do sistema de armas a ejetarem-se do caça antes do acidente.
Até à data, o CENTCOM (Comando Central) dos EUA não fez qualquer declaração oficial sobre o incidente.
O Ministério da Defesa do Kuwait afirmou que vários aviões de guerra norte-americanos se despenharam no Kuwait na segunda-feira de manhã, mas a tripulação sobreviveu.
"Vários aviões de guerra norte-americanos despenharam-se esta manhã. Confirmamos que todos os membros da tripulação sobreviveram", afirmou um porta-voz do Ministério da Defesa em comunicado, acrescentando que a causa estava a ser investigada.
"As autoridades iniciaram imediatamente operações de busca e salvamento, retirando as tripulações e transportando-as para um hospital para avaliação e tratamento médico. Observou-se que o seu estado de saúde é estável", acrescentou o comunicado.
"O Irão tem de pagar"
Também foram relatadas explosões no Dubai e no Bahrein. "O Irão tem de pagar um preço por este ataque flagrante contra o nosso povo", afirmou um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar.
"Um ataque como este não pode ficar sem retaliação", acrescentou o comunicado.
O Irão também lançou ataques contra os Emirados Árabes Unidos, dando continuidade às suas investidas retaliatórias contra países da região.
A ministra da Defesa de França, Catherine Vautrine, confirmou que uma base militar francesa nos Emirados Árabes Unidos foi atingida no domingo num ataque com drones iranianos que teve como alvo o porto de Abu Dhabi.
"Os danos são limitados e apenas materiais. Não foram registados feridos", afirmou a ministra numa publicação nas redes sociais, acrescentando que as forças francesas mantêm a máxima vigilância.
O Irão lançou ataques retaliatórios na região depois de Israel e os EUA terem lançado ataques contra o Irão no sábado, matando o aiatola Ali Khamenei e outros altos funcionários do regime de Teerão.
França abriu a sua base militar em 2009, depois de ter chegado a um acordo com as autoridades dos Emirados.