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Ministros da NATO reúnem-se enquanto EUA planeiam afastar-se da segurança europeia

Comandante Supremo Aliado na Europa da NATO Alexus G. Grynkewich (à esq.) e secretário-geral Mark Rutte
Comandante Supremo Aliado na Europa da NATO Alexus G. Grynkewich (E) e secretário-geral Mark Rutte Direitos de autor  Copyright 2025 The Associated Press. All rights reserved
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De Shona Murray
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A cimeira vai centrar-se nos planos da administração Trump para retirar garantias de apoio à arquitetura de segurança europeia, mesmo em guerra, e no esgotamento dos arsenais críticos da aliança devido à guerra em curso no Irão.

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO estão reunidos na Suécia para uma cimeira de dois dias, num momento de incerteza para a aliança.

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No topo das preocupações está o anúncio da administração Trump de que vai retirar os Estados Unidos da segurança europeia de forma gradual, o que significa que o apoio norte-americano deixará de estar garantido, mesmo em tempo de guerra.

Os participantes vão também discutir como a aliança pode aumentar a produção de defesa, numa altura em que a guerra no Irão esgota as reservas de armamento avançado fabricado nos EUA.

Os detalhes exatos sobre onde será reduzido o apoio e as capacidades dos EUA deverão ser anunciados na sexta-feira, contudo, fontes da NATO confirmaram que o plano "altera a contribuição dos EUA para a NATO em caso de crise ou conflito".

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, minimizou o anúncio norte-americano, lembrando que a administração Trump há muito vinha sinalizando o seu afastamento da arquitetura de segurança europeia no âmbito da doutrina "America First".

"Isto já era esperado", afirmou na quarta-feira, em conferência de imprensa em Bruxelas, antes da reunião. "Sabemos que haverá ajustamentos. Os Estados Unidos têm de se recentrar, por exemplo, na Ásia."

Porém, "isso acontecerá ao longo do tempo, de forma estruturada", acrescentou, insistindo que "os EUA continuarão envolvidos na Europa".

Este ajustamento está a ser definido no âmbito do modelo de forças da NATO, ou seja, a estrutura da aliança responsável pela gestão das forças nacionais e pelas necessidades globais de dissuasão e defesa.

A decisão surge apenas algumas semanas depois do Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado de forma abrupta a retirada de 5000 soldados da Alemanha, na sequência de um desentendimento com o chanceler alemão, Friedrich Merz, sobre a guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão.

Trump ficou ofendido quando Merz criticou a guerra, considerando-a mal concebida, e afirmou que os negociadores da Casa Branca estavam a ser "humilhados" pelo regime de Teerão.

No entanto, em vez de reduzir o efetivo militar na Alemanha em 5.000 militares, Trump acabou por cancelar a deslocação de 4.000 soldados que já seguiam para a Polónia, apanhando Varsóvia de surpresa.

Aumentar a produção

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, junta-se aos seus homólogos em solo sueco e, segundo informações obtidas pela Euronews, deverá salientar a necessidade urgente de um maior esforço industrial de defesa por parte de todos os aliados.

Para manter as forças armadas ucranianas abastecidas na luta contra a Rússia, os aliados da NATO adquirem armamento complexo aos EUA através da designada "Prioritised Ukraine Requirements List".

Com os Estados Unidos a gastar grandes quantidades das suas reservas de munições e de sistemas de armas cruciais, como os sistemas de defesa aérea Patriot, na guerra na Ucrânia, a Euronews apurou que, se o ritmo de desgaste se mantiver, o efeito em cadeia para a Europa será a escassez de entregas de munições essenciais ao exército ucraniano.

"A questão já não é saber se temos de fazer mais", declarou Rutte aos jornalistas, referindo-se à necessidade de aumentar a produção de armamento. "A questão é saber com que rapidez os aliados podem transformar compromissos em capacidades."

A reunião ministerial desta semana é mais um passo no processo de preparação da cimeira anual de líderes da NATO, agendada para julho, em Ancara.

Os ministros reunidos na Suécia vão deliberar sobre a extensão de um convite formal ao Presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, que esteve presente em parte da cimeira do ano passado em Haia, a convite do Rei dos Países Baixos.

No ano anterior, na cimeira em Washington, D.C., Zelenskyy recebeu um convite formal da administração Biden, muito mais favorável à Ucrânia do que a segunda administração Trump, que praticamente bloqueou as aspirações da Ucrânia de aderir à NATO.

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