A chegada a Espanha de ativistas da Flotilha Global Sumud provocou confrontos no aeroporto de Bilbao, com cargas policiais e quatro detidos. Os incidentes contrastaram com a receção pacífica em Barcelona e ocorreram após denúncias de maus-tratos durante a detenção por Israel.
A chegada a Espanha de um grupo de ativistas da Flotilha Global Sumud ficou este sábado marcada por momentos de tensão no aeroporto de Bilbao, onde se registaram confrontos com a Ertzaintza. Os incidentes saldaram-se com quatro pessoas detidas por desobediência qualificada, resistência à autoridade e agressão a agente da autoridade.
De acordo com fontes policiais, os incidentes ocorreram quando seis membros da flotilha, recém-chegados, posavam para os meios de comunicação e bloquearam uma das saídas da zona de chegadas do aeródromo. Nesse momento, os agentes intervieram por considerarem quebrado o cordão de segurança, o que originou empurrões e momentos de grande tensão entre ativistas, acompanhantes e polícias.
O regresso destes ativistas tinha sido adiado um dia devido à hospitalização de dois deles, feridos quando foram intercetados por forças israelitas ao tentarem chegar à Faixa de Gaza com ajuda humanitária. Os detidos ficaram à disposição judicial após os incidentes no aeroporto de Bilbao.
Chegada sem incidentes a Barcelona
Em contraste, outros 20 ativistas da Global Sumud Flotilla aterraram ao meio-dia no aeroporto de Barcelona-El Prat sem que se registassem incidentes. Cerca de 200 pessoas receberam-nos na terminal com bandeiras palestinianas e cartazes de boas-vindas. Entre os presentes estavam representantes políticos e titulares de cargos públicos que manifestaram apoio à iniciativa.
Os ativistas tinham sido capturados cinco dias antes, em águas internacionais, quando se dirigiam para Gaza com ajuda humanitária, numa operação que suscitou críticas e denúncias pelo tratamento recebido durante a detenção.
As denúncias de Santiago González
Um dos ativistas espanhóis, Santiago González Vallejo, denunciou, após a deportação, uma violência "em crescendo" durante a sua detenção. Segundo relatou em declarações à RTVE na sexta-feira, o ministro israelita da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, lhes disse que "nem a Palestina, nem Gaza, existem" e os classificou como "terroristas".
Tal como outros ativistas, González afirmou ter sofrido pancadas, imobilizações dolorosas e a retirada da medicação, e afirmou que vários companheiros continuam hospitalizados com lesões de gravidade.
Enquanto os ativistas vão regressando a Espanha de forma faseada, a coligação organizadora estuda ações legais por detenção arbitrária e maus-tratos, ao mesmo tempo que anuncia que continuará a lançar novas iniciativas para denunciar o bloqueio imposto a Gaza.
França proíbe entrada de Itamar Ben Gvir após tratamento a ativistas da flotilha
A polémica em torno da Flotilha Global Sumud teve igualmente consequências diplomáticas. França proibiu a entrada no seu território do ministro Ben Gvir, ao considerar "inaceitáveis" as suas ações contra cidadãos franceses e europeus detidos durante a interceção da flotilha.
Paris explicou que a decisão responde a uma série de comportamentos "humilhantes e ameaçadores", incluindo vídeos difundidos nas redes sociais em que se vê o ministro entre ativistas de mãos atadas e de joelhos.
O chefe da diplomacia francesa sublinhou que, embora o Governo francês discorde da iniciativa da flotilha, "não pode tolerar que responsáveis públicos intimidem ou maltratem cidadãos europeus", e adiantou que França e Itália vão pedir sanções a nível da União Europeia contra o responsável israelita.