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Joias do cofre de Zapatero foram avaliadas em 1,3 milhões de euros

Arquivo: o ex-chefe do Governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero durante uma sessão parlamentar em Madrid.
ARQUIVO: O ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero durante uma sessão parlamentar em Madrid. -  Direitos de autor  Copyright 2010 AP. All rights reserved.
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De Rafael Salido
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A avaliação das joias encontradas no cofre do ex‑presidente José Luis Rodríguez Zapatero, no caso Plus Ultra, fica longe dos 30 mil euros alegados pela defesa. A UDEF apreendeu 103 peças e o inquérito mantém‑se aberto.

A avaliação judicial das joias encontradas no cofre do gabinete do antigo presidente do governo, José Luis Rodríguez Zapatero, fixou o seu valor em 1,3 milhões de euros, segundo a imprensa espanhola. O relatório foi elaborado pela ourivesaria Ansorena e contou também com a avaliação do Instituto Gemológico Espanhol, peritos nomeados pelo tribunal no âmbito do processo do caso Plus Ultra que corre na Audiência Nacional.

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A descoberta ocorreu durante uma busca realizada pela Unidade de Delincuencia Económica y Fiscal (UDEF) no escritório do antigo chefe do Governo, situado em frente à sede do PSOE, na rua Ferraz. No cofre foram apreendidas 103 peças de joalharia. Entre os objetos contam-se colares com pedras de várias cores, anéis, brincos a condizer, pulseiras e uma cruz dourada e prateada, além de relógios de marcas como Longines, Certina e Pierre Balmain.

O valor agora fixado, revelado na quinta-feira pelo 'OK Diario', contrasta com a versão inicialmente avançada pelo círculo de Zapatero, que situava a avaliação entre 30 mil e 50 mil euros e garantia que as peças provinham de heranças de família e de ofertas recebidas em viagens. Segundo a secretária do ex-presidente, Gertrudis Alcázar, as joias vinham da casa de família e estavam guardadas no cofre do escritório por motivos de segurança após a venda da residência.

Busca em Ferraz e origem da investigação

A operação da UDEF, apoiada por unidades técnicas especializadas na abertura de cofres, permitiu também apreender documentação, agendas e dispositivos eletrónicos. A investigação integra um processo em que são analisadas alegadas irregularidades ligadas ao resgate da companhia aérea Plus Ultra durante a pandemia e eventuais crimes conexos de tráfico de influências.

Além da busca no escritório, os agentes realizaram diligências noutros locais, incluindo a residência do empresário Julio Martínez Martínez, apontado como alegado testa-de-ferro de Zapatero, onde foram encontradas grandes quantias em numerário, relógios e telemóveis descartáveis.

O ex-presidente Zapatero tem defendido que as joias são de origem legítima e atribuiu a investigação a uma "perseguição", segundo declarações anteriores constantes do processo.

Investigação ainda em curso

O juiz da Audiência Nacional, José Luis Calama, mantém abertas várias diligências no processo, que inclui a análise de documentação financeira e societária relativa a diversas empresas.

Por outro lado, em maio soube-se que um relatório da UDEF apontava também as filhas do antigo chefe do Governo, Alba e Laura Rodríguez Espinosa, como alegadas beneficiárias do esquema graças aos fundos obtidos através da sociedade What The Fav. Na semana passada, no âmbito da acusação popular, o PP pediu a constituição de ambas como arguidas por branqueamento, falsificação documental e pertença a organização criminosa.

A investigação continua sujeita a segredo parcial e é esperada a comparência do ex-presidente em tribunal nas próximas fases do processo. Está previsto que Zapatero compareça perante a Audiência Nacional nos dias 17 e 18 de junho.

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