Primeiro-ministro britânico anunciou que deixará a liderança do executivo e do partido Trabalhista. Em frente ao número 10 de Downing Street, diz ter “ouvido a resposta” do seu partido sobre se era a pessoa indicada para liderar o país.
Depois de muita especulação a confirmação chegou esta manhã: Keir Starmer apresentou mesmo a demissão. O primeiro-ministro anunciou hoje a decisão, em frente ao número 10 de Downing Street, confirmando ter também informado o rei Carlos III.
Perante os jornalistas, o líder Trabalhista disse que ter "ouvido a resposta" do seu partido sobre se era a pessoa mais indicada para liderar o país e os trabalhistas durante as próximas eleições gerais no país. "Aceito essa resposta de bom grado", afirmou.
Starmer confirmou a decisão de deixar o executivo britânico, reforçando que todas as decisões que tomou tiveram como objetivo "colocar em primeiro lugar o país que amo".
O líder britânico informou ter solicitado ao Comité Executivo Nacional do Partido Trabalhista que estabeleça um calendário para a corrida à liderança trabalhista, com o início do período de candidaturas a 9 de julho, que terminará a 16 de julho.
Caso se confirme o cenário de eleições no partido, o objetivo é que os trabalhistas encontrem um novo líder antes da retoma dos trabalhos parlamentares, em setembro.
Starmer confirmou que irá permanecer no cargo de primeiro-ministro até que o processo termine e que "fará tudo o que estiver ao seu alcance para garantir uma transição de poder ordenada". Garantiu ainda que o seu sucessor terá todo o "apoio total e inequívoco".
Em Downing Street, o ainda primeiro-ministro iniciou o discurso lembrando o trabalho feito durante o seu mandato de dois anos.
"Uma economia mais forte, a crescer a um ritmo superior ao dos nossos pares, com os salários a aumentarem a um ritmo superior à inflação em todos os meses desde que chegámos ao poder", afirmou Starmer.
Andy Burnham, o nome que poderá substituir Starmer, está hoje em Westminster para tomar posse como deputado por Makerfield, depois de ter vencido a eleição suplementar na semana passada, um resultado que abriu a porta de saída do primeiro-ministro demissionário.
Burnham, que regressa assim ao parlamento britâncio tem agora via aberta até Downing Street, era, desde 2017, presidente da Câmara da Grande Manchester, uma das regiões urbanas mais importantes do país que se consolidou como uma das economias mais dinâmicas do Reino Unido.
Em reação, o líder do Reform UK, Nigel Farage, exigiu a realização de eleições gerais numa publicação no X.
"Se o Partido Trabalhista pensa que pode enfiar mais um político profissional no n.º 10, está muito enganado".
O antigo eurodeputado afirmou que o Reform UK "exige eleições e estamos prontos para promover uma mudança radical".
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, elogiou Starmer por reforçar a segurança "europeia".
"Muitos líderes podem demorar anos a tornar-se no estadista em que te tornaste em apenas dois anos. A segurança europeia e ucraniana está mais forte graças a ti. Obrigada, caro Keir", publicou von der Leyen online.
O novo primeiro-ministro será o sétimo líder do país nos últimos 10 anos, sucedendo a David Cameron, Theresa May, Boris Johnson, Liz Truss, Rishi Sunak e Starmer.
Até esta semana, o pressionado Starmer tinha insistido que enfrentaria qualquer desafio à sua liderança, apesar das crescentes preocupações suscitadas por uma ronda de eleições locais particularmente dura, na qual o Partido Trabalhista sofreu grandes perdas face ao Reform UK, de Farage.