Os irmãos influenciadores Andrew e Tristan Tate foram detidos em Miami, na sequência de um pedido de extradição do Reino Unido. As autoridades britânicas acusam-nos de crimes muito graves, incluindo violação, tráfico de seres humanos e exploração sexual.
Foram detidos no sábado em Miami os irmãos influencers Andrew e Tristan Tate, cujo império nas redes sociais, que promove riqueza, predominância masculina e misoginia, os tornou em algumas das figuras da internet mais polarizadoras do mundo, enquanto as autoridades britânicas pedem a sua extradição por suspeitas de violação e tráfico sexual.
Ficaram sob custódia do U.S. Marshals Service, em execução de um mandado de detenção sob sigilo, informou à Associated Press o porta‑voz da agência, Brady McCarron, colocando os Estados Unidos no centro de uma saga judicial internacional que se estende da Roménia ao Reino Unido.
O Ministério Público britânico anunciou no sábado que pedia a extradição dos irmãos com a acusação de terem violado e traficado mulheres entre 2010 e 2017.
Roménia: porque foram detidos os irmãos Tate
Com dupla nacionalidade norte‑americana e britânica, os dois irmãos mudaram‑se para a Roménia em 2016. Foram ali detidos em 2022, acusados de terem participado em esquemas para atrair mulheres com fins de exploração sexual. Negaram essas acusações e o processo romeno não avançou devido a questões legais e processuais.
No ano passado foi‑lhes permitido deixar a Roménia e voaram para a Florida num jato privado.
Devem comparecer no tribunal federal de Miami no início da próxima semana, segundo uma pessoa a par do processo, que falou sob condição de anonimato para discutir operações sensíveis das forças de segurança.
As acusações pendentes no Reino Unido imputam aos irmãos abusos de mulheres numa área a norte de Londres, onde cresceram. Os advogados dos Tate dizem que ambos rejeitam estas alegações.
Joseph McBride, advogado que representa os irmãos Tate, disse, em entrevista telefónica na noite de sábado, que não tinha conseguido falar com os clientes, mas classifica as novas acusações vindas do Reino Unido como "calúnias sujas" destinadas a fazer descarrilar as ações por difamação intentadas pelos irmãos nos Estados Unidos.
"Estão a fazer tudo para garantir que estes homens nunca tenham o seu dia em tribunal", afirmou McBride.
"Estamos confiantes de que, assim que um juiz competente analisar os factos e o Departamento de Justiça enfrentar este flagrante abuso da autoridade, Andrew e Tristan Tate voltarão à liberdade. Os Estados Unidos não fazem o trabalho sujo político do Reino Unido".
Como os irmãos Tate alcançaram o sucesso
Andrew Tate, de 39 anos, chegou pela primeira vez ao grande público como concorrente do reality show britânico "Big Brother" em 2016. Foi retirado do programa depois de surgir um vídeo que parecia mostrar Tate a agredir uma mulher. Ele e o irmão, Tristan Tate, de 38 anos, são fervorosos apoiantes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Andrew Tate reuniu mais de 10 milhões de seguidores no X, mas foi banido de plataformas como YouTube, TikTok e Instagram por violar as linhas de orientação sobre incitamento ao ódio. A sua retórica, amplamente condenada, inclui comentários segundo os quais as mulheres que sofrem agressões sexuais devem assumir parte da responsabilidade pelos ataques, descrições explícitas de como se pode agredir mulheres e críticas às pessoas que procuram tratamento para doenças mentais.
Os irmãos Tate negam de forma consistente as acusações de abusos e de tráfico de seres humanos, alegando que as declarações violentas e misóginas foram retiradas do contexto ou tinham intenção humorística.
Numa declaração divulgada no sábado, o Crown Prosecution Service do Reino Unido afirma que, além das acusações anunciadas publicamente contra os irmãos em 2025, relativas a alegados crimes contra três mulheres, apresentava um total de 38 novas acusações relativas a "quatro vítimas adicionais".
Ambos os irmãos são acusados de violação e tráfico de seres humanos. Andrew Tate enfrenta ainda uma acusação de exploração da prostituição e 19 crimes "por ofensas relacionadas com imagens indecentes de menores e pornografia extrema", segundo as autoridades britânicas.
"Não há lugar para violência masculina contra mulheres e raparigas e continuaremos a trabalhar incansavelmente para apoiar as vítimas e investigar todas as denúncias que nos são feitas", afirmou Karena Thomas, vice‑chefe da polícia de Bedfordshire, que investigou o caso.