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Incêndios obrigam a evacuações em massa em França e Espanha

Um avião bombardeiro de água larga água durante o combate a incêndios florestais em Arès, oeste de França, sexta-feira, 24 de julho de 2026. (Foto AP/Caroline Blumberg)
Avião bombardeiro de água larga água durante o combate a incêndios florestais em Ares, oeste de França, sexta-feira, 24 de julho de 2026. (AP Photo/Caroline Blumberg) -  Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
Direitos de autor Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
De Sertac Aktan com AP, AFP
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Incêndios descontrolados no sudoeste de França e no centro de Espanha obrigaram à fuga de dezenas de milhares; 42 bombeiros ficaram feridos em Cap Ferret e o país vizinho declarou emergência histórica perto de Madrid e Ávila.

Incêndios florestais de grandes dimensões arderam fora de controlo no sudoeste de França e no centro de Espanha, na sexta-feira, levando as autoridades a retirarem cerca de 87 mil pessoas das suas casas.

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Alguns habitantes fugiram de barco quando as chamas varreram a península turística de Cap Ferret, na costa atlântica francesa.

Dezenas de bombeiros ficaram feridos à medida que o fogo, que começou na quarta-feira perto de Cap Ferret, a 60 quilómetros de Bordéus, consumiu cerca de 125 quilómetros quadrados de terreno.

A península oferece habitualmente paisagens impressionantes, praias de areia, aldeias de ostreicultores e estâncias balneares de luxo.

“É bastante impressionante e até assustador”, disse Laurent Moretti, residente em Arès. “Nunca tinha havido uma evacuação desta escala. O que mais esperamos é que os bombeiros consigam controlar o fogo rapidamente.”

Cerca de 1 500 desalojados da península chegaram a Arcachon por mar, em táxis aquáticos e embarcações de maior porte. No departamento de Gironde, as autoridades locais deram conta da destruição de 53 casas e de um parque de campismo, bem como de 42 bombeiros feridos.

O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, confirmou a existência de 32 incêndios ativos em todo o país, com a área ardida desde o início do ano a ultrapassar os 50 mil hectares, quase o triplo do total do ano passado.

Incêndios incontroláveis em Espanha prestes a unir-se

Em Espanha, o governo declarou pela primeira vez o estado de emergência nacional devido a incêndios florestais, à medida que os fogos em Madrid e na vizinha província de Ávila saíram fora de controlo.

Três incêndios distintos na região são atualmente considerados incontroláveis e estão prestes a convergir numa única frente de fogo de grandes dimensões.

O delegado do governo em Castela e Leão, Nicanor Sen, alertou que “falta muito pouco tempo” até que o incêndio de Burgohondo, em Ávila, se junte à frente ativa em Madrid.

A crise obrigou à retirada de cerca de 40 mil pessoas e outras estão confinadas só na região de Madrid, levando a presidente regional, Isabel Díaz-Ayuso, a classificar os fogos como os piores na história da capital.

Em plena emergência, já começaram os processos judiciais: a Guardia Civil deteve uma pessoa e está a investigar outra em ligação ao foco de Burgohondo, e efetuou ainda uma outra detenção em Castela e Leão por utilização ilegal de maquinaria agrícola em condições de extremo risco de incêndio.

“Nos meus 60 anos, nunca vi nada assim na minha aldeia; nunca vi um incêndio destas dimensões”, disse Francisco Martínez, presidente da câmara de Burgohondo.

UE aciona aviões de combate a incêndios através do Mecanismo de Proteção Civil

Ambos os países pediram ajuda através do Mecanismo de Proteção Civil da União Europeia.

O presidente francês, Emmanuel Macron, confirmou que França vai receber apoio aéreo da Croácia, de Portugal, da Chéquia e da Eslováquia.

Por seu lado, a Comissão Europeia confirmou o envio para Espanha de quatro aviões Canadair de combate a incêndios, dois da Grécia e dois de Itália, apoiados por cartografia em tempo real do sistema de satélites Copernicus.

Para lá das alterações climáticas, o analista de incêndios florestais Raúl Quílez sublinhou que o despovoamento rural deixou as aldeias espanholas cada vez mais expostas.

“As árvores e o mato chegam muitas vezes até às casas, colocando-as em risco”, observou, descrevendo a combinação de fatores como “um cocktail perfeito” para incêndios incontroláveis.

A crise estende-se à Sicília, onde incêndios alimentados por temperaturas acima dos 40 ºC, baixa humidade e ventos fortes continuam a devastar a ilha.

Os fogos obrigaram a evacuações pontuais e já causaram a morte de um bombeiro que respondia a uma ocorrência em Caltanissetta.

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