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Japão ultrapassa pela primeira vez os 100 mil centenários

Arquivo: japonês Yasutaro Koide, 112 anos, entrou em 2015 para o Guinness como “o homem mais velho do mundo”; morreu em 2016 / 21 agosto 2015
Arquivo: japonês Yasutaro Koide, 112 anos, inscrito no Livro de Recordes do Guinness em 2015 como “o homem mais velho do mundo”, morreu em 2016 / 21 agosto 2015 Direitos de autor  AP
Direitos de autor AP
De Sait Burak Utucu
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No Japão, a população com 100 ou mais anos atingiu 107 677 pessoas. Cerca de 90% são mulheres e este grupo etário bate recordes há 56 anos seguidos.

Segundo os dados mais recentes divulgados pelo Ministério da Saúde do Japão, a 1 de Setembro havia no país 107 677 pessoas com 100 ou mais anos.

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O ministério indicou que cerca de 90% destas pessoas são mulheres.

Os dados foram publicados antes do feriado anual “Dia do Respeito pelos Idosos”, que será assinalado na próxima semana.

No Japão, o número de pessoas com 100 ou mais anos bate recordes há 56 anos consecutivos. Desde 1963, quando começaram os registos, foi a primeira vez que se ultrapassou o limiar das 100 mil pessoas.

De acordo com o Banco Mundial, com uma idade mediana de 49,9 anos, o Japão é, depois do Mónaco, o segundo país mais envelhecido do mundo.

No país, a elevada esperança de vida, o acesso aos cuidados de saúde e a melhoria das condições de vida contribuem para o crescimento da população idosa, enquanto as baixas taxas de natalidade aceleram ainda mais a mudança na estrutura etária.

Dados oficiais publicados em Junho mostraram que a taxa de fecundidade no Japão voltou a descer no ano passado, atingindo um novo mínimo histórico.

A diminuição dos nascimentos e o aumento da esperança média de vida destacam-se como os dois principais factores da crise demográfica que o Japão enfrenta.

Encolhe a força de trabalho, sobem as despesas com a segurança social

Os dados demográficos mais recentes do Japão mostram também o impacto do envelhecimento na força de trabalho.

Segundo o Gabinete de Estatística do Japão, em Março de 2026 a população em idade activa, dos 15 aos 64 anos, desceu para 73 290 000 pessoas. Este número representa menos 265 000 pessoas, ou 0,36%, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

No mesmo período, a população com 65 ou mais anos atingiu 36 202 000 pessoas, enquanto o número de habitantes com 75 ou mais anos aumentou em 479 000 num ano, para 21 488 000. O aumento anual do grupo com 75 ou mais anos foi de 2,28%.

A população total do país continua também a diminuir. Em Agosto de 2026, a população do Japão foi estimada em cerca de 122 680 000 habitantes, menos 590 000 do que um ano antes.

A redução da população em idade ativa aumenta as necessidades de mão-de-obra, sobretudo nos sectores da saúde, dos cuidados, da construção e dos serviços, enquanto a subida das despesas com pensões e saúde agrava a pressão sobre as finanças públicas.

Essa pressão reflete-se também nos números do orçamento. Segundo o Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar do Japão, as despesas com a segurança social representam cerca de 56% das despesas totais da administração central no orçamento para o exercício financeiro de 2026. Cerca de 98% do orçamento do ministério é destinado a despesas obrigatórias, como pensões e saúde.

Nos últimos anos, o governo japonês tem aumentado os apoios financeiros para incentivar a natalidade e procura alargar os programas dirigidos a trabalhadores estrangeiros para colmatar a falta de mão-de-obra.

Mas os dados mais recentes mostram que, enquanto a população em idade ativa continua a diminuir, a população mais idosa continua a crescer, evidenciando que os problemas demográficos de longo prazo do Japão ainda não foram invertidos.

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