Bruxelas opôs-se a uma proposta dos EUA para restringir as exportações de gasóleo, apesar de a Casa Branca insistir que o seu objetivo são restrições específicas e não uma proibição total.
A União Europeia criticou veementemente uma possível proibição das exportações de gasóleo dos EUA que está a ser ponderada pelo presidente Donald Trump, classificando-a como uma "má ideia" que poderia prejudicar ambas as economias.
Trump manifestou o seu apoio a uma proibição esta semana, numa altura em que a subida dos preços dos combustíveis — impulsionada pela guerra no Médio Oriente — ameaça custar ao seu partido, o Partido Republicano, o controlo do Congresso nas eleições intercalares de novembro. No entanto, o porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, afirmou que Bruxelas encara os planos "com preocupação".
"Acreditamos que esta é uma má ideia", afirmou Gill numa conferência de imprensa. "Acreditamos que pode ter um impacto negativo em ambas as partes. Estamos a transmitir essa mensagem aos nossos homólogos norte-americanos ao mais alto nível."
A Europa também tem enfrentado preços elevados dos combustíveis desde o início da guerra entre os EUA e o Irão, no final de fevereiro, mas depende muito mais das importações do que os EUA. O preço médio do gasóleo nos 27 Estados-membros da UE atingiu um recorde de 2,23 euros por litro, de acordo com uma análise da AFP aos dados da Comissão publicados na quinta-feira. Os EUA forneceram cerca de 50% das importações de gasóleo do bloco em agosto.
"Esperamos que parceiros próximos se consultem mutuamente antes de tomarem medidas que afetem os mercados comuns", acrescentou Gill.
A indústria reage
Os comentários surgiram depois de o secretário da Energia dos EUA, Chris Wright, ter procurado esclarecer os planos da administração na quarta-feira, afirmando que os EUA não iriam impor uma proibição total, mas sim introduzir restrições às exportações de gasóleo. Em declarações ao Journal House do WSJ, à margem da Assembleia Geral da ONU, Wright afirmou que os EUA precisavam de manter o abastecimento dos mercados globais enquanto alteravam a trajetória dos preços internos, e que quaisquer medidas seriam voluntárias.
"Estamos a tentar evitar uma política governamental demasiado drástica, compreendendo a complexidade da refinação", afirmou.
Trump lançou pela primeira vez a ideia de restringir as exportações de gasóleo na terça-feira, o que provocou alarme em todo o setor do petróleo e do gás, que alertou que a redução das exportações poderia desencadear consequências indesejadas e fazer subir os preços internos tanto do gasóleo como da gasolina.
Os comentários de Wright foram vagos em termos de detalhes, e alguns lobistas do setor observaram que qualquer coordenação entre as refinarias relativamente às restrições poderia suscitar preocupações em matéria de concorrência.
As associações setoriais manifestaram forte oposição, o que constitui uma das suas reações mais veementes contra a administração desde que Trump regressou ao cargo. O American Exploration & Production Council afirmou que "os decisores políticos devem rejeitar esta abordagem míope e, em vez disso, concentrar-se em soluções que realmente reduzam os preços nas bombas".