Yanbu é o principal terminal de exportação de crude da Arábia Saudita no Mar Vermelho, ligado às regiões produtoras junto à costa do Golfo pelo oleoduto Leste-Oeste, também chamado Petroline.
A Arábia Saudita intercetou mísseis balísticos disparados pelos houthis no Iémen, após emitir alertas para várias regiões, incluindo Meca, enquanto França promete enviar “meios militares” para ajudar a proteger o importante terminal petrolífero saudita de Yanbu.
Os ataques foram registados numa altura em que prosseguiam intensos combates no Iémen entre os houthis e forças governamentais apoiadas por Riade, que causaram dezenas de mortos de ambos os lados, segundo um balanço de sete fontes ouvidas pela agência noticiosa AFP.
Os mísseis foram o episódio mais recente de uma série de ataques cada vez mais intensos lançados pelos houthis desde julho, quando a retoma das hostilidades pôs fim a uma trégua de vários anos e arrastou o Iémen para a guerra mais ampla no Médio Oriente.
Desde então, os houthis impuseram um bloqueio naval à Arábia Saudita, atingiram petroleiros e território sauditas e tomaram extensas zonas da costa do mar Vermelho do Iémen, vital para as exportações de petróleo sauditas.
Os avanços consolidam o controlo do Irão e dos seus aliados sobre as duas vias marítimas de que toda a região do Golfo, incluindo a principal exportadora de crude, a Arábia Saudita, depende para escoar petróleo e outros combustíveis.
A coligação liderada pela Arábia Saudita, que desde 2015 apoia o governo do Iémen contra os houthis, afirmou ter intercetado seis mísseis balísticos, travando ataques contra Taif e Yanbu.
“As escaladas e violações da milícia terrorista huti serão enfrentadas com firmeza”, afirmou o porta-voz da coligação, Turki al-Maliki, na rede social X.
Horas antes, a Proteção Civil saudita tinha emitido uma breve série de alertas, incluindo para Meca, onde se situam os locais mais sagrados do islão, e avisos separados para a província de Yanbu, no mar Vermelho, bem como para as regiões de Taif, Jidá e Tabuk.
Os alertas foram levantados poucos minutos depois. Nas últimas semanas, estes avisos têm frequentemente antecedido ataques dos houthis.
O presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, rejeitou que Teerão esteja a coordenar os planos de batalha dos houthis.
“Os houthis são responsáveis pelos seus próprios atos. Não recebem ordens nossas, tal como os que resistem na região, em função das situações que lhes foram impostas”, declarou Pezeshkian à Fox News, segundo a tradução feita pelo próprio canal.
França promete apoio militar a Yanbu
Perante a crescente pressão sobre a Arábia Saudita, o presidente francês, Emmanuel Macron, declarou que França tenciona “enviar meios militares, ou seja, soldados, radares e sistemas de defesa para proteger” Yanbu.
“Não para participar em combates, mas para proteger este local”, acrescentou Macron, numa entrevista aos canais de televisão TF1 e France 2.
A infraestrutura em Yanbu e arredores constitui um nó essencial na vasta rede de instalações energéticas da Arábia Saudita.
Yanbu funciona como principal terminal de exportação de crude do reino no Mar Vermelho e está ligado às regiões petrolíferas junto à costa do Golfo pelo oleoduto Leste-Oeste, também conhecido como Petroline.
Yanbu alberga ainda importantes instalações de armazenamento e refinação de petróleo e, pela sua localização no Mar Vermelho, oferece à Arábia Saudita uma rota alternativa para o envio de crude e derivados em direção aos mercados europeus.
Na semana passada, Riade acusou os houthis de terem visado Meca, pela primeira vez desde 2017, com um drone que foi abatido, acusação rejeitada pelo grupo.
Dias depois, o grupo atacou a capital saudita, Riade, num ataque inédito há vários anos, marcando uma nova escalada do conflito.
Enquanto os ataques dos houthis tinham como alvo a Arábia Saudita na quinta-feira, intensificavam-se os combates no terreno no Iémen.
Pelo menos 150 combatentes houthis e elementos das forças governamentais morreram nas últimas 24 horas, disseram fontes de ambos os lados à AFP, em confrontos que incluem disputas por elevações que dominam o estreito de Bab al-Mandab, na entrada do Mar Vermelho.
Pelo menos 98 soldados e elementos das forças governamentais foram mortos, segundo um balanço da AFP elaborado a partir de cinco fontes militares.
A maioria morreu em ataques com mísseis balísticos e drones lançados pelos houthis, que fizeram dezenas de mortos entre os soldados iemenitas.
Mais tarde, os houthis reivindicaram o lançamento de uma barragem complexa de mísseis balísticos e drones contra centros de comando e arsenais no sul da Arábia Saudita, afirmando que o ataque causou mortos e feridos entre combatentes iemenitas e sudaneses, bem como entre militares sauditas.
O grupo afirmou ainda, já na noite de quinta-feira, ter lançado ataques além-fronteiras contra infraestruturas da Aramco em Yanbu e contra um local não identificado em Riade.
Pelo menos 52 combatentes dos houthis morreram noutros confrontos, segundo duas fontes do grupo.
Muitos combatentes de ambos os lados morreram também em confrontos nas montanhas de Kahboub e em zonas entre as regiões de Lahj e Taiz, numa altura em que os houthis tentam dominar os planaltos que controlam Bab al-Mandab para proteger o território recentemente conquistado.