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Líderes do G7 apelam aos Houthis apoiados pelo Irão para que cessem os ataques contra a Arábia Saudita

Apoiantes dos houthis do Iémen durante uma manifestação de apoio ao grupo e contra a acusação saudita de que visaram Meca, 18 setembro 2026
Apoiantes dos Houthis do Iémen numa manifestação de apoio ao grupo e de protesto contra a acusação saudita de que os Houthis visaram Meca, 18 de setembro de 2026 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Harry Bligh
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Nas últimas semanas, os Houthis lançaram uma ofensiva para controlar toda a costa do mar Vermelho do Iémen, ameaçando o comércio global e a subir os preços da energia.

Num gesto de solidariedade com Riade, os países do G7 apelam aos rebeldes houthis do Iémen para que suspendam os ataques contra a Arábia Saudita, numa altura em que os combatentes apoiados por Teerão acrescentam uma nova ameaça à guerra no Médio Oriente.

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Em comunicado, os líderes dos países do G7 — Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos — afirmaram: "Apelamos aos Houthis para que cessem imediatamente todas as ações militares, bem como todas as ameaças e ataques contra a navegação civil, e para que regressem de boa-fé ao processo político".

Instaram também o Irão "a pôr termo ao fornecimento de armamento e apoio aos houthis", alegando que Teerão está a violar anteriores resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

Os avanços alcançados pelos houthis reforçam o controlo do Irão e dos seus aliados sobre duas vias marítimas estratégicas, nomeadamente o estreito de Ormuz, que é essencial para o transporte de petróleo na região do Golfo, incluindo o principal exportador mundial: a Arábia Saudita.

A guerra no Iémen, que começou em 2014 com a tomada da capital Sanaa pelos houthis, esteve praticamente estagnada desde 2022, mas foi retomada em julho.

Desde 2015 que a Arábia Saudita lidera uma coligação que apoia o Governo internacionalmente reconhecido. Esta intervenção agravou o conflito, que provocou uma das piores crises humanitárias do mundo.

Bombeiros inspecionam danos provocados por destroços de um drone que as autoridades sauditas dizem ter sido lançado pelos huthis sobre a província de Taif, 17 de setembro de 2026
Bombeiros inspecionam danos provocados por destroços de um drone que as autoridades sauditas dizem ter sido lançado pelos huthis sobre a província de Taif, 17 de setembro de 2026 AP Photo

Bombardeamentos sauditas sobre o porto estratégico de Mokha, no mar Vermelho, no Iémen, mataram pelo menos seis pessoas e feriram outras oito, informou na terça‑feira a agência noticiosa Saba, ligada aos huthis.

Os ataques seguiram‑se a uma ofensiva houthi contra Riade, no sábado, o primeiro ataque à capital saudita em anos e uma importante escalada por parte dos combatentes alinhados com o Irão.

Reino Unido e França reforçam apoio à Arábia Saudita

O primeiro‑ministro britânico, Andy Burnham, concordou na segunda‑feira em fornecer apoio militar à Arábia Saudita, adiantando que o Reino Unido disponibilizará reabastecimento aéreo “defensivo” ar‑ar para os caças sauditas.

França também prometeu apoio, afirmando estar pronta para trabalhar na “proteção” das infraestruturas energéticas sauditas visadas pelos huthis apoiados pelo Irão, mantendo uma “abordagem estritamente defensiva”, disse na segunda‑feira à agência AFP uma fonte diplomática.

“Isto não implica de forma alguma participar no conflito com os houthis”, acrescentou a mesma fonte.

Os houthis lançaram ataques contra instalações da petrolífera saudita Aramco na cidade portuária de Yanbu, no mar Vermelho. O oleoduto Leste‑Oeste, uma rota crucial de exportação de crude, também foi encerrado na sequência de ataques com drones lançados a partir do Iraque, segundo Riade.

Apoiantes dos huthis do Iémen numa manifestação de apoio ao grupo e de protesto contra a acusação saudita de que os huthis visaram Meca, 18 de setembro de 2026
Apoiantes dos huthis do Iémen numa manifestação de apoio ao grupo e de protesto contra a acusação saudita de que os huthis visaram Meca, 18 de setembro de 2026 AP Photo

Na segunda-feira, uma fonte do gabinete de Alimi revelou à AFP que o líder do órgão governativo do Iémen, Rashad al-Alimi, manteve uma conversa telefónica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para solicitar apoio norte-americano contra os combatentes alinhados com o Irão.

Segundo a mesma fonte, Trump não prometeu apoio militar, tendo a conversa, realizada no domingo, visado sobretudo demonstrar solidariedade para com o governo iemenita, que se encontra sob pressão.

Segundo meios de comunicação norte-americanos, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, também instou Trump a atacar os huthis.

O diário The New York Times escreveu que o príncipe herdeiro telefonou a Trump no domingo "para lhe suplicar, mais uma vez", que ajudasse a travar o avanço do grupo, depois do site Axios ter noticiado anteriormente que Trump tinha rejeitado um pedido semelhante na semana anterior.

No domingo, a cadeia Fox News informou que Trump afirmou que os huthis tinham concordado em não atingir alvos norte-americanos.

Meca: acordo de defesa conjunta

O movimento houthi, também conhecido como Ansar Allah (Apoiantes de Deus), deve o nome ao seu falecido líder espiritual Badreddin al‑Houthi e ao seu filho Hussein, morto pelas forças governamentais iemenitas em 2004.

Outro filho de al‑Houthi, Abdulmalik, assumiu depois as rédeas do poder, proferindo discursos inflamados e transformando o grupo de uma fação isolada no noroeste na força dominante na capital e num ator regional.

Num desses discursos, na segunda‑feira, Abdulmalik afirmou que a Arábia Saudita tinha realizado 760 ataques aéreos até ao dia anterior e questionou: “Se o Paquistão e a Turquia fossem alvo deste número de ataques, não provocaria uma grande crise?”

Bombeiros inspecionam danos provocados por destroços de um drone que as autoridades sauditas dizem ter sido lançado pelos huthis sobre a província de Taif, 17 de setembro de 2026
Bombeiros inspecionam danos provocados por destroços de um drone que as autoridades sauditas dizem ter sido lançado pelos huthis sobre a província de Taif, 17 de setembro de 2026 AP Photo

Disse que a Arábia Saudita procura “empurrar os turcos e paquistaneses para a linha da frente e importar takfiris (acusadores de apostasia) da Síria, numa altura em que a Síria enfrenta uma destruição total”, aconselhando os dois países “a não se deixarem enredar em troca de ganhos políticos e financeiros oferecidos pelo inimigo saudita”.

No mês passado, Paquistão, Arábia Saudita e Turquia assinaram o chamado Acordo de Defesa Conjunta de Meca, que compromete os três países à defesa mútua em caso de ataque contra qualquer um deles.

O pacto foi firmado num contexto de guerra entre os Estados Unidos e o Irão e de ataques na região por forças huthis apoiadas por Teerão.

Outras fontes • AFP

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