Ataque russo noturno atingiu Kiev: vários drones caíram em prédios de habitação, fazendo um morto e pelo menos 17 feridos; bombardeamento ucraniano paralisou mais uma refinaria na Rússia.
Um morto e pelo menos 17 feridos num ataque russo contra Kiev na noite de sexta-feira, 25 de setembro.
Segundo as autoridades municipais, vários drones atingiram edifícios residenciais de vários andares. No bairro de Pechersk, em Kiev, morreu um rapaz de 14 anos e pelo menos nove pessoas ficaram feridas, informou o presidente da câmara, Vitali Klitschko.
Foram igualmente registados impactos em habitações nos bairros de Solomianski e Shevchenkivski da capital ucraniana.
Além disso, no bairro Shevchenkivski, em Kiev, o edifício administrativo do Conselho Superior de Justiça ficou danificado e registaram-se seis pessoas feridas. No local estão equipas de salvamento do serviço estatal de emergência, polícia e outras equipas de socorro.
Duas pessoas morreram num ataque com quatro bombas aéreas e dez drones contra Kramatorsk, na região de Donetsk; outras cinco ficaram feridas.
Seis casas, um estabelecimento de ensino, um stand de automóveis, um clube de entretenimento, uma estação de serviço, cinco viaturas civis e um autocarro sofreram danos.
Dois civis morreram nos ataques russos contra Odessa e a região de Odessa. Um homem e uma mulher perderam a vida, refere a procuradoria regional. Mais duas pessoas ficaram feridas.
Ao longo dos primeiros oito meses de 2026, a Rússia lançou contra a Ucrânia mais de 2 100 mísseis de vários tipos, mais de 950 deles balísticos, bem como 63 mil drones de ataque. Os números foram avançados pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, nas sessões de debate geral da Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque.
O gigante siderúrgico ArcelorMittal está a suspender a atividade da ArcelorMittal Kryvyi Rih, o maior complexo metalúrgico da Ucrânia, após quatro ataques com mísseis nas últimas cinco semanas.
O último ataque ocorreu a 21 de setembro. No total, cinco pessoas morreram nos quatro ataques e 17 trabalhadores ficaram feridos, um deles em estado crítico.
A empresa prevê concentrar-se na preservação da infraestrutura da fábrica, para garantir que seja possível retomar a produção depois do fim da guerra.
Ataques ucranianos paralisam mais uma refinaria na Rússia
Na sequência de um ataque das Forças Armadas da Ucrânia foi suspensa a atividade da fábrica de derivados de petróleo de Novoshakhtinsk, anunciou o governador da região de Rostov, Yuri Slyusar.
Dados preliminares apontam para a inexistência de feridos.
“Na noite passada, durante a defesa contra um ataque aéreo à região de Rostov, cerca de 50 drones foram destruídos nas cidades de Kamensk-Shakhtinski e Novoshakhtinsk e em seis distritos da região: Millerovski, Tarasovski, Verkhnedonski, Chertkovski, Kamenski e Krasnosulinski”, escreveu Slyusar no seu canal no Telegram.
A refinaria de Novoshakhtinsk já tinha sido alvo de vários ataques e no final do verão chegou a interromper a produção.
Na noite de 25 de setembro, drones ucranianos atacaram igualmente instalações industriais em Perm, Uliánovsk e Voronej.
Em Uliánovsk “foram registados danos em infraestruturas industriais e civis”, escreveu o chefe da região, Alexei Russkikh, no seu canal no Telegram. Canais de monitorização afirmam que o alvo foi a fábrica Iskra, pertencente ao grupo Almaz-Antey, onde se produzem dispositivos semicondutores, componentes de micro-ondas e microeletrónica para mísseis.
Em Perm, o alvo dos ataques foi a refinaria Lukoil-Permnefteorgsintez, que integra o grupo das dez maiores refinarias russas. Na sequência da ofensiva, deflagrou um incêndio na unidade.
Sobre Voronej e a respetiva região foram abatidos durante a noite 88 drones, indicou o governador local, Alexander Gusev. Quatro pessoas ficaram feridas; duas foram hospitalizadas com ferimentos provocados por estilhaços.
Segundo o responsável regional, há edifícios não residenciais e unidades industriais danificados e foram registados vários incêndios. De acordo com o canal Supernova, entre os alvos está um armazém da plataforma de comércio eletrónico Ozon.
O Ministério da Defesa russo informou que, ao longo da noite, as forças de defesa antiaérea do país intercetaram 592 drones.
A Ucrânia lançou ataques contra a infraestrutura petrolífera e industrial da Rússia em resposta às ofensivas russas, procurando privar Moscovo de receitas para financiar a sua guerra de agressão e cortar o abastecimento de combustível às tropas de ocupação.
Numa publicação, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, descreveu os ataques de sexta-feira contra alvos estratégicos na Rússia como “sanções de longo alcance”, “a resposta da Ucrânia aos seus cruéis ataques contra a nossa vida”.
Kiev afirmou repetidamente estar disposto a uma cessação mútua dos ataques contra a infraestrutura energética, mas até agora não foi possível chegar a um acordo duradouro.
Zelenskyy anuncia licença para produção de mísseis Patriot
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que a Ucrânia vai obter uma licença para produzir mísseis intercetores destinados aos sistemas de defesa antiaérea Patriot, disse aos jornalistas, esta sexta-feira, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy.
Segundo Zelenskyy, na última reunião entre os líderes dos dois países, Trump afirmou que tinha tomado “uma decisão definitiva”.
“Há acordos concretos. O presidente Trump, na última reunião comigo, sublinhou: ‘Sim, tomei a decisão definitiva: a Ucrânia vai receber licenças para produzir mísseis Patriot’”, cita o jornal “Ukrainska Pravda”.
A Ucrânia espera obter uma licença para produzir mísseis para os sistemas Patriot, de forma a não depender de fornecimentos externos e proteger as suas cidades de ataques balísticos russos.