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“Salário do sol”: quanto cortam os painéis solares na fatura, mesmo com céu cinzento

Painéis solares nos telhados já reduzem custos das casas, mesmo com céu nublado
Painéis solares nos telhados já reduzem os custos das casas, mesmo com céu nublado -  Direitos de autor  Unsplash
Direitos de autor Unsplash
De Craig Saueurs
Publicado a •Últimas notícias
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Apesar da poupança que representam nas contas de eletricidade, apenas um em cada dez telhados na Europa tem painéis solares.

Conhecido pelos céus cinzentos e pelos dias chuvosos, o Reino Unido continua a ter sol suficiente para ajudar os residentes a reduzirem mais de 1 000 € por ano na fatura de eletricidade doméstica.

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Uma análise a mais de 15 milhões de casas britânicas, realizada pela empresa de software solar GreenSketch, estima que um sistema otimizado de painéis solares em telhado e baterias pode permitir a uma família média poupar cerca de 1 100 € por ano – aquilo a que a empresa chama um “salário solar”, um ‘sunlight salary’.

Mesmo na Escócia, no País de Gales e na Irlanda do Norte, a poupança média superou os 930 €.

Os resultados mostram que a poupança das famílias depende de muito mais do que o sol. Os preços da eletricidade, a inclinação do telhado, o momento em que se consome energia, a capacidade de armazenamento em baterias e os pagamentos pela eletricidade devolvida à rede são todos fatores importantes.

Céus cinzentos não travam a energia solar

Os investigadores usaram imagens de satélite para modelar habitações individuais, considerando a inclinação e a orientação dos telhados, o consumo local de eletricidade e a produção solar hora a hora.

O sudoeste do País de Gales registou a maior poupança média estimada, com cerca de 1 160 € por ano, seguido do sudeste de Inglaterra, com aproximadamente 1 150 €. Na Irlanda do Norte, os melhores retornos foram observados no leste e não no sul, o que, segundo a GreenSketch, mostra que o clima e a geografia locais podem influenciar a geração solar tanto como a localização geográfica.

Estes números contrariam a ideia de que os painéis solares só são financeiramente viáveis em zonas mais soalheiras. Embora gerem mais eletricidade com sol direto, os painéis continuam a produzir energia em dias nublados – uma boa notícia para as regiões da Europa menos ensolaradas.

A energia solar também pode compensar o custo da instalação relativamente depressa. A Energy Saving Trust (fonte em inglês) – uma organização independente britânica de aconselhamento energético – estima que um sistema típico se paga em 10 a 12 anos.

Europa ainda aproveita pouco o potencial dos telhados

As conclusões para o Reino Unido apontam para um potencial semelhante noutros pontos da Europa.

Se os painéis solares não precisam de sol mediterrânico para reduzir as contas de eletricidade – sobretudo quando associados a baterias que permitem às famílias armazenar a energia gerada durante o dia e utilizá-la mais tarde –, podem ser financeiramente vantajosos muito para lá do sul da Europa.

Um estudo do Joint Research Centre (fonte em inglês) (JRC), publicado no início deste ano, concluiu que os painéis solares instalados em telhados podem satisfazer 40 por cento das necessidades de eletricidade de longo prazo da UE até 2050.

Na Finlândia e na Dinamarca, os telhados não residenciais, por si só, poderiam fornecer pelo menos 95 por cento da capacidade solar prevista para 2030.

Apesar disso, apenas um em cada dez telhados europeus tem painéis solares, de acordo com o JRC, o que deixa uma enorme margem para novas instalações.

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