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Turquia levanta congelamento de ativos em investigação a fundos e vice da maioria demite-se

ARQUIVO - Fatma Betul Sayan Kaya, ministra turca dos Assuntos da Família, fala com jornalistas no Aeroporto Ataturk, em Istambul, a 12 de março de 2017.
ARQUIVO - Fatma Betul Sayan Kaya, ministra dos Assuntos da Família da Turquia, fala aos jornalistas no aeroporto Ataturk, em Istambul, em 12 de março de 2017. -  Direitos de autor  AP Photo, File
Direitos de autor AP Photo, File
De Doloresz Katanich com AP
Publicado a •Últimas notícias
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Procuradores turcos levantam restrições a ativos de 45 empresas e 19 fundos numa crise de fundos de investimento que afeta mais de 450 mil investidores. A decisão segue-se à demissão de uma vice-líder do partido no poder após alegações sobre transações de ações

Os procuradores turcos levantaram as restrições sobre ativos de empresas e fundos identificados numa investigação à crise dos fundos de investimento do país. Mais de 450 000 investidores detêm participações em fundos avaliados em mais de 18 mil milhões de dólares que estão agora a ser liquidados.

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Como parte da investigação sobre fundos de investimento e suspeitas de manipulação de mercado, as autoridades congelaram os ativos de 46 entidades jurídicas, 18 fundos e 42 indivíduos durante o fim de semana, segundo o ministro da Justiça, Akın Gürlek.

Na sequência de uma nova avaliação do Conselho dos Mercados de Capitais, a Procuradoria-Geral de Istambul levantou as restrições impostas a 45 empresas e 19 fundos. As medidas contra indivíduos mantêm-se.

Proteger o investimento, o emprego, a produção e as exportações é prioridade, afirmou o ministro do Tesouro e das Finanças, Mehmet Şimşek. Acrescentou que os processos judiciais contra quem tenha participado em atividades que distorceram o mercado vão continuar, enquanto pessoas e empresas sem ligação a essas práticas não serão alvo de medidas.

A decisão surgiu depois da demissão de Fatma Betül Sayan Kaya, vice-presidente do AKP, partido no poder liderado pelo presidente Recep Tayyip Erdoğan. No sábado à noite, Kaya afirmou que tinha pedido para sair, numa altura em que se alargava a crise dos fundos de investimento.

Kaya, que foi ministra da Família e dos Assuntos Sociais da Turquia entre 2016 e 2018, demitiu-se depois de ter sido acusada de vender ações no valor de dezenas de milhões de dólares pouco antes de a bolsa entrar em queda. O porta-voz do AKP, Ömer Çelik, afirmou no domingo que Erdoğan aceitara a demissão.

“Declaramos que todos os que estiverem envolvidos em irregularidades, corrupção, abuso ou qualquer coisa que cause prejuízo serão responsabilizados”, acrescentou Çelik.

As ações turcas caíram a pique em 16 de setembro, numa altura em que havia suspeitas de manipulação de preços envolvendo vários fundos de investimento.

O porta-voz do partido da oposição New Party, Zeynel Emre, afirmou que Kaya recebeu cerca de 1,3 mil milhões de liras turcas (23,3 milhões de euros) quando vendeu ações pouco antes da queda. Emre acrescentou que Kaya tinha comprado essas ações, a maioria na empresa de construção naval Özata Denizcilik, por 63,4 milhões de liras (1,1 milhões de euros) em abril.

Emre questionou o momento das vendas, alegando que Kaya tinha recebido informação antecipada sobre a turbulência iminente no mercado.

Kaya ainda não respondeu diretamente às acusações. Disse que se demitia para que as alegações pudessem ser “esclarecidas” e pediu perdão a Erdoğan, que também lidera o AKP.

Turquia: como se desenrolou a crise dos fundos

A crise começou depois de regras mais apertadas impostas pelo Conselho dos Mercados de Capitais em 28 de agosto terem sido seguidas por levantamentos em alguns fundos de investimento. Vários detinham grandes participações em ações com pouca liquidez, o que tornava difícil vender rapidamente essas posições sem pressionar os preços em baixa. À medida que os fundos lutavam para responder aos pedidos de resgate, a pressão vendedora aumentou e as ações turcas caíram acentuadamente em 15 e 16 de setembro.

Em 17 de setembro, o Conselho dos Mercados de Capitais (SPK) decidiu liquidar 131 fundos pertencentes a Tera, Pusula, Hedef, Atlas, A1 Capital, Pardus e Bulls Portfolio.

A turbulência levou a Procuradoria-Geral de Istambul a abrir uma investigação.

As autoridades turcas investigam se as avaliações dos fundos foram artificialmente inflacionadas. Os meios de comunicação estimam o valor dos fundos afetados em mais de 18 mil milhões de dólares (15,7 mil milhões de euros).

No âmbito da investigação, pelo menos 45 pessoas foram detidas.

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