Loader
Encontra-nos
Publicidade

Preços das casas sobem na Europa: Que países lideram e porquê

Arquivo – Nasce o sol em Lisboa, segunda-feira, 4 de maio de 2026
Arquivo - O sol nasce em Lisboa, segunda-feira, 4 de maio de 2026. -  Direitos de autor  AP Photo/Armando Franca
Direitos de autor AP Photo/Armando Franca
De Servet Yanatma
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Preços da habitação na Europa continuam a subir, acima da inflação em muitos países. As subidas anuais foram de 0,6% na Alemanha a 16,5% em Portugal no segundo trimestre de 2026

Continuam a subir os preços das casas em grande parte da Europa, mas o ritmo varia muito. Portugal, Bulgária e Espanha registaram aumentos anuais de dois dígitos no segundo trimestre de 2026, enquanto os preços recuaram na Finlândia, no Luxemburgo e em França.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

No conjunto da UE, os preços subiram 4,7 % face ao mesmo período do ano anterior, superando uma inflação de 3,2 %.

Onde estão os preços a subir mais depressa e quanto desse crescimento se mantém depois de descontada a inflação?

Portugal e Bulgária registam subida acima de 15 %

Entre 29 países europeus, nove registaram subidas homólogas de dois dígitos nos preços das casas, segundo o Eurostat. Portugal teve o maior aumento homólogo no segundo trimestre de 2026, de 16,5 %, logo seguido pela Bulgária, com 15,5 %.

Mikk Kalmet, especialista imobiliário no Global Property Guide, assinalou que a forte procura de habitação continua a superar a oferta em Portugal, sobretudo em Lisboa, no Porto e em zonas costeiras muito procuradas. “A construção nova limitada, o investimento estrangeiro, a procura ligada ao turismo e a persistência de escassez de habitação contribuíram todos para a subida dos preços”, afirmou à Euronews Business.

Kalmet explicou que, na Bulgária, a subida dos rendimentos das famílias, o crescimento salarial, o financiamento hipotecário relativamente acessível e a forte procura de imóveis como investimento sustentaram o aumento dos preços.

A Lituânia (14,3 %), a Eslováquia (13,6 %), a Croácia (12,7 %), a Espanha (12,1 %), a Roménia (12,1 %), a Letónia (11,4 %) e a Hungria (10,2 %) também registaram aumentos superiores a 10 %.

A Dinamarca (9,4 %), a Eslovénia (9,1 %) e a Chéquia (8,6 %) ficaram igualmente perto do nível de 10 %.

Subiram também os preços das casas acima da média da UE em Chipre (7,9 %), Malta (6,9 %), Polónia (6,3 %), Irlanda (6 %), Estónia (5,8 %), Áustria (5,1 %) e Suécia (4,8 %).

Três países registam quedas

A Finlândia (-2,7 %), o Luxemburgo (-2,2 %) e a França (-0,8 %) foram os únicos países onde os preços das casas desceram em termos homólogos neste período.

Mikk Kalmet apontou o fraco crescimento económico na Finlândia, a confiança dos consumidores enfraquecida e os efeitos duradouros de taxas de juro mais altas.

“Em França, as limitações de acessibilidade, a procura de habitação relativamente fraca e os efeitos de taxas hipotecárias anteriormente elevadas exerceram pressão em baixa sobre os preços”, afirmou Kalmet, acrescentando que a incerteza económica levou também alguns potenciais compradores a adiarem aquisições.

Entre as quatro maiores economias da UE, destaca-se a Espanha com uma subida de 12,1 %, enquanto a Itália (4 %) fica abaixo da média europeia. A Alemanha registou apenas um ligeiro aumento de 0,6 %, pouco acima de França, onde os preços das casas recuaram 0,8 %.

“[Na Alemanha] as taxas hipotecárias mais altas voltaram. A acessibilidade da habitação está a deteriorar-se. A procura de empréstimos hipotecários está a enfraquecer”, escreveram Carsten Brzeski e Franziska Biehl, do ING, na sua análise.

Fundamentos locais explicam divisão no mercado europeu da habitação

Kalmet sublinhou que as diferentes taxas de crescimento dos preços das casas refletem sobretudo a escassez de habitação em cada país, a evolução dos rendimentos, as condições de crédito hipotecário e as tendências demográficas. “Os mercados da habitação são, em essência, locais, apesar de os países europeus partilharem muitas das mesmas condições económicas e monetárias”, afirmou.

Os países onde a procura é forte e a construção limitada tendem a registar subidas de preços mais rápidas. Em contraste, os países com crescimento económico mais fraco, procura das famílias mais contida ou maior sensibilidade aos custos de financiamento têm registado crescimentos mais lentos ou mesmo quedas de preços.

Crescimento mantém-se forte em termos reais

Tendo em conta a inflação, o crescimento real dos preços das casas continua forte em muitos países.

Na UE, com uma inflação de 3,2 %, os preços das casas cresceram 1,5 % em termos reais.

No entanto, o crescimento manteve-se muito mais forte em vários países. Em Portugal, por exemplo, a inflação foi de 3,6 % neste período, o que se traduziu num aumento real dos preços das casas de 12,1 %.

O crescimento real também superou 7 % na Eslováquia (9,4 %), na Bulgária (9,1 %), na Lituânia (8,8 %), em Espanha (8,3 %), na Letónia (7,9 %), na Dinamarca (7,7 %), na Hungria (7,7 %) e na Croácia (7,5 %).

Seis países registaram quedas em termos reais, liderados pelo Luxemburgo, com uma descida de 6,4 %. Os preços reais das casas também caíram 3,2 % em França e 2 % na Alemanha.

Ao explicar o que tem impulsionado os preços das casas ao longo deste último ano, Kalmet afirmou: “Há três fatores que sobressaem: a persistência da escassez de habitação, o aumento dos rendimentos das famílias e a alteração das condições hipotecárias. Em muitos países europeus, a construção residencial não tem acompanhado o ritmo da procura de habitação.

Que tendência seguem os preços das casas?

Kalmet antevê que a persistência da escassez de habitação e a manutenção da procura possam sustentar novas subidas de preços em muitos mercados europeus. No entanto, é provável que o crescimento continue desigual e não se deve dar por garantido mais um ano de aumentos de dois dígitos.

“A maior incerteza são as taxas de juro. O BCE aumentou-as em setembro de 2026, em resposta ao regresso de pressões inflacionistas. Custos hipotecários mais elevados, combinados com um poder de compra mais fraco devido à subida dos preços da energia, podem abrandar a procura de habitação”, afirmou.

Brzeski e Biehl salientaram que os potenciais compradores na Alemanha enfrentam agora uma combinação difícil de preços imobiliários mais altos, custos de financiamento superiores e efeitos prolongados de um poder de compra real mais fraco, condicionado pelos impactos económicos adversos da guerra no Médio Oriente.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Jovens europeus ficam excluídos: porque não conseguem comprar casa

Europa: qual a idade média de quem compra casa pela primeira vez?

Habitação na Europa: é maior o número de proprietários ou de arrendatários?